Questão de Fisioterapia — Fisioterapia em Pacientes de UTI — VUNESP 2025
Fisioterapia›Fisioterapia em Pacientes de UTI
Código
vu090776
Banca
VUNESP
Órgão
A.C. Camargo Cancer Center
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Multiprofissional - Fisioterapia
A relação ventilação-perfusão representa o equilíbrio necessário entre a quantidade de ar que chega aos alvéolos e o fluxo sanguíneo que passa pelos capilares pulmonares. O desequilíbrio dessa relação pode causar a hipoxemia, sendo o responsável pela maior parte, se não por toda, da hipoxemia encontrada na DPOC, na doença pulmonar parenquimatosa difusa e nas doenças vasculares, como a embolia pulmonar e a hipertensão arterial pulmonar.No caso de um paciente que se encontra na UTI, o exame mais prático que avalia a gravidade do desequilíbrio entre ventilação-perfusão é:
Aradiografia de tórax.
Bprova de função pulmonar.
Cparâmetros ventilatórios.
Dtomografia de pulmão.
Egasometria arterial.
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GabaritoE — gasometria arterial.
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Relação Ventilação-Perfusão e Avaliação da Hipoxemia na UTI
Gabarito: letra E. A gasometria arterial é o exame mais prático para avaliar a gravidade do desequilíbrio ventilação-perfusão (V/Q) na UTI, pois mede diretamente a PaO2, a PaCO2 e o pH, permitindo quantificar a hipoxemia e orientar a conduta. Os demais exames (radiografia, prova de função pulmonar, parâmetros ventilatórios e tomografia) avaliam aspectos estruturais ou funcionais, mas não quantificam diretamente a troca gasosa.
A relação ventilação-perfusão (V/Q) representa o equilíbrio entre a ventilação alveolar (ar que chega aos alvéolos) e a perfusão capilar (sangue que passa pelos capilares pulmonares). Em condições fisiológicas, essa relação é de aproximadamente 0,8, sendo ideal o valor de 1. Quando há desequilíbrio, ocorre hipoxemia, que é a redução da pressão parcial de oxigênio no sangue arterial (PaO2). Esse desequilíbrio é a principal causa de hipoxemia em doenças como DPOC, doença pulmonar parenquimatosa difusa, embolia pulmonar e hipertensão arterial pulmonar.
Os distúrbios da relação V/Q podem ser entendidos em dois extremos: o efeito espaço morto (alvéolos ventilados, mas não perfundidos) e o efeito shunt (alvéolos perfundidos, mas não ventilados). No efeito espaço morto, há áreas do pulmão que recebem ar, mas não recebem sangue, como ocorre na embolia pulmonar. No efeito shunt, há áreas que recebem sangue, mas não recebem ar, como na SDRA. Em ambos os casos, a troca gasosa é comprometida, levando à hipoxemia.
A gasometria arterial é o exame que avalia diretamente a gravidade desse desequilíbrio, pois mede a PaO2, a PaCO2, o pH e o bicarbonato. Na UTI, é um exame rápido, disponível à beira do leito e fundamental para o diagnóstico e acompanhamento da insuficiência respiratória. A partir da gasometria, é possível calcular o gradiente alvéolo-arterial de oxigênio (G(A-a)), que ajuda a diferenciar as causas de hipoxemia. Por exemplo, no distúrbio V/Q, a administração de oxigênio a 100% corrige a hipoxemia, enquanto no shunt a correção é menor ou ausente.
A radiografia de tórax e a tomografia computadorizada são exames de imagem que avaliam a estrutura pulmonar, mas não quantificam a troca gasosa. A prova de função pulmonar (espirometria) avalia volumes e capacidades pulmonares, sendo útil no diagnóstico de doenças obstrutivas e restritivas, mas não é um exame prático para avaliar a gravidade do desequilíbrio V/Q em um paciente crítico na UTI. Os parâmetros ventilatórios (como volume corrente, frequência respiratória e PEEP) são ajustes do ventilador mecânico, mas não medem diretamente a troca gasosa.
A pegadinha desta questão está em confundir exames que avaliam a estrutura ou a função pulmonar com o exame que avalia diretamente a troca gasosa. O aluno pode ser tentado a escolher a radiografia de tórax ou a tomografia, por serem exames comuns na UTI, mas a gasometria arterial é o exame que fornece a informação mais direta sobre a oxigenação e a ventilação. Guarde a fronteira: exames de imagem e função pulmonar avaliam a estrutura e a mecânica; a gasometria avalia o resultado funcional da troca gasosa.
Relação V/Q
1Equilíbrio (ideal ≈ 1)
Ventilação alveolar (ar)
Perfusão capilar (sangue)
2Desequilíbrio → hipoxemia
Efeito espaço morto (ventilado, não perfundido)
Ex.: embolia pulmonar
Efeito shunt (perfundido, não ventilado)
Ex.: SDRA
3Avaliação na UTI
Gasometria arterial (PaO2, PaCO2, pH)
Calcula gradiente alvéolo-arterial
Radiografia/tomografia (estrutura)
Espirometria (mecânica)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A radiografia de tórax é um exame de imagem que avalia a estrutura pulmonar, como infiltrados, consolidações, derrame pleural e hiperinsuflação. No entanto, não quantifica a troca gasosa nem a gravidade do desequilíbrio V/Q. Em estágios iniciais da DPOC, a radiografia pode até ser normal, como mencionado no contexto. Portanto, não é o exame mais prático para avaliar a gravidade do desequilíbrio V/Q.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A prova de função pulmonar (espirometria) avalia volumes e capacidades pulmonares, sendo útil no diagnóstico de doenças obstrutivas e restritivas, como a DPOC. No entanto, é um exame que exige colaboração do paciente e não é prático para pacientes críticos na UTI, além de não medir diretamente a troca gasosa. A espirometria avalia a mecânica ventilatória, não o desequilíbrio V/Q.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Os parâmetros ventilatórios (como volume corrente, frequência respiratória, PEEP e pressão de pico) são ajustes do ventilador mecânico que influenciam a ventilação, mas não medem diretamente a troca gasosa. Eles são importantes para a condução da ventilação mecânica, mas a avaliação da gravidade do desequilíbrio V/Q é feita pela gasometria arterial, que mostra o resultado desses ajustes na oxigenação e na ventilação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A tomografia computadorizada de pulmão é um exame de imagem de alta resolução que avalia detalhadamente o parênquima pulmonar, sendo útil para diagnosticar doenças parenquimatosas difusas, embolia pulmonar e outras condições. No entanto, não é um exame prático para avaliar a gravidade do desequilíbrio V/Q na UTI, pois exige transporte do paciente, é demorado e não quantifica a troca gasosa. A gasometria arterial é mais rápida e direta.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A gasometria arterial é o exame mais prático para avaliar a gravidade do desequilíbrio V/Q na UTI, pois mede diretamente a PaO2, a PaCO2, o pH e o bicarbonato. A PaO2 reflete a oxigenação arterial, que é diretamente afetada pelo desequilíbrio V/Q. A partir da gasometria, é possível calcular o gradiente alvéolo-arterial de oxigênio (G(A-a)), que ajuda a diferenciar as causas de hipoxemia. É um exame rápido, disponível à beira do leito e fundamental para o diagnóstico e acompanhamento da insuficiência respiratória.