Genética bacteriana: mecanismos de transferência e manipulação gênica
Gabarito: letra D. A complementação plasmidial é o único conceito descrito corretamente: introduzir um plasmídeo com gene funcional em uma cepa mutante para restaurar o fenótipo selvagem é exatamente o que define essa técnica. As demais alternativas trocam os mecanismos clássicos de transferência horizontal de genes (conjugação, transformação, transdução) e o conceito de mutagênese sítio-dirigida.
A genética bacteriana estuda como as bactérias trocam e manipulam seu material genético. Diferentemente dos eucariotos, as bactérias podem adquirir DNA de outras células ou do ambiente por três mecanismos principais de transferência horizontal de genes: conjugação, transformação e transdução. Esses processos permitem que características como resistência a antibióticos se espalhem rapidamente entre populações bacterianas, sem depender da divisão celular (transferência vertical).
Conjugação: transferência direta de DNA de uma bactéria doadora para uma receptora, mediada por contato célula-célula, geralmente através de um pili sexual (pili F). O DNA transferido é frequentemente um plasmídeo, como o fator F.
Transformação: captação de DNA livre do ambiente (liberado por lise celular) e sua incorporação ao genoma da bactéria receptora. É o mecanismo usado em laboratório para introduzir plasmídeos em bactérias.
Transdução: transferência de DNA bacteriano mediada por bacteriófagos (vírus que infectam bactérias). O fago pode carregar genes de uma bactéria para outra.
Além desses mecanismos naturais, existem técnicas de manipulação genética em laboratório. A mutagênese sítio-dirigida é uma técnica que introduz mutações em posições específicas do genoma, não aleatórias, utilizando recombinação homóloga ou outras ferramentas. Já a complementação é uma estratégia clássica para confirmar a função de um gene: se um plasmídeo contendo o gene funcional restaurar o fenótipo selvagem em uma cepa mutante, isso prova que a mutação era a causa do fenótipo alterado.
A pegadinha da questão está em inverter os conceitos: a banca troca as definições de conjugação, transformação e transdução, e também erra o alvo da mutagênese sítio-dirigida. Para acertar, é preciso dominar a definição exata de cada mecanismo e lembrar que a complementação é uma ferramenta de restauração fenotípica.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A descrição dada é de transformação, não de conjugação. A conjugação exige contato direto entre bactérias (via pili), enquanto a absorção passiva de DNA livre do meio é a definição de transformação. A alternativa inverte os dois mecanismos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A transferência de material genético mediada por fago é a transdução, não a transformação. A transformação envolve DNA livre, não fagos. A alternativa troca os conceitos de transformação e transdução.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A mutagênese sítio-dirigida introduz mutações em posições específicas do genoma, não aleatórias. A descrição de "posições aleatórias" corresponde à mutagênese por transposons ou por agentes químicos/radiação, não à técnica sítio-dirigida.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A complementação plasmidial é exatamente isso: introduzir um plasmídeo contendo o gene funcional em uma cepa mutante para restaurar o fenótipo selvagem. Essa técnica é usada para confirmar que uma mutação é responsável por um fenótipo observado, pois a restauração do fenótipo prova a função do gene.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A descrição de "complexos DNA-proteína que se ligam ao pili F" mistura elementos de conjugação (pili F) com transdução (DNA-proteína). A transdução é mediada por fagos, não por pili. A alternativa confunde os mecanismos.
Gabarito: letra D