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Questão de Medicina — Oncologia — VUNESP 2024

MedicinaOncologia
Código
vu088853
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Oncologista
Em pacientes jovens com antecedentes de carcinoma de células escamosas de colo uterino, tratadas com quimiorradioterapia concomitante com cisplatina semanal, seguida de braquiterapia, que apresentem sintomas de menopausa,
  1. Aestá contraindicada a terapia de reposição hormonal.
  2. Ba terapia de reposição hormonal pode ser iniciada apenas após 5 anos do tratamento.
  3. Cos sintomas devem ser atribuídos a estresse emocional.
  4. Da ooforopexia após a radioterapia é tratamento eficaz.
  5. Eterapia de reposição hormonal deve ser considerada.
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GabaritoE — terapia de reposição hormonal deve ser considerada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Terapia de Reposição Hormonal após Câncer de Colo Uterino

Gabarito: letra E. Em pacientes jovens com carcinoma de células escamosas de colo uterino tratadas com quimiorradioterapia e braquiterapia, que desenvolvem sintomas de menopausa, a terapia de reposição hormonal (TRH) deve ser considerada, pois não há contraindicação absoluta e o benefício no controle dos sintomas supera os riscos, desde que individualizado. A alternativa correta reflete a conduta moderna de não privar a paciente de qualidade de vida, contrariando o dogma histórico de que estrogênio seria proibido em qualquer neoplasia ginecológica.

A menopausa induzida pelo tratamento oncológico é um evento iatrogênico que afeta drasticamente a qualidade de vida. A radioterapia pélvica causa falência ovariana, levando a sintomas vasomotores, atrofia urogenital, disfunção sexual e aumento do risco de osteoporose. Historicamente, havia receio de que a TRH estimulasse a recorrência do câncer de colo uterino, mas as evidências atuais não demonstram aumento do risco de recidiva ou morte com o uso de estrogênio nesse grupo específico. O carcinoma de células escamosas do colo uterino não é um tumor hormônio-dependente, ao contrário do câncer de mama, por exemplo. Por isso, a TRH não está contraindicada e deve ser discutida com a paciente, considerando os benefícios no alívio dos sintomas e os riscos individuais.

A decisão de iniciar a TRH deve ser individualizada, levando em conta a gravidade dos sintomas, o risco de recorrência da doença e as comorbidades da paciente. Não há um prazo fixo de espera, como 5 anos, para iniciar a terapia. A ooforopexia, que é a fixação dos ovários fora do campo de radiação, é uma medida preventiva realizada antes da radioterapia, e não após, sendo ineficaz quando a radiação já foi aplicada. Atribuir os sintomas a estresse emocional é uma abordagem inadequada e negligente, pois ignora a causa orgânica clara da menopausa induzida pelo tratamento.

A conduta correta é reconhecer que a TRH é uma opção válida e eficaz para o manejo dos sintomas da menopausa em sobreviventes de câncer de colo uterino. A decisão deve ser compartilhada com a paciente, após esclarecimento sobre os potenciais benefícios e riscos. A alternativa E captura essa abordagem moderna e centrada na paciente, que prioriza a qualidade de vida sem comprometer a segurança oncológica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora o dogma antigo de que "câncer ginecológico = estrogênio proibido". O candidato que memorizou essa regra sem nuance marca a letra A. Mas o carcinoma de colo uterino não é hormônio-dependente, e as diretrizes atuais recomendam considerar a TRH para alívio dos sintomas, individualizando a decisão. A pegadinha está em generalizar a contraindicação que se aplica a tumores hormônio-sensíveis (como mama e endométrio) para todos os cânceres ginecológicos.

TRH após câncer de colo uterino
  • 1Carcinoma de células escamosas
    • Não é hormônio-dependente
    • TRH deve ser considerada
  • 2Menopausa induzida
    • Falência ovariana pela radioterapia
    • Sintomas vasomotores, atrofia, osteoporose
  • 3Condutas incorretas
    • Contraindicação absoluta (dogma)
    • Prazo fixo de 5 anos
    • Atribuir a estresse emocional
    • Ooforopexia após radioterapia
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a TRH está contraindicada. Isso é um erro, pois não há contraindicação absoluta para TRH em pacientes com carcinoma de células escamosas de colo uterino. O tumor não é hormônio-dependente, e a TRH pode ser considerada para alívio dos sintomas da menopausa, desde que individualizada. A contraindicação absoluta se aplica a tumores hormônio-sensíveis, como o câncer de mama e o de endométrio, não ao colo uterino.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Estabelece um prazo fixo de 5 anos para iniciar a TRH. Não há evidência ou diretriz que determine esse intervalo. A decisão de iniciar a TRH deve ser baseada na avaliação individual da paciente, considerando a gravidade dos sintomas, o risco de recorrência e as comorbidades, e não em um período arbitrário de espera. O prazo de 5 anos é um distrator que remete à duração da hormonioterapia adjuvante no câncer de mama, mas não se aplica a este contexto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Sugere que os sintomas devem ser atribuídos a estresse emocional. Isso é uma abordagem inadequada e negligente. Os sintomas de menopausa em pacientes tratadas com radioterapia pélvica têm causa orgânica clara: a falência ovariana induzida pelo tratamento. Atribuí-los a estresse emocional ignora a fisiopatologia e priva a paciente de tratamento eficaz, configurando má prática médica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a ooforopexia após a radioterapia é tratamento eficaz. A ooforopexia é um procedimento cirúrgico que reposiciona os ovários para fora do campo de radiação, sendo uma medida preventiva realizada antes da radioterapia para preservar a função ovariana. Após a radioterapia, os ovários já foram expostos à radiação e a ooforopexia não tem eficácia para reverter a falência ovariana ou tratar os sintomas da menopausa.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A terapia de reposição hormonal deve ser considerada. Esta é a conduta correta e alinhada com as evidências atuais. Em pacientes jovens com sintomas de menopausa após tratamento para câncer de colo uterino, a TRH é uma opção válida para alívio dos sintomas e melhora da qualidade de vida, desde que individualizada e discutida com a paciente. Não há contraindicação absoluta, e o benefício no controle dos sintomas supera os riscos na maioria dos casos.

Gabarito: letra E

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