Em pacientes com diagnóstico de carcinoma seroso de alto grau de tuba uterina, estádio II da FIGO, com mutação germinativa de BRCA1, que foram operadas com ressecção completa, seguida de seis ciclos de quimioterapia sistêmica adjuvante, o tratamento de manutenção
Adeve ser realizado com olaparibe por 2 anos.
Bdeve ser realizado com bevacizumabe por 1 ano.
Cnão está indicado.
Ddeve ser realizado com olaparibe e bevacizumabe.
Edeve ser realizado com niraparibe por 3 anos.
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GabaritoC — não está indicado.
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Câncer de tuba uterina: tratamento de manutenção após quimioterapia adjuvante
Gabarito: letra C. Em pacientes com carcinoma seroso de alto grau de tuba uterina, estádio II da FIGO, com mutação germinativa de BRCA1, submetidas a ressecção completa e seis ciclos de quimioterapia adjuvante, o tratamento de manutenção não está indicado. A indicação de manutenção com inibidores de PARP (como olaparibe ou niraparibe) é estabelecida para o câncer de ovário avançado (estádios III–IV) ou recorrente, não para doença precoce (estádio I–II) após tratamento adjuvante completo. A banca explora a extrapolação indevida dos dados de manutenção, que foram validados em cenários de doença avançada ou recidivada.
O carcinoma seroso de alto grau de tuba uterina é uma neoplasia que compartilha características biológicas e terapêuticas com o câncer de ovário epitelial e o carcinoma peritoneal primário. Na prática, essas três entidades são frequentemente agrupadas nos estudos clínicos e nas diretrizes, pois apresentam comportamento e resposta ao tratamento semelhantes. O tratamento padrão para doença precoce (estádios I–II) consiste em cirurgia com estadiamento completo, seguida de quimioterapia adjuvante à base de platina e taxano, geralmente por seis ciclos. A questão descreve exatamente esse cenário: ressecção completa (R0) e seis ciclos de quimioterapia adjuvante.
A terapia de manutenção com inibidores de PARP (olaparibe, niraparibe) ou com bevacizumabe foi estudada e aprovada para o tratamento de primeira linha do câncer de ovário avançado (estádios III–IV), após resposta à quimioterapia inicial, e para o cenário de doença recorrente sensível à platina. No contexto de doença precoce (estádios I–II), não há evidência robusta que sustente o uso de manutenção, pois o risco de recorrência é menor e o benefício potencial não supera os riscos de toxicidade e os custos. Portanto, a conduta correta é a observação vigilante, sem tratamento de manutenção.
A pegadinha central desta questão é a presença da mutação germinativa de BRCA1. O candidato pode ser tentado a indicar manutenção com inibidor de PARP, pois essa é uma população que se beneficia claramente da manutenção em doença avançada. No entanto, o estádio II (precoce) é o fator decisivo: a manutenção não é indicada nesse cenário, independentemente do status de BRCA. A banca explora exatamente essa confusão entre o benefício da manutenção em doença avançada e a ausência de indicação em doença precoce.
Para fixar: a indicação de manutenção com inibidor de PARP no câncer de ovário/tuba/peritônio depende de dois fatores principais — o estádio (avançado, III–IV) ou a recorrência (sensível à platina) e, em alguns casos, o status de BRCA/DRH. Em doença precoce (I–II) tratada com cirurgia e quimioterapia adjuvante, não há papel para manutenção. Esse é o critério que separa as alternativas: todas as opções que propõem manutenção (A, B, D, E) estão incorretas porque o cenário é de doença precoce.
Manutenção no câncer de tuba/ovário
1Doença precoce (I–II)
Cirurgia + QT adjuvante
Manutenção não indicada
2Doença avançada (III–IV)
Manutenção com iPARP
BRCA mutado: olaparibe
Qualquer status: niraparibe
Manutenção com bevacizumabe
3Recorrência sensível à platina
Manutenção com iPARP
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Propõe manutenção com olaparibe por 2 anos. O olaparibe é um inibidor de PARP com benefício comprovado em manutenção de primeira linha para câncer de ovário avançado com mutação BRCA, e também em doença recorrente sensível à platina. No entanto, o cenário da questão é de doença precoce (estádio II), onde a manutenção não está indicada. A duração de 2 anos também não corresponde ao esquema padrão de manutenção com olaparibe, que é de 24 meses (2 anos) em alguns estudos, mas a ausência de indicação é o erro principal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Propõe manutenção com bevacizumabe por 1 ano. O bevacizumabe, um anticorpo monoclonal anti-VEGF, tem papel na manutenção de primeira linha do câncer de ovário avançado, geralmente por até 15 meses ou até progressão, e também em combinação com quimioterapia na doença recorrente. No entanto, não há indicação de manutenção com bevacizumabe em doença precoce (estádio II). Além disso, o benefício do bevacizumabe é mais evidente em pacientes com doença de alto risco (estádio III–IV com doença residual), não no cenário de ressecção completa em estádio II.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que o tratamento de manutenção não está indicado. Esta é a conduta correta para o cenário descrito: carcinoma seroso de alto grau de tuba uterina, estádio II da FIGO, com ressecção completa e seis ciclos de quimioterapia adjuvante. A terapia de manutenção (com inibidores de PARP ou bevacizumabe) é reservada para doença avançada (estádios III–IV) ou recorrente, não para doença precoce. A mutação BRCA1, embora seja um fator que aumenta o risco de recorrência, não altera essa recomendação no estádio II.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Propõe manutenção com olaparibe e bevacizumabe em combinação. Essa combinação é estudada no cenário de primeira linha do câncer de ovário avançado, especialmente em pacientes com deficiência de recombinação homóloga (DRH) ou mutação BRCA, com base em ensaios como o PAOLA-1. No entanto, o cenário da questão é de doença precoce (estádio II), onde não há indicação de manutenção, seja com um único agente ou com a combinação. A presença da mutação BRCA1 não justifica a manutenção em doença precoce.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Propõe manutenção com niraparibe por 3 anos. O niraparibe é um inibidor de PARP com indicação de manutenção em primeira linha para câncer de ovário avançado, independentemente do status de BRCA, e também em doença recorrente sensível à platina. A duração de 3 anos não corresponde ao esquema padrão de manutenção com niraparibe, que é de 36 meses (3 anos) em alguns estudos, mas o erro principal é a ausência de indicação em doença precoce (estádio II). A manutenção não é recomendada nesse cenário.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a presença da mutação BRCA1 para induzir o candidato a indicar manutenção com inibidor de PARP. No entanto, o fator decisivo é o estádio II (precoce): a manutenção é indicada apenas em doença avançada (III–IV) ou recorrente. Não confunda o benefício da manutenção em doença avançada com a ausência de indicação em doença precoce. O status de BRCA é relevante para escolher o agente quando a manutenção é indicada, mas não cria indicação onde ela não existe.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de oncologia ginecológica, sempre verifique o estádio antes de pensar em manutenção. A manutenção com inibidores de PARP ou bevacizumabe é regra para doença avançada ou recorrente, mas não para doença precoce (I–II) tratada com cirurgia e quimioterapia adjuvante. Memorize essa fronteira: estádio precoce = observação; estádio avançado ou recorrência = considerar manutenção.