Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — VUNESP 2025
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
vu091695
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Formulação de Produtos Biológicos
As novas plataformas de entrega de vacinas contemplam a via intradérmica, portanto essa via é possível no ponto de vista imunológico, devido a
Amaior capacidade de imunogenicidade presentes nas células de Langerhans epidérmicas.
Bmenor capacidade de imunogenicidade melhorando a segurança da vacina e ausência de células dendríticas.
Cestudos clínicos bem definidos e completos não necessitando de avaliação imunológica.
Dinexistência de células imunológicas na via intradérmica, sendo o grande desafio em encontrar adjuvantes eficazes.
Epresença de células de Merkel que funcionam como células apresentadoras de antígenos, capturando antígenos na epiderme e migrando para os linfonodos.
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GabaritoA — maior capacidade de imunogenicidade presentes nas células de Langerhans epidérmicas.
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Imunologia da via intradérmica na vacinação
Gabarito: letra A. A via intradérmica é imunologicamente viável porque a epiderme é rica em células de Langerhans, que são células dendríticas especializadas com alta capacidade de capturar, processar e apresentar antígenos, iniciando a resposta imune adaptativa. As demais alternativas erram ao negar a presença de células imunológicas na derme ou ao atribuir função apresentadora de antígenos a células de Merkel.
A pele é um órgão de interface com o ambiente externo e, por isso, é densamente povoada por células do sistema imune. Na epiderme, as principais células apresentadoras de antígenos (APCs) são as células de Langerhans, que pertencem à linhagem das células dendríticas. Essas células possuem prolongamentos dendríticos que capturam antígenos que atravessam a barreira cutânea, processam-nos e migram para os linfonodos regionais, onde apresentam os peptídeos antigênicos aos linfócitos T, via moléculas de MHC classe II, iniciando a resposta imune adaptativa. Essa capacidade de apresentação antigênica é o que torna a via intradérmica uma rota de administração vacinal eficaz, pois a vacina depositada na derme encontra diretamente essas células imunológicas competentes.
A via intradérmica é utilizada para vacinas como a BCG e a raiva, e a justificativa imunológica é exatamente a presença dessas células dendríticas na pele. A resposta imune gerada é robusta, com ativação de linfócitos T e B, e pode permitir a utilização de doses menores de antígeno, mantendo a imunogenicidade. A segurança da via também é favorecida, pois a derme é um tecido com boa vascularização e drenagem linfática, facilitando a apresentação antigênica e a migração das células para os órgãos linfoides.
É importante distinguir as células de Langerhans das células de Merkel. As células de Merkel são células mecanorreceptoras, associadas à sensibilidade tátil, e não têm função imunológica de apresentação de antígenos. Já as células de Langerhans são APCs profissionais, com alta expressão de MHC classe II e moléculas coestimuladoras, sendo essenciais para a ativação inicial dos linfócitos T. Essa distinção é um clássico ponto de confusão em provas, e a banca explora exatamente essa troca.
A pegadinha central desta questão é a inversão de papéis entre células de Langerhans e células de Merkel, além da negação da presença de células imunológicas na derme. O candidato que não domina a histologia e a imunologia da pele pode ser induzido a erro pelas alternativas que afirmam a ausência de células dendríticas ou a inexistência de células imunológicas na via intradérmica. A compreensão de que a pele é um órgão imunologicamente ativo, com APCs profissionais, é o critério decisivo para separar a alternativa correta das demais.
Célula
Função imunológica
Localização principal
Papel na via intradérmica
Células de Langerhans
Células apresentadoras de antígenos (APCs) profissionais
Epiderme
Capturam, processam e apresentam antígenos aos linfócitos T (MHC classe II) — base da imunogenicidade da via
Células de Merkel
Mecanorreceptoras (sensibilidade tátil)
Epiderme
Nenhuma — não apresentam antígenos (pegadinha da alternativa E)
Células da epiderme
1Células de Langerhans
APCs profissionais
Alta imunogenicidade
Capturam e apresentam antígenos
2Células de Merkel
Mecanorreceptoras (tato)
Sem função imunológica
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que a via intradérmica é possível devido à maior capacidade de imunogenicidade das células de Langerhans epidérmicas. Essas células são APCs profissionais, com alta expressão de MHC classe II, que capturam antígenos na pele e migram para linfonodos, ativando linfócitos T. Essa é a base imunológica da eficácia da via intradérmica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que há menor capacidade de imunogenicidade e ausência de células dendríticas na via intradérmica. Na verdade, a derme e a epiderme são ricas em células dendríticas, especialmente as células de Langerhans, que conferem alta imunogenicidade à via. A segurança da vacina não está relacionada à ausência de células imunológicas, mas sim à formulação e à via de administração.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que estudos clínicos bem definidos e completos não necessitam de avaliação imunológica. Toda vacina, independentemente da via de administração, passa por rigorosa avaliação imunológica para garantir sua eficácia e segurança. A via intradérmica é estudada justamente por seu potencial imunológico, e não pela dispensa dessa avaliação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que não existem células imunológicas na via intradérmica. A pele é um órgão imunologicamente ativo, com presença de células de Langerhans, células dendríticas dérmicas, macrófagos e linfócitos. A via intradérmica é viável justamente pela presença dessas células, e não pela sua ausência. O desafio de encontrar adjuvantes eficazes não se deve à inexistência de células imunológicas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao atribuir função de células apresentadoras de antígenos às células de Merkel. As células de Merkel são mecanorreceptores, responsáveis pela sensibilidade tátil, e não têm função imunológica. As APCs da epiderme são as células de Langerhans, que capturam antígenos e migram para os linfonodos. A troca de células de Langerhans por células de Merkel é a pegadinha clássica desta questão.