Questão de Farmácia — Biologia Molecular e Biotecnologia — VUNESP 2025
Farmácia›Biologia Molecular e Biotecnologia
Código
vu091562
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Desenvolvimento de Plataformas de Vacina de Nova Geração
As vacinas recombinantes representam um avanço significativo na biotecnologia e na imunologia, utilizando tecnologias de DNA recombinante para expressar antígenos específicos que induzem resposta imune protetora. Assinale a alternativa correta acerca do desenvolvimento e funcionamento dessas vacinas.
AUtilizam sempre vírus inteiros atenuados para estimular a resposta imunológica.
BSão incapazes de induzir imunidade celular, dependendo exclusivamente da resposta humoral.
CPodem utilizar vetores virais modificados para introduzir genes que codificam antígenos de interesse para indução da resposta imune.
DRequerem obrigatoriamente a administração de adjuvantes para se tornarem eficazes.
ENão podem ser adaptados rapidamente para responder a novas variantes de patógenos emergentes.
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GabaritoC — Podem utilizar vetores virais modificados para introduzir genes que codificam antígenos de interesse para indução da resposta imune.
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Vacinas recombinantes: princípios e aplicações
Gabarito: letra C. As vacinas recombinantes podem, de fato, utilizar vetores virais modificados para introduzir genes que codificam antígenos de interesse, induzindo resposta imune — essa é a essência da tecnologia de DNA recombinante aplicada à vacinologia. As demais alternativas apresentam erros conceituais: nem sempre usam vírus inteiros atenuados, não dependem exclusivamente da resposta humoral, não requerem obrigatoriamente adjuvantes e podem sim ser adaptadas rapidamente a novas variantes.
Para entender por que a letra C é a correta, é preciso compreender o que são vacinas recombinantes. Elas representam uma estratégia de imunização ativa em que proteínas do patógeno são produzidas em células de bactérias, leveduras, insetos, mamíferos ou plantas, por meio da tecnologia recombinante de DNA, sendo posteriormente purificadas para inoculação em indivíduos saudáveis. Diferentemente das vacinas atenuadas (que usam microrganismos com patogenicidade atenuada) e das inativadas (que usam microrganismos mortos por agentes químicos ou físicos), as vacinas recombinantes não contêm o material genético completo do patógeno — apenas o gene que codifica o antígeno de interesse, inserido em um vetor de expressão.
A tecnologia de DNA recombinante é a base desse processo. Ela envolve o uso de enzimas de restrição para cortar o DNA em locais específicos e de DNA ligases para unir segmentos de DNA de diferentes origens, formando uma molécula de DNA recombinante. No contexto vacinal, o gene que codifica o antígeno (por exemplo, a proteína HBsAg da hepatite B ou a proteína L1 do HPV) é inserido em um vetor — que pode ser um plasmídeo bacteriano, um vírus modificado ou uma célula eucariótica — que passa a expressar o antígeno em larga escala. Esse antígeno purificado é então utilizado na formulação da vacina.
Os vetores virais modificados são uma das abordagens mais promissoras. Vírus como o vaccinia (VACV), adenovírus e o modified vaccinia virus Ankara (MVA) podem ser geneticamente modificados para carregar e expressar genes de antígenos de patógenos de interesse. Esses vetores têm a capacidade de infectar células humanas e induzir tanto resposta humoral (produção de anticorpos) quanto resposta celular (ativação de linfócitos T citotóxicos), o que é uma vantagem significativa. A segurança é aumentada porque os vetores são atenuados ou modificados para não causarem doença, e a expressão do antígeno ocorre no contexto da infecção, mimetizando uma infecção natural sem os riscos associados ao patógeno completo.
Um exemplo concreto: a vacina contra a hepatite B é produzida pela expressão do antígeno de superfície HBsAg em leveduras (Saccharomyces cerevisiae) ou células de mamíferos, sem utilizar o vírus inteiro. Já as vacinas de vetor viral, como as desenvolvidas contra a COVID-19 (por exemplo, as que usam adenovírus modificados), inserem o gene da proteína Spike do SARS-CoV-2 em um adenovírus não replicante, que entrega o gene às células humanas para produção do antígeno e indução da resposta imune. Essa abordagem permite adaptação rápida a novas variantes, pois basta trocar o gene inserido no vetor.
A distinção crucial que a banca explora é entre os tipos de vacinas: atenuadas (vírus inteiro atenuado), inativadas (vírus inteiro morto), recombinantes (apenas antígenos produzidos por engenharia genética) e de vetor viral (vírus modificado carregando gene de antígeno). As vacinas recombinantes e de vetor viral são mais seguras porque não há risco de reversão de virulência, e podem induzir resposta imune mais completa, incluindo a celular. A pegadinha está em generalizar características de um tipo para todos os outros — por exemplo, afirmar que todas usam vírus atenuados ou que todas dependem de adjuvantes.
Guarde a fronteira entre os tipos de vacinas e suas características: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A letra C descreve corretamente uma das principais estratégias das vacinas recombinantes — o uso de vetores virais modificados para entregar genes de antígenos — enquanto as demais cometem erros de generalização ou negação de capacidades que essas vacinas possuem.
Vacinas recombinantes
1Tecnologia
DNA recombinante
Expressão de antígeno específico
2Estratégias
Vetores virais modificados
Vaccinia (VACV)
Adenovírus
MVA
Plasmídeos bacterianos
Células eucarióticas
3Resposta imune
Humoral (anticorpos)
Celular (linfócitos T citotóxicos)
4Vantagens
Segurança (sem reversão de virulência)
Adaptação rápida a novas variantes
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que as vacinas recombinantes "utilizam sempre vírus inteiros atenuados". Isso é incorreto: as vacinas recombinantes não utilizam vírus inteiros, mas sim apenas antígenos específicos produzidos por engenharia genética. O uso de vírus inteiros atenuados é característico das vacinas atenuadas (como sarampo, rubéola, caxumba e varicela), não das recombinantes. A palavra "sempre" também é um exagero, pois existem diferentes estratégias recombinantes, incluindo a produção de antígenos em leveduras ou células de mamíferos sem qualquer vírus envolvido.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que as vacinas recombinantes "são incapazes de induzir imunidade celular, dependendo exclusivamente da resposta humoral". Isso é falso: as vacinas recombinantes, especialmente as que utilizam vetores virais, podem induzir tanto resposta humoral quanto resposta celular. O texto de apoio menciona que vetores como o VACV têm "habilidade em induzir resposta humoral e células T citotóxicas contra o antígeno vacinal". A indução de imunidade celular é uma das vantagens dessas vacinas, não uma limitação.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que as vacinas recombinantes "podem utilizar vetores virais modificados para introduzir genes que codificam antígenos de interesse para indução da resposta imune". Isso está correto e descreve precisamente uma das principais estratégias da tecnologia recombinante. O texto de apoio confirma que vetores virais como vaccinia e adenovírus são utilizados para "introduzir genes de antígenos vacinais", e que esses vetores induzem resposta imune humoral e celular. A palavra "podem" é adequada, pois nem todas as vacinas recombinantes usam vetores virais — algumas usam plasmídeos bacterianos ou células eucarióticas — mas essa é uma possibilidade real e importante.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que as vacinas recombinantes "requerem obrigatoriamente a administração de adjuvantes para se tornarem eficazes". Isso é incorreto: embora adjuvantes sejam frequentemente usados para potencializar a resposta imune, não são obrigatórios para todas as vacinas recombinantes. O texto de apoio menciona que o BCG, por exemplo, foi usado como adjuvante em algumas vacinas, mas isso não significa que todas as recombinantes dependam de adjuvantes. A necessidade de adjuvante varia conforme a formulação e o antígeno utilizado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que as vacinas recombinantes "não podem ser adaptados rapidamente para responder a novas variantes de patógenos emergentes". Isso é falso: uma das grandes vantagens das vacinas recombinantes é justamente a rapidez com que podem ser adaptadas a novas variantes. Como o texto de apoio menciona, "a alta variabilidade demanda que a vacina tenha periodicidade anual e necessite de atualização constante", e as vacinas recombinantes permitem essa atualização rápida, pois basta modificar o gene inserido no vetor para produzir um novo antígeno. O exemplo das vacinas de mRNA e de vetor viral contra a COVID-19 demonstra essa capacidade de adaptação rápida.