Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — VUNESP 2025
Medicina›Envenenamentos e Acidentes
Código
vu091751
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Toxinologia
Qual componente do veneno de serpentes é responsável por destruir músculos (miotoxicidade) causando rabdomiólise e ocasionar mioglobinúria?
AFosfolipase A₂ .
BSerinoprotease.
CMetaloproteinase.
DNeurotoxina.
EHemotoxina.
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GabaritoA — Fosfolipase A₂ .
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Veneno de serpentes: miotoxicidade e rabdomiólise
Gabarito: letra A. A fosfolipase A₂ é o componente do veneno de serpentes responsável pela miotoxicidade, causando destruição das fibras musculares (rabdomiólise) e liberação de mioglobina na urina (mioglobinúria). Esse mecanismo é característico do veneno crotálico, cuja principal toxina, a crotoxina, possui uma subunidade de fosfolipase A₂.
A miotoxicidade é um dos principais mecanismos de ação dos venenos de serpentes, especialmente do gênero Crotalus (cascavel). Quando a fosfolipase A₂ age sobre as membranas das células musculares, ocorre lise celular, liberando o conteúdo intracelular, incluindo a mioglobina, na corrente sanguínea. A mioglobina, por sua vez, é filtrada pelos rins e excretada na urina, conferindo a ela uma coloração avermelhada ou acastanhada, quadro conhecido como mioglobinúria. Essa condição pode evoluir para insuficiência renal aguda, uma das complicações mais graves dos acidentes crotálicos.
O veneno crotálico é composto por diversas toxinas, sendo a crotoxina a mais importante. Ela é formada por duas subunidades: uma fosfolipase A₂ e uma crotapotina. A fosfolipase A₂ é a fração responsável pela atividade miotóxica, enquanto a crotapotina potencializa a ação neurotóxica. Além da crotoxina, outras toxinas como a crotamina também contribuem para a mionecrose. A ação miotóxica se manifesta clinicamente por mialgia intensa, fraqueza muscular e urina escura, e laboratorialmente por elevação de CK, LDH, TGO e TGP.
É importante distinguir a miotoxicidade da neurotoxicidade, que é outra ação importante do veneno crotálico. Enquanto a miotoxicidade afeta diretamente as fibras musculares, a neurotoxicidade atua na junção neuromuscular, bloqueando a liberação de neurotransmissores e causando paralisia. No acidente crotálico, ambas as ações estão presentes, mas a neurotóxica é a mais evidente clinicamente, manifestando-se com ptose palpebral, visão turva e oftalmoplegia. A miotoxicidade, por sua vez, é a principal responsável pela rabdomiólise e suas complicações renais.
A banca explora a confusão entre os diferentes componentes do veneno e suas respectivas ações. A fosfolipase A₂ é especificamente miotóxica, enquanto as serinoproteases e metaloproteinases têm ação proteolítica e hemorrágica, e as neurotoxinas atuam no sistema nervoso. A hemotoxina, por sua vez, é um termo genérico que pode englobar diversas toxinas com ação sobre o sangue, mas não é o termo específico para a miotoxicidade. Guarde essa distinção: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Veneno de serpentes: Fosfolipase A₂ (Miotoxicidade (rabdomiólise), Mioglobinúria); Serinoprotease (Ação proteolítica, Hemorrágica/edematogênica); Metaloproteinase (Degrada matriz extracelular, Hemorrágica); Neurotoxina (Bloqueia junção neuromuscular, Paralisia); Hemotoxina (Termo genérico, Ação sobre o sangue)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A fosfolipase A₂ é o componente do veneno de serpentes diretamente responsável pela miotoxicidade. Ela age clivando os fosfolipídeos das membranas das células musculares, levando à lise celular e à liberação de mioglobina. No veneno crotálico, a crotoxina, que contém uma subunidade de fosfolipase A₂, é a principal toxina envolvida nesse processo. A mioglobinúria resultante é um marcador clínico importante da rabdomiólise e um fator de risco para o desenvolvimento de insuficiência renal aguda.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A serinoprotease é uma enzima proteolítica que atua na degradação de proteínas, contribuindo para a ação hemorrágica e edematogênica do veneno, mas não é o principal agente da miotoxicidade. Ela está mais relacionada aos efeitos locais e sistêmicos de outros tipos de acidente ofídico, como o botrópico, e não à destruição das fibras musculares.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A metaloproteinase é outra enzima proteolítica, responsável pela degradação da matriz extracelular e pela ação hemorrágica do veneno. Ela causa dano tecidual local e sistêmico, mas não é o componente que desencadeia a rabdomiólise. A miotoxicidade é uma ação específica da fosfolipase A₂, não das metaloproteinases.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A neurotoxina é o componente do veneno que atua no sistema nervoso, bloqueando a transmissão neuromuscular e causando paralisia. No acidente crotálico, a neurotoxina é responsável pela fácies miastênica, ptose palpebral e insuficiência respiratória, mas não pela destruição das fibras musculares. A miotoxicidade é uma ação distinta, mediada pela fosfolipase A₂.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O termo hemotoxina é genérico e se refere a toxinas que afetam o sangue, como as que causam hemorragia ou coagulopatia. Embora o veneno crotálico também tenha ação coagulante, a miotoxicidade não é uma ação hemotóxica. A destruição muscular é causada especificamente pela fosfolipase A₂, não por uma hemotoxina.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os diferentes componentes do veneno e suas ações. O candidato pode associar a miotoxicidade a uma ação genérica de "destruição tecidual" e marcar serinoprotease ou metaloproteinase, mas a miotoxicidade é uma ação específica da fosfolipase A₂. Lembre-se: a fosfolipase A₂ é a chave para a rabdomiólise e a mioglobinúria.
PEGA ESSA DICA!
Para acidentes crotálicos, memorize a tríade: neurotoxicidade (fosfolipase A₂ + crotapotina), miotoxicidade (fosfolipase A₂) e coagulopatia. A fosfolipase A₂ é o componente central da miotoxicidade, e a mioglobinúria é o sinal clínico que indica rabdomiólise.