Em pacientes jovens com antecedentes de carcinoma de células escamosas de colo uterino, tratadas com quimiorradioterapia concomitante com cisplatina semanal, seguida de braquiterapia, que apresentem sintomas de menopausa,
Aestá contraindicada a terapia de reposição hormonal.
Ba terapia de reposição hormonal pode ser iniciada apenas após 5 anos do tratamento.
Cos sintomas devem ser atribuídos a estresse emocional.
Da ooforopexia após a radioterapia é tratamento eficaz.
Eterapia de reposição hormonal deve ser considerada.
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GabaritoE — terapia de reposição hormonal deve ser considerada.
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Terapia de Reposição Hormonal após Câncer de Colo Uterino
Gabarito: letra E. Em pacientes jovens com carcinoma de células escamosas de colo uterino tratadas com quimiorradioterapia e braquiterapia, que desenvolvem sintomas de menopausa, a terapia de reposição hormonal (TRH) deve ser considerada, pois não há contraindicação absoluta e o benefício no controle dos sintomas supera os riscos, desde que individualizado. A alternativa correta reflete a conduta moderna de não privar a paciente de qualidade de vida, contrariando o dogma histórico de que estrogênio seria proibido em qualquer neoplasia ginecológica.
A menopausa induzida pelo tratamento oncológico é um evento iatrogênico que afeta drasticamente a qualidade de vida. A radioterapia pélvica causa falência ovariana, levando a sintomas vasomotores, atrofia urogenital, disfunção sexual e aumento do risco de osteoporose. Historicamente, havia receio de que a TRH estimulasse a recorrência do câncer de colo uterino, mas as evidências atuais não demonstram aumento do risco de recidiva ou morte com o uso de estrogênio nesse grupo específico. O carcinoma de células escamosas do colo uterino não é um tumor hormônio-dependente, ao contrário do câncer de mama, por exemplo. Por isso, a TRH não está contraindicada e deve ser discutida com a paciente, considerando os benefícios no alívio dos sintomas e os riscos individuais.
A decisão de iniciar a TRH deve ser individualizada, levando em conta a gravidade dos sintomas, o risco de recorrência da doença e as comorbidades da paciente. Não há um prazo fixo de espera, como 5 anos, para iniciar a terapia. A ooforopexia, que é a fixação dos ovários fora do campo de radiação, é uma medida preventiva realizada antes da radioterapia, e não após, sendo ineficaz quando a radiação já foi aplicada. Atribuir os sintomas a estresse emocional é uma abordagem inadequada e negligente, pois ignora a causa orgânica clara da menopausa induzida pelo tratamento.
A conduta correta é reconhecer que a TRH é uma opção válida e eficaz para o manejo dos sintomas da menopausa em sobreviventes de câncer de colo uterino. A decisão deve ser compartilhada com a paciente, após esclarecimento sobre os potenciais benefícios e riscos. A alternativa E captura essa abordagem moderna e centrada na paciente, que prioriza a qualidade de vida sem comprometer a segurança oncológica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora o dogma antigo de que "câncer ginecológico = estrogênio proibido". O candidato que memorizou essa regra sem nuance marca a letra A. Mas o carcinoma de colo uterino não é hormônio-dependente, e as diretrizes atuais recomendam considerar a TRH para alívio dos sintomas, individualizando a decisão. A pegadinha está em generalizar a contraindicação que se aplica a tumores hormônio-sensíveis (como mama e endométrio) para todos os cânceres ginecológicos.
TRH após câncer de colo uterino
1Carcinoma de células escamosas
Não é hormônio-dependente
TRH deve ser considerada
2Menopausa induzida
Falência ovariana pela radioterapia
Sintomas vasomotores, atrofia, osteoporose
3Condutas incorretas
Contraindicação absoluta (dogma)
Prazo fixo de 5 anos
Atribuir a estresse emocional
Ooforopexia após radioterapia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a TRH está contraindicada. Isso é um erro, pois não há contraindicação absoluta para TRH em pacientes com carcinoma de células escamosas de colo uterino. O tumor não é hormônio-dependente, e a TRH pode ser considerada para alívio dos sintomas da menopausa, desde que individualizada. A contraindicação absoluta se aplica a tumores hormônio-sensíveis, como o câncer de mama e o de endométrio, não ao colo uterino.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Estabelece um prazo fixo de 5 anos para iniciar a TRH. Não há evidência ou diretriz que determine esse intervalo. A decisão de iniciar a TRH deve ser baseada na avaliação individual da paciente, considerando a gravidade dos sintomas, o risco de recorrência e as comorbidades, e não em um período arbitrário de espera. O prazo de 5 anos é um distrator que remete à duração da hormonioterapia adjuvante no câncer de mama, mas não se aplica a este contexto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sugere que os sintomas devem ser atribuídos a estresse emocional. Isso é uma abordagem inadequada e negligente. Os sintomas de menopausa em pacientes tratadas com radioterapia pélvica têm causa orgânica clara: a falência ovariana induzida pelo tratamento. Atribuí-los a estresse emocional ignora a fisiopatologia e priva a paciente de tratamento eficaz, configurando má prática médica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a ooforopexia após a radioterapia é tratamento eficaz. A ooforopexia é um procedimento cirúrgico que reposiciona os ovários para fora do campo de radiação, sendo uma medida preventiva realizada antes da radioterapia para preservar a função ovariana. Após a radioterapia, os ovários já foram expostos à radiação e a ooforopexia não tem eficácia para reverter a falência ovariana ou tratar os sintomas da menopausa.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A terapia de reposição hormonal deve ser considerada. Esta é a conduta correta e alinhada com as evidências atuais. Em pacientes jovens com sintomas de menopausa após tratamento para câncer de colo uterino, a TRH é uma opção válida para alívio dos sintomas e melhora da qualidade de vida, desde que individualizada e discutida com a paciente. Não há contraindicação absoluta, e o benefício no controle dos sintomas supera os riscos na maioria dos casos.