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Questão de Medicina — Oncologia — VUNESP 2024

MedicinaOncologia
Código
vu088856
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Oncologista
Em pacientes com câncer de ovário de alto grau que foram tratadas com cirurgia com citorredução incompleta, seguida de quimioterapia sistêmica com carboplatina, paclitaxel e bevacizumabe, a melhor conduta é:
  1. Atratamento de manutenção com niraparibe, se for identificada mutação somática ou germinativa em BRCA1/2.
  2. Btratamento de manutenção com bevacizumabe e olaparibe, independentemente de status mutacional para BRCA1/2.
  3. Ctratamento de manutenção com olaparibe, se apresentar deficiência de recombinação homóloga.
  4. Dtratamento de manutenção com bevacizumabe e olaparibe, apenas se apresentar mutação somática ou germinativa em BRCA1/2.
  5. Eseguimento clínico exclusivo, com imagens e CA125 a cada três meses.
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GabaritoB — tratamento de manutenção com bevacizumabe e olaparibe, independentemente de status mutacional para BRCA1/2.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de ovário: manutenção com inibidores de PARP e bevacizumabe

Gabarito: letra B. Em pacientes com câncer de ovário de alto grau submetidas a citorredução incompleta e quimioterapia com carboplatina, paclitaxel e bevacizumabe, a melhor conduta é a manutenção com bevacizumabe e olaparibe, independentemente do status mutacional de BRCA1/2. Essa recomendação se baseia no ensaio clínico PAOLA-1, que demonstrou benefício na sobrevida livre de progressão com a combinação, mesmo em pacientes sem mutação em BRCA, desde que houvesse deficiência de recombinação homóloga (DRH) ou doença residual. A alternativa B é a única que reflete integralmente essa estratégia.

O tratamento de manutenção no câncer de ovário avançado evoluiu significativamente com a introdução dos inibidores de PARP (iPARP) e do bevacizumabe. Após a quimioterapia de primeira linha, a manutenção tem como objetivo prolongar o intervalo livre de doença, especialmente em pacientes com alto risco de recidiva, como aquelas com citorredução incompleta. A escolha do agente de manutenção depende de fatores como o status mutacional de BRCA, a presença de DRH e o regime quimioterápico utilizado na fase inicial.

O estudo PAOLA-1 avaliou a adição de olaparibe ao bevacizumabe como manutenção em pacientes com câncer de ovário avançado que receberam quimioterapia com bevacizumabe. Os resultados mostraram benefício significativo na sobrevida livre de progressão para o grupo que recebeu a combinação, com ganho mais pronunciado em pacientes com mutação em BRCA ou DRH. No entanto, mesmo no subgrupo sem DRH, houve uma tendência de benefício, o que sustenta a recomendação da combinação independentemente do status mutacional, especialmente em pacientes com doença residual após a cirurgia.

A distinção entre as alternativas reside na indicação precisa da manutenção. Enquanto o niraparibe pode ser usado em todas as pacientes após a primeira linha, o olaparibe em monoterapia é mais comumente indicado para aquelas com mutação em BRCA ou DRH. A combinação de bevacizumabe e olaparibe, por sua vez, é uma opção particularmente atraente para pacientes que já receberam bevacizumabe na quimioterapia, como é o caso do enunciado. A alternativa B captura essa nuance ao não condicionar o uso da combinação ao status mutacional, alinhando-se à prática clínica baseada no PAOLA-1.

A pegadinha da questão está em condicionar a combinação de bevacizumabe e olaparibe à presença de mutação em BRCA ou DRH, como fazem as alternativas C e D. Embora o benefício seja maior nesses subgrupos, a recomendação da combinação não se restringe a eles, especialmente quando a paciente já recebeu bevacizumabe na quimioterapia. A alternativa A, que sugere niraparibe apenas para BRCA mutado, ignora que o niraparibe também é opção para pacientes sem mutação, embora com benefício menor. A alternativa E, de seguimento clínico exclusivo, contraria a recomendação de manutenção para todas as pacientes após a primeira linha.

Manutenção no CA de ovário avançado
  • 1Após QT 1ª linha com bevacizumabe
    • Combinação bevacizumabe + olaparibe (PAOLA-1)
      • Independente do status BRCA
      • Benefício maior com DRH ou doença residual
    • Olaparibe isolado
      • Mais eficaz com BRCA/DRH
    • Niraparibe
      • Opção com ou sem mutação
  • 2Fatores que guiam a escolha
    • Status BRCA1/2
    • Deficiência de recombinação homóloga (DRH)
    • Citorredução incompleta (alto risco)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa restringe o uso de niraparibe à presença de mutação em BRCA1/2. Embora o niraparibe seja particularmente eficaz em pacientes com mutação, ele também é uma opção de manutenção para pacientes sem mutação ou DRH, com benefício menor, mas ainda presente. Além disso, a paciente do enunciado já recebeu bevacizumabe, e a combinação com olaparibe (alternativa B) é a estratégia mais alinhada ao cenário clínico descrito.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A combinação de bevacizumabe e olaparibe como manutenção é a conduta recomendada para pacientes com câncer de ovário de alto grau que receberam quimioterapia com bevacizumabe, independentemente do status mutacional de BRCA1/2. O estudo PAOLA-1 demonstrou benefício na sobrevida livre de progressão com essa combinação, mesmo em pacientes sem mutação, especialmente naquelas com DRH ou doença residual. A alternativa espelha exatamente essa recomendação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa condiciona o uso de olaparibe em monoterapia à presença de deficiência de recombinação homóloga (DRH). Embora o olaparibe seja mais eficaz em pacientes com DRH, ele também é uma opção de manutenção para pacientes sem DRH, embora com benefício menor. Além disso, a paciente do enunciado já recebeu bevacizumabe, e a combinação com olaparibe (alternativa B) é a estratégia mais adequada, em vez de olaparibe isolado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa condiciona a combinação de bevacizumabe e olaparibe à presença de mutação somática ou germinativa em BRCA1/2. Essa restrição é incorreta, pois o benefício da combinação não se limita a pacientes com mutação. O estudo PAOLA-1 mostrou benefício também em pacientes sem mutação, especialmente naquelas com DRH ou doença residual. A combinação é recomendada independentemente do status mutacional, como afirma a alternativa B.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa propõe seguimento clínico exclusivo, com imagens e CA125 a cada três meses, sem tratamento de manutenção. Essa conduta contraria a recomendação de manutenção para todas as pacientes após a quimioterapia de primeira linha, especialmente naquelas com alto risco de recidiva, como as com citorredução incompleta. A manutenção com iPARP e/ou bevacizumabe é o padrão de cuidado, e o seguimento isolado não é a melhor conduta.

Gabarito: letra B

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