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Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — VUNESP 2025

MedicinaEnvenenamentos e Acidentes
Código
vu091745
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Toxinologia
A síndrome de extravasamento capilar sistêmico (SCES) é uma complicação rara, mas grave, associada a picadas de alguns animais peçonhentos. Qual dos seguintes mecanismos fisiopatológicos está mais diretamente envolvido no desenvolvimento dessa síndrome?
  1. AAumento significativo da permeabilidade endotelial, causando extravasamento de plasma para o espaço intersticial e choque hipovolêmico.
  2. BAtivação maciça da cascata de coagulação, resultando em trombose microvascular disseminada.
  3. CBloqueio generalizado dos canais de sódio voltagem-dependentes, levando à disfunção nervosa autonômica.
  4. DLiberação descontrolada de catecolaminas, levando a arritmias cardíacas e disfunção miocárdica.
  5. ELesão direta das células renais pelas toxinas, resultando em insuficiência renal aguda oligúrica.
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GabaritoA — Aumento significativo da permeabilidade endotelial, causando extravasamento de plasma para o espaço intersticial e choque hipovolêmico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de extravasamento capilar sistêmico (SCES) em acidentes com animais peçonhentos

Gabarito: letra A. A SCES é consequência direta do aumento da permeabilidade endotelial, que permite o extravasamento de plasma para o espaço intersticial, levando a hipovolemia e choque. Esse mecanismo é o que define a síndrome, sendo a alternativa A a que corretamente descreve sua fisiopatologia central.

A síndrome de extravasamento capilar sistêmico (SCES), também conhecida como doença de Clarkson, é uma condição rara e potencialmente fatal caracterizada por episódios agudos e recorrentes de hipotensão severa, edema e hemoconcentração. A causa fundamental é uma disfunção transitória e maciça do endotélio capilar, que perde sua capacidade de barreira seletiva. Essa perda de integridade permite que proteínas plasmáticas e água migrem do compartimento intravascular para o interstício, resultando em hipovolemia, hemoconcentração e, nos casos graves, choque hipovolêmico e falência de múltiplos órgãos.

Embora a SCES seja mais conhecida como uma condição idiopática, ela pode ser desencadeada por diversos fatores, incluindo infecções, neoplasias e, em alguns casos, por toxinas de animais peçonhentos. No contexto de envenenamentos, certas toxinas, como as encontradas em venenos de algumas serpentes e aranhas, podem atuar diretamente sobre o endotélio vascular, aumentando sua permeabilidade. Esse é o mecanismo fisiopatológico central que conecta a picada do animal à síndrome.

Para entender a questão, é crucial distinguir a SCES de outras complicações sistêmicas que podem ocorrer em acidentes com animais peçonhentos. Por exemplo, a ativação da cascata de coagulação (alternativa B) é um mecanismo importante em acidentes botrópicos, levando a coagulopatia e hemorragias, mas não é o mecanismo primário da SCES. Da mesma forma, o bloqueio de canais de sódio (alternativa C) é típico de toxinas de escorpiões e peixes, causando disfunção neurológica e autonômica, mas não é o mecanismo da SCES. A liberação de catecolaminas (alternativa D) pode ocorrer em escorpionismo, levando a efeitos cardiovasculares, mas não é o mecanismo da SCES. A lesão renal direta (alternativa E) é uma complicação de alguns envenenamentos, como o crotálico, mas não é o mecanismo da SCES.

A pegadinha da questão está em associar a SCES a outros mecanismos fisiopatológicos de envenenamentos, que são igualmente graves, mas não são a causa da síndrome. O candidato que conhece os mecanismos de cada tipo de acidente pode se confundir, mas a SCES tem uma assinatura fisiopatológica única: a disfunção endotelial com extravasamento de plasma.

SCES (extravasamento capilar)
  • 1Mecanismo central
    • Aumento da permeabilidade endotelial
    • Extravasamento de plasma ao interstício
    • Hipovolemia e choque
  • 2Outros mecanismos (não são SCES)
    • Coagulopatia (botrópico)
    • Bloqueio de canais de Na+ (escorpião/peixes)
    • Liberação de catecolaminas (escorpionismo)
    • Lesão renal direta (crotálico)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa descreve com precisão o mecanismo central da SCES. O aumento da permeabilidade endotelial é o evento primário, permitindo que o plasma extravase para o espaço intersticial. Isso resulta em hipovolemia, hemoconcentração e, nos casos graves, choque hipovolêmico. A alternativa está correta porque captura a essência da síndrome: a perda de fluido do compartimento intravascular para o interstício devido à disfunção da barreira endotelial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A ativação maciça da cascata de coagulação com trombose microvascular disseminada é uma complicação de alguns envenenamentos, como o botrópico, mas não é o mecanismo da SCES. Na SCES, o problema é a permeabilidade vascular, não a coagulação. A coagulopatia pode coexistir em alguns casos, mas não é o mecanismo fisiopatológico primário da síndrome.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O bloqueio de canais de sódio voltagem-dependentes é um mecanismo típico de toxinas de escorpiões e de alguns peixes, levando a disfunção neurológica e autonômica. Embora possa causar manifestações sistêmicas graves, não é o mecanismo da SCES, que é caracterizada por extravasamento de plasma, não por disfunção neuronal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A liberação descontrolada de catecolaminas é um mecanismo observado no escorpionismo, especialmente em casos graves, levando a arritmias e disfunção miocárdica. No entanto, esse não é o mecanismo da SCES, que é mediada por alterações na permeabilidade endotelial, não por tempestade adrenérgica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A lesão renal direta pelas toxinas é uma complicação de alguns envenenamentos, como o crotálico, que pode causar insuficiência renal aguda. No entanto, a SCES não é causada por lesão renal direta, mas sim por extravasamento de plasma devido ao aumento da permeabilidade endotelial. A insuficiência renal pode ocorrer como consequência do choque, mas não é o mecanismo primário.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os mecanismos fisiopatológicos de diferentes acidentes com animais peçonhentos. O candidato que memoriza que o escorpionismo causa liberação de catecolaminas, que o botrópico causa coagulopatia e que o crotálico causa lesão renal pode ser tentado a escolher essas alternativas. No entanto, a SCES tem um mecanismo único: a disfunção endotelial com extravasamento de plasma. Lembre-se: a SCES é uma síndrome de "vaso que vaza", não de coagulação, neurotoxicidade ou lesão de órgão-alvo.

Gabarito: letra A

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