Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2024
Português›Interpretação de Textos
Código
vu090249
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Mogi das Cruzes - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Sabendo-se que o poema foi publicado pela primeira vez em 1963, é correto afirmar que o eu lírico
Atrata a máquina como um antagonista do ser humano, que se tornará robotizado e dependente dela para o que precisar fazer.
Bantevê na máquina um engenho capaz de sobrepujar o ser humano, dando a ela estatuto de objeto de devoção.
Canuncia a máquina como uma ameaça à humanidade, que poderá ser condenada ao ostracismo e à insensibilidade.
Dpropõe que se use a máquina como força de produção capaz de prover as necessidades do homem, poupando-o de sofrer.
Ecelebra a invenção da máquina como meio de superar crises, em razão da possibilidade de mecanização de ações.
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GabaritoB — antevê na máquina um engenho capaz de sobrepujar o ser humano, dando a ela estatuto de objeto de devoção.
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Análise do poema "Ladainha" (Cassiano Ricardo, 1963)
Gabarito: letra B. O eu lírico antevê a máquina como capaz de superar o ser humano em múltiplas ações (raciocinar, mover-se, colher frutos, trabalhar, pensar, fazer poemas) e, no verso final, atribui-lhe um caráter de devoção: "Ó máquina, orai por nós". A estrutura de ladainha (súplica religiosa) é aplicada à máquina, ironizando a substituição do humano pelo mecânico e elevando a máquina a objeto de culto.
Comando: O enunciado pede uma afirmação correta sobre a visão do eu lírico no contexto de 1963. A resposta deve ser extraída do poema, considerando seu tom irônico e crítico.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A máquina não é tratada como antagonista (inimiga), mas como substituta que realiza as ações humanas. O texto não sugere robotização do homem, e sim que a máquina o substitui. O verso "A máquina o fará por nós" indica substituição, não antagonismo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O poema lista diversas ações humanas (raciocinar, labutar, pensar, fazer poemas) e afirma que "a máquina o fará por nós", mostrando superioridade. No último verso, "Ó máquina, orai por nós", o eu lírico parodia uma prece religiosa, dando à máquina estatuto de devoção. Isso configura "antever na máquina um engenho capaz de sobrepujar o ser humano, dando a ela estatuto de objeto de devoção".
Alternativa C — ❌ Incorreta
Embora a máquina substitua o humano, o texto não anuncia uma "ameaça" nem fala em "ostracismo" ou "insensibilidade". O tom é de questionamento irônico, não de condenação. A alternativa extrapola ao inserir um tom alarmista que o poema não sustenta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O poema não propõe o uso da máquina para "prover necessidades" ou "poupar sofrimento". As perguntas são retóricas e críticas, não propositivas. Não há menção a sofrimento ou necessidades básicas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Não há celebração nem menção a "superar crises". O poema é irônico, questionando a substituição do humano pela máquina, não celebrando sua invenção.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a dificuldade de distinguir ironia de ameaça literal (alternativa C) e de interpretar a repetição "a máquina o fará por nós" como proposta prática (alternativa D). A chave é notar o tom de ladainha e o verso final de devoção.