Questão de Biomedicina - Análises Clínicas — Biologia Molecular em Biomedicina — VUNESP 2025
Biomedicina - Análises Clínicas›Biologia Molecular em Biomedicina
Código
vu091514
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Biotecnologia
Durante a investigação de um surto de diarreia em uma creche na cidade de São Paulo, pesquisadores identificaram, em amostras fecais, a presença de cepas de Escherichia coli enteropatogênicas (EPEC) portadoras do gene eae, por meio de reação em cadeia da polimerase (PCR). Esse gene codifica a proteína Intimina, um fator de virulência essencial para a adesão da bactéria às células intestinais do hospedeiro.Com base na situação apresentada e considerando a classificação de biomarcadores proposta pelo Food and Drug Administration (FDA) e pelo National Institutes of Health (NIH), é correto afirmar que o gene eae, quando detectado diretamente em amostras clínicas, é corretamente classificado como biomarcador
Adiagnóstico, pois indica a presença do patógeno e permite a confirmação da infecção.
Bdiagnóstico, pois é utilizado para prever a gravidade dos sintomas em infecções causadas por E. coli.
Cde suscetibilidade/risco, pois indica a predisposição dos indivíduos à infecção por E. coli, independentemente de apresentarem sintomas.
Dde predição, pois avalia a resposta do organismo à infecção por E. coli.
Ede monitoramento, pois é utilizado para acompanhar a progressão da infecção intestinal ao longo do tratamento.
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GabaritoA — diagnóstico, pois indica a presença do patógeno e permite a confirmação da infecção.
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Biomarcadores: classificação FDA/NIH e o gene eae
Gabarito: letra A. O gene eae, detectado diretamente em amostras clínicas por PCR, é um biomarcador diagnóstico, pois sua presença indica a existência do patógeno (E. coli EPEC) e permite confirmar a infecção. A classificação de biomarcadores proposta pelo FDA e NIH define o biomarcador diagnóstico como aquele utilizado para detectar ou confirmar a presença de uma doença ou condição, ou para identificar indivíduos com um subtipo da doença — exatamente o papel do gene eae no contexto apresentado.
A classificação de biomarcadores do FDA/NIH é um sistema que organiza os biomarcadores conforme sua aplicação clínica. Os principais tipos são: diagnóstico, de suscetibilidade/risco, de predição, de prognóstico e de monitoramento. Cada um responde a uma pergunta clínica diferente, e é essa distinção que a questão explora.
O biomarcador diagnóstico é aquele que detecta ou confirma a presença de uma doença ou condição clínica. No caso, a detecção do gene eae em amostras fecais por PCR identifica a presença da cepa EPEC, confirmando a infecção. É um marcador da própria doença/patógeno, não da predisposição, da resposta ao tratamento ou da evolução.
O biomarcador de suscetibilidade/risco indica a probabilidade de um indivíduo desenvolver uma doença, ou seja, uma predisposição genética ou adquirida. O biomarcador de predição avalia a probabilidade de resposta a uma intervenção terapêutica específica. O biomarcador de prognóstico informa sobre a evolução natural da doença, independentemente do tratamento. E o biomarcador de monitoramento é utilizado para acompanhar a progressão da doença ou a resposta ao tratamento ao longo do tempo.
A pegadinha da questão está em confundir o biomarcador diagnóstico com os demais tipos, especialmente com o de monitoramento e o de suscetibilidade/risco. O gene eae é um fator de virulência da bactéria, e sua detecção direta na amostra clínica serve para identificar a presença do patógeno, não para prever gravidade, avaliar resposta ao tratamento ou indicar predisposição do hospedeiro.
Guarde a fronteira entre os tipos de biomarcador: diagnóstico = presença da doença/patógeno; suscetibilidade/risco = predisposição; predição = resposta ao tratamento; prognóstico = evolução natural; monitoramento = acompanhamento ao longo do tempo. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Biomarcadores (FDA/NIH): Diagnóstico (Detecta/confirma doença ou patógeno, Gene eae → presença da EPEC); Suscetibilidade/risco (Predisposição do hospedeiro, Gene da bactéria, não do indivíduo); Predição (Resposta a intervenção terapêutica, Não avalia resposta à infecção); Prognóstico (Evolução natural da doença, Não prevê gravidade); Monitoramento (Acompanha progressão/tratamento, Não monitora evolução)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O gene eae, detectado diretamente em amostras clínicas por PCR, é um biomarcador diagnóstico, pois sua presença indica a existência do patógeno (E. coli EPEC) e permite confirmar a infecção. A definição de biomarcador diagnóstico do FDA/NIH é justamente a detecção ou confirmação de uma doença ou condição, o que se aplica perfeitamente ao caso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o gene eae é um biomarcador diagnóstico por prever a gravidade dos sintomas. Isso é um erro conceitual: prever a gravidade ou a evolução da doença é função do biomarcador prognóstico, não do diagnóstico. O gene eae confirma a presença da bactéria, mas não informa sobre a gravidade da infecção.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Classifica o gene eae como biomarcador de suscetibilidade/risco, indicando predisposição dos indivíduos à infecção. Isso está errado: o gene eae é um gene da bactéria, não do hospedeiro humano. Biomarcadores de suscetibilidade/risco avaliam a predisposição do indivíduo (fatores genéticos ou adquiridos do hospedeiro), não a presença do patógeno.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o gene eae é um biomarcador de predição, avaliando a resposta do organismo à infecção. Biomarcadores de predição são utilizados para prever a resposta a uma intervenção terapêutica específica, não para avaliar a resposta do organismo à infecção. O gene eae não tem essa função.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Classifica o gene eae como biomarcador de monitoramento, para acompanhar a progressão da infecção ao longo do tratamento. Biomarcadores de monitoramento são usados para acompanhar a evolução da doença ou a resposta ao tratamento. A detecção do gene eae em uma amostra clínica serve para confirmar a infecção, não para monitorar sua progressão.