Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Oncologia — VUNESP 2024

MedicinaOncologia
Código
vu088859
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Oncologista
Paciente de 67 anos de idade, com antecedentes de carcinoma seroso de alto grau de ovário aos 63 anos, estádio IIIC, foi tratada inicialmente com citorredução completa, seguida de quimioterapia adjuvante com carboplatina AUC6 e paclitaxel 175 mg/m2, a cada 21 dias, por 6 ciclos. Há dois meses apresenta dispepsia leve, com exame físico normal, ECOG 0. Exames de imagem revelaram linfonodos retroperitoneais aumentados, carcinomatose peritoneal, sem sinais de ascite, sem comprometimento de órgãos parenquimatosos. CA125 = 240 UI/dL.A respeito deste caso, assinale a alternativa correta.
  1. AA paciente não preenche critérios para citorredução, e deve ser iniciada quimioterapia sistêmica com platina e taxano.
  2. BDeve ser considerada citorredução completa, seguida de quimioterapia com carboplatina e paclitaxel por 6 ciclos.
  3. CDeve ser considerada cirurgia de intervalo, seguida de quimioterapia com carboplatina e paclitaxel por 3 ciclos.
  4. DCitorredução completa com HIPEC com cisplatina tem demostrado maior sobrevida global em estudos randomizados.
  5. EQuimioterapia sistêmica com citorredução completa de intervalo com HIPEC com cisplatina tem demostrado maior sobrevida global nos estudos randomizados.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Deve ser considerada citorredução completa, seguida de quimioterapia com carboplatina e paclitaxel por 6 ciclos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de ovário recorrente: citorredução e quimioterapia

Gabarito: letra B. A paciente apresenta recidiva de carcinoma seroso de alto grau de ovário, com doença peritoneal e linfonodal, mas sem ascite e com ECOG 0, o que a torna candidata a nova citorredução completa, seguida de quimioterapia com carboplatina e paclitaxel por 6 ciclos. A conduta se baseia no princípio de que, na recorrência sensível à platina, a cirurgia citorredutora deve ser considerada quando a doença é ressecável, e a quimioterapia combinada com platina é o padrão.

O câncer de ovário é uma neoplasia que se dissemina preferencialmente pela cavidade peritoneal, acometendo o omento, as superfícies peritoneais e os linfonodos pélvicos e para-aórticos. A recidiva, como no caso, pode se manifestar com carcinomatose peritoneal e linfonodomegalias, sem necessariamente cursar com ascite ou comprometimento de órgãos parenquimatosos. O CA 125, embora útil no monitoramento, não é diagnóstico isoladamente, pois pode estar elevado em várias condições benignas.

A decisão terapêutica na recorrência depende, fundamentalmente, do intervalo livre de platina. Quando a recidiva ocorre após 6 meses do término da quimioterapia à base de platina, o tumor é considerado "sensível à platina", e o retratamento com combinação de platina é preferido. Nesse cenário, a cirurgia citorredutora pode ser considerada se houver locais ressecáveis de doença limitada, como é o caso da paciente, que tem ECOG 0, sem ascite e sem comprometimento visceral.

A citorredução completa, quando factível, é o objetivo da cirurgia, pois a doença residual mínima está associada a melhor prognóstico. Após a cirurgia, a quimioterapia adjuvante com carboplatina e paclitaxel por 6 ciclos é o esquema padrão, completando o tratamento. A alternativa de cirurgia de intervalo, com quimioterapia neoadjuvante, é reservada para casos em que a citorredução primária não é viável, o que não se aplica a esta paciente.

A pegadinha da questão está em confundir o cenário de recidiva com o de doença avançada inicial, em que a quimioterapia neoadjuvante ou a cirurgia de intervalo seriam opções. Além disso, a HIPEC (quimioterapia intraperitoneal aquecida) é uma estratégia que tem mostrado benefício em estudos randomizados, mas apenas no contexto de cirurgia de intervalo após quimioterapia neoadjuvante, e não como tratamento padrão para todas as pacientes com recidiva. A banca explora essa confusão para induzir o candidato a escolher uma alternativa incorreta.

Guarde a distinção entre os cenários: doença avançada inicial (citorredução primária ou QTNA) versus recidiva sensível à platina (citorredução + quimioterapia). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a paciente não preenche critérios para citorredução e deve receber apenas quimioterapia sistêmica. Isso está errado, pois a paciente tem ECOG 0, sem ascite e sem comprometimento visceral, o que a torna candidata a nova citorredução. A quimioterapia isolada seria indicada se a doença fosse irressecável ou se houvesse contraindicação cirúrgica, o que não é o caso.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A paciente tem recidiva sensível à platina (intervalo livre de platina > 6 meses), com doença peritoneal e linfonodal ressecável, ECOG 0 e sem ascite. Portanto, deve ser considerada citorredução completa, seguida de quimioterapia com carboplatina e paclitaxel por 6 ciclos, que é o esquema padrão para completar o tratamento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A cirurgia de intervalo é uma estratégia para doença avançada inicial, quando a citorredução primária não é viável, e é precedida de quimioterapia neoadjuvante. No caso, a paciente já foi tratada com citorredução primária e quimioterapia adjuvante, e agora apresenta recidiva. A cirurgia de intervalo não se aplica a este cenário de recidiva, e o esquema de 3 ciclos não é o padrão para completar o tratamento após a cirurgia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A HIPEC com cisplatina demonstrou benefício em sobrevida global em estudos randomizados, mas apenas no contexto de cirurgia de intervalo após quimioterapia neoadjuvante, e não como tratamento padrão para todas as pacientes com recidiva. A alternativa generaliza o benefício da HIPEC, o que é incorreto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A combinação de quimioterapia sistêmica com citorredução de intervalo e HIPEC com cisplatina demonstrou benefício em sobrevida global em estudos randomizados, mas apenas em um subgrupo específico de pacientes com doença avançada inicial, não em todas as pacientes com recidiva. A alternativa generaliza o benefício, o que é incorreto.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/vu088859