Questão de Medicina — Intoxicações Exógenas — VUNESP 2025
Medicina›Intoxicações Exógenas
Código
vu090892
Banca
VUNESP
Órgão
A.C. Camargo Cancer Center
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Multiprofissional - Odontologia com Ênfase em Estomatologia
A poluição do ambiente tornou-se importante causa de doenças nos tempos modernos, em razão dos processos de industrialização e de urbanização, e da introdução de defensivos na agropecuária.“Sua toxicidade está relacionada com a alta afinidade que tem pela hemoglobina, com a qual se combina formando um composto, que se torna incapaz de transportar oxigênio e inibe a dissociação da oxi-hemoglobina nos tecidos. A consequência é hipóxia tecidual sistêmica, que provoca lesões degenerativas, edema e hemorragias por lesão endotelial, mais intensas e frequentes em órgãos mais sensíveis à hipóxia, como cérebro e coração; cefaleia, sintoma comum na intoxicação aguda, está relacionada com edema cerebral”.O texto refere-se a um dos principais poluentes do ar atmosférico, originados da queima dos combustíveis fósseis. Trata-se do
Anitrogênio.
Bargônio
Cdióxido de magnésio.
Doxalato de estanho.
Emonóxido de carbono.
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GabaritoE — monóxido de carbono.
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Intoxicação por monóxido de carbono
Gabarito: letra E. O texto descreve com precisão o mecanismo de toxicidade do monóxido de carbono (CO): sua alta afinidade pela hemoglobina (cerca de 300 vezes maior que a do oxigênio), formando a carboxiemoglobina, que não transporta O₂ e ainda inibe a dissociação da oxiemoglobina nos tecidos, causando hipóxia tecidual sistêmica — exatamente o quadro descrito. O CO é um dos principais poluentes atmosféricos originados da queima incompleta de combustíveis fósseis.
O monóxido de carbono é um gás incolor, inodoro e insípido, produzido pela combustão incompleta de materiais que contêm carbono, como gasolina, diesel, gás natural, carvão e madeira. Sua toxicidade decorre de três mecanismos principais: (1) ligação à hemoglobina com afinidade 200 a 300 vezes maior que a do oxigênio, formando a carboxiemoglobina (HbCO), que não transporta oxigênio; (2) inibição da dissociação da oxiemoglobina nos tecidos, deslocando a curva de dissociação da hemoglobina para a esquerda e agravando a hipóxia; e (3) ligação à mioglobina cardíaca e inibição da citocromo-oxidase, contribuindo para disfunção celular e estresse oxidativo.
As manifestações clínicas da intoxicação aguda variam com a concentração e o tempo de exposição. Nos casos leves a moderados, o sintoma mais comum é a cefaleia, frequentemente acompanhada de mal-estar, náuseas, vertigem, confusão mental e fraqueza. Nos casos graves, podem ocorrer síncope, convulsões, rebaixamento do nível de consciência, arritmias, acidose metabólica e coma. A isquemia miocárdica é comum nos casos graves e está associada a maior mortalidade. O diagnóstico é clínico, corroborado pelos níveis séricos de carboxiemoglobina, sendo que a oximetria de pulso não é útil, pois não diferencia a carboxiemoglobina da oxiemoglobina.
O tratamento baseia-se na oferta de oxigênio a 100% por máscara não reinalante, que reduz a meia-vida da carboxiemoglobina de 4-6 horas para 40-80 minutos. A oxigenoterapia hiperbárica está indicada em casos graves, como coma, alterações neurológicas, isquemia miocárdica, acidose metabólica persistente, níveis de HbCO > 25% (ou > 15% em gestantes) e sofrimento fetal. É importante lembrar que pacientes expostos ao monóxido de carbono podem estar intoxicados por cianeto concomitantemente, especialmente em incêndios.
A banca explora a confusão entre o monóxido de carbono e outros agentes que também causam hipóxia, como o cianeto (que inibe a citocromo-oxidase) e a metemoglobinemia (que altera a hemoglobina). No entanto, a descrição do texto — ligação à hemoglobina formando um composto incapaz de transportar oxigênio e inibição da dissociação da oxiemoglobina — é patognomônica do monóxido de carbono. As demais alternativas apresentam substâncias que não têm relação com esse mecanismo: nitrogênio e argônio são gases inertes que causam asfixia por deslocamento do oxigênio, mas não se ligam à hemoglobina; dióxido de magnésio e oxalato de estanho não são poluentes atmosféricos relevantes nem têm esse mecanismo de toxicidade.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O nitrogênio (N₂) é um gás inerte que compõe cerca de 78% da atmosfera. Em altas concentrações, pode causar asfixia por deslocamento do oxigênio, mas não se liga à hemoglobina nem forma um composto que iniba a dissociação da oxiemoglobina. O mecanismo descrito no texto é específico do monóxido de carbono.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O argônio (Ar) é um gás nobre, também inerte, presente em pequena quantidade na atmosfera. Assim como o nitrogênio, pode causar asfixia por deslocamento do oxigênio em ambientes confinados, mas não possui afinidade pela hemoglobina e não produz o quadro clínico descrito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O dióxido de magnésio (MgO₂) não é um poluente atmosférico relevante proveniente da queima de combustíveis fósseis. O magnésio é um metal que, quando queimado, forma óxido de magnésio (MgO), mas não há mecanismo de toxicidade que envolva ligação à hemoglobina como descrito no texto. A alternativa é um distrator sem fundamento químico ou toxicológico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O oxalato de estanho é um composto químico sem relevância como poluente atmosférico e sem relação com o mecanismo de toxicidade descrito. O estanho pode causar pneumoconiose (estanhose) por inalação de poeiras, mas não se liga à hemoglobina nem causa hipóxia tecidual por esse mecanismo. É um distrator claramente absurdo.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O monóxido de carbono (CO) é exatamente o poluente descrito. Ele se liga à hemoglobina com afinidade cerca de 300 vezes maior que a do oxigênio, formando a carboxiemoglobina, que não transporta O₂ e ainda inibe a dissociação da oxiemoglobina nos tecidos, causando hipóxia tecidual sistêmica. A cefaleia é o sintoma mais comum na intoxicação aguda, relacionada ao edema cerebral. O CO é um dos principais poluentes atmosféricos originados da queima incompleta de combustíveis fósseis, como em motores de veículos e processos industriais.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o monóxido de carbono e o cianeto, ambos causadores de hipóxia celular. No entanto, o cianeto atua inibindo a citocromo-oxidase mitocondrial, sem se ligar à hemoglobina. A descrição do texto — ligação à hemoglobina formando um composto que não transporta oxigênio e inibe a dissociação da oxiemoglobina — é exclusiva do monóxido de carbono. Fique atento a essa distinção, pois é clássica em provas de toxicologia.