Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Toxinologia
Assinale a alternativa que apresenta os principais riscos no agravamento do quadro clínico de um acidente causado por uma lagarta do gênero Lonomia.
ADistúrbios de coagulação e risco de hemorragias.
BParalisia muscular progressiva e flácida.
CSalivação excessiva e edema pulmonar.
DReação alérgica grave (anafilaxia) e necrose cutânea.
EArritmias cardíacas fatais.
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GabaritoA — Distúrbios de coagulação e risco de hemorragias.
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Erucismo por Lonomia: síndrome hemorrágica
Gabarito: letra A. O acidente causado por lagartas do gênero Lonomia (erucismo) tem como principal risco o desenvolvimento de distúrbios de coagulação e hemorragias, devido à ação do veneno que desencadeia uma coagulopatia consumptiva. As demais alternativas descrevem quadros de outros acidentes ou envenenamentos, não sendo características do lonomismo.
O erucismo é o acidente causado pela penetração de cerdas (pelos) de lagartas, a fase larval de mariposas da ordem Lepidoptera. No Brasil, duas famílias têm importância médica: Megalopygidae e Saturniidae. A família Megalopygidae (lagartas "cabeludas") causa dor intensa e edema local, mas sem repercussões sistêmicas. Já a família Saturniidae, cujo principal representante é a Lonomia obliqua, possui cerdas em formato de pinheiros e hábito gregário, formando colônias em troncos de árvores. O veneno da Lonomia é composto por fosfolipase A2, serino-proteases, achelase e lonomina, e ao contato com a pele desencadeia uma coagulopatia consumptiva, ou seja, um consumo dos fatores de coagulação, levando a sangramentos e hemorragias.
O quadro clínico local inclui dor em queimação, irradiação, eritema, edema e adenomegalia dolorosa, que regridem em 24 horas. Sistemicamente, podem ocorrer queixas inespecíficas como cefaleia, mal-estar, náuseas e dor abdominal, além de sangramentos como gengivorragia, equimoses, epistaxe, hematúria, hematêmese e hemoptise. Acidentes graves evoluem com insuficiência renal aguda e hemorragia intracraniana. Metade dos pacientes expostos ao veneno apresenta distúrbio na coagulação sanguínea, com ou sem hemorragia. A reversão das alterações de exames de coagulação ocorre após 24 horas da administração do antiveneno específico (soro antilonômico).
É importante distinguir o lonomismo de outros acidentes por animais peçonhentos. Por exemplo, o acidente crotálico (cascavel) causa manifestações neurológicas como turvação visual, diplopia, ptose palpebral e insuficiência respiratória, além de mialgia e colúria por rabdomiólise. Já o acidente escorpiônico pode causar manifestações autonômicas, com liberação de neurotransmissores adrenérgicos e colinérgicos, levando a salivação, sudorese e, em casos graves, edema pulmonar. A reação alérgica grave (anafilaxia) e a necrose cutânea são mais associadas a picadas de himenópteros (abelhas e vespas) e ao loxoscelismo (aranha marrom), respectivamente. A paralisia muscular progressiva e flácida é característica do acidente elapídico (coral verdadeira).
A pegadinha da banca está em associar o lonomismo a quadros que não lhe são típicos, como paralisia muscular, salivação excessiva, anafilaxia ou arritmias. O candidato deve lembrar que o veneno da Lonomia age principalmente na cascata de coagulação, causando hemorragias. Guarde a fronteira entre o lonomismo (distúrbio de coagulação) e os demais acidentes (neurológico, autonômico, alérgico): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Erucismo (Lonomia)
1Mecanismo
Coagulopatia consumptiva
Consome fatores de coagulação
2Quadro clínico
Local: dor, eritema, edema
Sistêmico: sangramentos
Gengivorragia, epistaxe
Hematúria, hematêmese
Grave: IRA, hemorragia intracraniana
3Tratamento
Soro antilonômico
Reversão em 24h
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa correta descreve com precisão o principal risco do acidente por Lonomia: distúrbios de coagulação e risco de hemorragias. O veneno da lagarta causa uma coagulopatia consumptiva, levando a sangramentos que podem ser graves, como hemorragia intracraniana e insuficiência renal aguda. Metade dos pacientes expostos apresenta distúrbio na coagulação sanguínea, com ou sem hemorragia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A paralisia muscular progressiva e flácida é característica do acidente elapídico (coral verdadeira) e, em parte, do crotálico (cascavel), que cursam com manifestações neurológicas como ptose palpebral, turvação visual e insuficiência respiratória. No lonomismo, o quadro é hemorrágico, não neuromuscular.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Salivação excessiva e edema pulmonar são manifestações do acidente escorpiônico grave, devido à liberação maciça de neurotransmissores adrenérgicos e colinérgicos pelo veneno. No acidente por Lonomia, o quadro é de sangramento, não de hipersecreção ou edema pulmonar.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A reação alérgica grave (anafilaxia) é típica de picadas de himenópteros (abelhas e vespas), enquanto a necrose cutânea é característica do loxoscelismo (aranha marrom). No lonomismo, a necrose cutânea é rara, e a anafilaxia não é o mecanismo principal do envenenamento, que é a coagulopatia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Arritmias cardíacas fatais não são uma manifestação descrita do acidente por Lonomia. O veneno atua na cascata de coagulação, causando hemorragias, e não tem efeito direto sobre o sistema de condução cardíaco. Arritmias podem ocorrer em outros envenenamentos, como o escorpiônico, mas não são o risco principal do lonomismo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os diferentes acidentes por animais peçonhentos. O candidato pode associar o lonomismo a quadros de outros envenenamentos, como paralisia (coral), salivação (escorpião) ou anafilaxia (abelha). A chave é lembrar que o veneno da Lonomia age na coagulação, causando hemorragias — o que torna a letra A a única correta.
PEGA ESSA DICA!
Para acertar questões sobre acidentes por animais peçonhentos, monte uma tabela mental com os principais gêneros e seus quadros clínicos: Bothrops (hemorrágico), Crotalus (neurológico e rabdomiólise), Lachesis (autonômico), Micrurus (neurológico), Lonomia (hemorrágico), escorpião (autonômico), aranha marrom (necrose) e abelha (anafilaxia). Isso permite identificar rapidamente o agente causador pelo quadro clínico apresentado.