Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — VUNESP 2025
Medicina›Envenenamentos e Acidentes
Código
vu091757
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Toxinologia
O tratamento de emergência para intoxicações causadas por peçonha de aracnídeos específicos, como _______, que pode levar a manifestações como dor intensa no local da picada, suores e, em casos graves, problemas cardiovasculares, é realizado com a administração de um soro.Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna do texto.
Acobras corais-verdadeiras
Baranhas-marrons
Cescorpiões
Dabelhas
Elagartas do gênero lonomia
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GabaritoC — escorpiões
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Escorpionismo: quadro clínico e soroterapia
Gabarito: letra C. O escorpionismo — acidente causado por escorpiões do gênero Tityus — é o quadro que cursa com dor intensa no local da picada, sudorese e, nos casos graves, manifestações cardiovasculares, sendo tratado com soro antiescorpiônico (ou antiaracnídico). As demais alternativas ou não têm soro específico (abelhas), ou apresentam quadros clínicos distintos (aranha-marrom com necrose, lagartas com hemorragia, cobras corais com paralisia).
O escorpionismo é um dos acidentes por animais peçonhentos de maior relevância no Brasil, causado principalmente pelo gênero Tityus, com destaque para o Tityus serrulatus (escorpião-amarelo), considerado o acidente mais grave por sua ação neurotóxica e cardiotóxica. A peçonha escorpiônica atua sobre canais iônicos, liberando neurotransmissores que geram uma tempestade adrenérgica e colinérgica — é isso que explica o quadro clínico: a dor intensa local, a sudorese, a sialorreia, as náuseas e, nos casos graves, as manifestações cardiovasculares como arritmias, insuficiência cardíaca, edema agudo de pulmão e choque.
A classificação de gravidade é essencial para a conduta. Os casos leves apresentam dor local e parestesias; os moderados, dor intensa, sudorese, náuseas, vômitos, agitação, taquipneia e taquicardia; os graves, que são mais comuns em crianças, acrescentam manifestações cardiovasculares. O tratamento específico consiste na administração do soro antiescorpiônico (SAEsc) o mais precocemente possível, em casos moderados e graves, independentemente da idade. Na dúvida diagnóstica entre acidentes escorpiônicos e aracnídicos, o soro antiaracnídico (que cobre Loxosceles, Phoneutria e Tityus) pode ser utilizado.
A distinção entre os acidentes é o ponto central desta questão. Cada animal peçonhento tem um quadro clínico característico e um soro específico:
Animal
Quadro clínico típico
Soro específico
Escorpião (Tityus)
Dor intensa local, sudorese, e em casos graves manifestações cardiovasculares
Dor local imediata, edema, eritema; sistêmico raro
Soro antiaracnídico (SAA)
Abelhas
Anafilaxia (picada única) ou síndrome do envenenamento (múltiplas picadas)
Não há soro antiveneno disponível
Lagartas (Lonomia)
Dor em queimação, eritema, e manifestações hemorrágicas (coagulopatia)
Soro antilonômico (SALon)
Cobras corais-verdadeiras
Neuroparalisia, risco de insuficiência respiratória
Soro antielapídico
A pegadinha da banca está em associar o quadro clínico descrito (dor intensa, suores e problemas cardiovasculares) ao animal correto. O candidato que decora apenas os nomes dos soros pode confundir, mas a chave é o quadro clínico: manifestações cardiovasculares graves são a marca do escorpionismo, não da aranha-marrom (que causa necrose) nem da lagarta Lonomia (que causa hemorragia).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os quadros clínicos dos acidentes por animais peçonhentos. O candidato que associa "soro" a qualquer acidente pode marcar aranha-marrom (que tem soro antiaracnídico) ou lagarta Lonomia (que tem soro antilonômico), mas o quadro descrito — dor intensa, suores e problemas cardiovasculares — é exclusivo do escorpionismo. Fique atento: cada animal tem um padrão clínico que o identifica, e é ele que decide o soro.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Cobras corais-verdadeiras causam acidentes elapídicos, com quadro neuroparalítico (ptose palpebral, fraqueza muscular, visão turva) e risco de insuficiência respiratória. Não cursam com dor intensa local, suores e manifestações cardiovasculares como descrito. O soro específico é o antielapídico, não o antiescorpiônico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A aranha-marrom (Loxosceles) causa um quadro predominantemente local com necrose cutânea, podendo evoluir com hemólise intravascular e lesão renal aguda. Não apresenta o padrão de dor intensa com sudorese e manifestações cardiovasculares descrito no enunciado. O soro indicado é o antiaracnídico (SAA), mas o quadro clínico não corresponde.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O escorpionismo, causado por escorpiões do gênero Tityus, é exatamente o quadro descrito: dor intensa no local da picada, sudorese (manifestação colinérgica) e, em casos graves, manifestações cardiovasculares (arritmias, insuficiência cardíaca, edema agudo de pulmão, choque). O tratamento específico é o soro antiescorpiônico (SAEsc), administrado o mais precocemente possível em casos moderados e graves.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Acidentes por abelhas causam, em picada única, reações alérgicas/anafiláticas (início rápido, angioedema, broncoespasmo, hipotensão) e, em ataques múltiplos, uma síndrome do envenenamento com hemólise intravascular, rabdomiólise e insuficiência renal. Não há soro antiveneno disponível atualmente (o soro antiapílico está em fase de pesquisa). O quadro clínico e o tratamento não correspondem ao descrito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Lagartas do gênero Lonomia causam o erucismo, com dor local em queimação, eritema e, principalmente, manifestações hemorrágicas (coagulopatia consumptiva) que podem levar a insuficiência renal aguda e hemorragia intracraniana. O soro específico é o antilonômico (SALon), mas o quadro clínico descrito (suores e problemas cardiovasculares) não é o do acidente por Lonomia.
A regra de ouro para esta questão: decore o par "animal → quadro clínico → soro específico". O escorpionismo é o único que associa dor intensa local, sudorese e manifestações cardiovasculares graves, e é tratado com soro antiescorpiônico.