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Questão de Medicina — Intoxicações Exógenas — VUNESP 2025

MedicinaIntoxicações Exógenas
Código
vu091763
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Toxinologia
Qual componente do veneno de escorpiões do gênero Tityus está mais diretamente relacionado com a liberação excessiva de neurotransmissores nas terminações nervosas autonômicas e neuromusculares?
  1. AHialuronidase.
  2. BToxinas que afetam canais iônicos de sódio e potássio.
  3. CFosfolipase.
  4. DProteases.
  5. EPeptídeos antimicrobianos.
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GabaritoB — Toxinas que afetam canais iônicos de sódio e potássio.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Escorpionismo: mecanismo de ação do veneno de Tityus

Gabarito: letra B. O componente do veneno de escorpiões do gênero Tityus mais diretamente relacionado à liberação excessiva de neurotransmissores nas terminações nervosas autonômicas e neuromusculares são as toxinas que afetam canais iônicos de sódio e potássio, pois são elas que despolarizam as membranas neuronais e disparam a liberação maciça de mediadores como acetilcolina e catecolaminas — mecanismo central da toxicidade do escorpionismo.

O veneno de escorpiões do gênero Tityus é uma mistura complexa de proteínas, peptídeos e outras moléculas, mas a fração responsável pela neurotoxicidade — e, portanto, pelo quadro clínico grave — é composta por toxinas que interagem com canais iônicos. Essas toxinas se ligam aos canais de sódio (Na⁺) e de potássio (K⁺) voltagem-dependentes presentes nas membranas das células excitáveis, incluindo neurônios do sistema nervoso autônomo e da placa motora. Ao se ligarem, elas alteram a cinética de abertura e fechamento desses canais: as toxinas de sódio, por exemplo, prolongam a fase de abertura do canal, impedindo a inativação rápida, o que leva a uma despolarização sustentada da membrana. Essa despolarização prolongada faz com que os terminais nervosos liberem de forma excessiva e descontrolada neurotransmissores como acetilcolina (nas terminações parassimpáticas e neuromusculares) e noradrenalina/adrenalina (nas terminações simpáticas).

É essa tempestade de neurotransmissores que explica o quadro clínico do escorpionismo: inicialmente há manifestações colinérgicas (sudorese, sialorreia, vômitos, diarreia, bradicardia), seguidas ou acompanhadas por manifestações adrenérgicas (taquicardia, hipertensão, agitação, midríase). Nos casos graves, especialmente em crianças picadas pelo Tityus serrulatus (escorpião-amarelo), a liberação maciça de catecolaminas pode levar a miocardite, edema agudo de pulmão, arritmias e choque cardiogênico — a chamada "tempestade catecolaminérgica". O contexto clínico do escorpionismo confirma essa fisiopatologia: o quadro moderado é descrito com "dor local intensa, sudorese, náuseas e vômitos, agitação, sialorreia, taquipneia e taquicardia", e o grave com "bradicardia grave, arritmias, insuficiência cardíaca, edema agudo de pulmão e choque" — todos sintomas de hiperestimulação autonômica.

Os demais componentes do veneno têm papéis acessórios ou locais. A hialuronidase é uma enzima que degrada o ácido hialurônico da matriz extracelular, facilitando a disseminação do veneno pelos tecidos, mas não tem ação direta na liberação de neurotransmissores. A fosfolipase e as proteases são enzimas que podem causar dano tecidual local, inflamação e dor, mas não são as responsáveis pela síndrome autonômica. Os peptídeos antimicrobianos fazem parte da defesa do escorpião contra microrganismos e não têm relação com a neurotoxicidade.

A pegadinha da questão está em confundir os componentes do veneno que têm função enzimática/acessória (hialuronidase, fosfolipase, proteases) com aqueles que têm função neurotóxica (toxinas de canais iônicos). A banca explora exatamente essa distinção: o candidato que sabe que o escorpião causa sintomas autonômicos, mas não sabe qual componente é o responsável, pode ser levado a escolher uma enzima qualquer. O critério decisivo é: qual componente age diretamente na fisiologia neuronal? A resposta é a toxina que modula canais iônicos.

Veneno de Tityus
  • 1Toxinas de canais iônicos (Na⁺/K⁺)
    • Despolarização sustentada
    • Liberação excessiva de neurotransmissores
    • Quadro autonômico (colinérgico + adrenérgico)
  • 2Enzimas (ação local)
    • Hialuronidase (disseminação)
    • Fosfolipase (dano tecidual)
    • Proteases (inflamação)
  • 3Peptídeos antimicrobianos
    • Defesa do animal
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A hialuronidase é uma enzima que degrada o ácido hialurônico, um componente da matriz extracelular. Sua função no veneno é facilitar a difusão das toxinas pelos tecidos, aumentando a área de absorção e a velocidade de disseminação. Ela não interage com canais iônicos nem causa liberação de neurotransmissores. É um componente "facilitador" da toxicidade, não o agente neurotóxico em si.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

As toxinas que afetam canais iônicos de sódio e potássio são o componente central da neurotoxicidade do veneno de Tityus. Elas se ligam aos canais de Na⁺ e K⁺ voltagem-dependentes, prolongando a despolarização da membrana neuronal e causando liberação excessiva de neurotransmissores (acetilcolina e catecolaminas) nas terminações autonômicas e neuromusculares. Esse é o mecanismo que gera o quadro clínico de hiperestimulação simpática e parassimpática, incluindo as manifestações cardiovasculares graves.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A fosfolipase é uma enzima que hidrolisa fosfolipídios de membranas celulares, podendo causar dano tecidual local, dor e inflamação. Embora esteja presente no veneno, sua ação é local e citotóxica, não está relacionada à liberação de neurotransmissores nas terminações nervosas. A confusão pode ocorrer porque fosfolipases são importantes em outros venenos (como o de abelhas e algumas serpentes), mas no escorpionismo o papel neurotóxico é das toxinas de canais iônicos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

As proteases são enzimas que degradam proteínas, contribuindo para o dano tecidual local, edema e inflamação no local da picada. Elas não têm ação direta sobre canais iônicos nem sobre a liberação de neurotransmissores. São componentes acessórios que auxiliam na digestão dos tecidos e na disseminação do veneno, mas não explicam a síndrome autonômica do escorpionismo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Os peptídeos antimicrobianos são moléculas que fazem parte do sistema de defesa do escorpião contra bactérias e fungos. Eles não têm relação com a neurotoxicidade nem com a liberação de neurotransmissores. São componentes que protegem o próprio animal de infecções, mas não participam do mecanismo de envenenamento que causa os sintomas autonômicos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os componentes enzimáticos/acessórios do veneno (hialuronidase, fosfolipase, proteases) e o componente neurotóxico (toxinas de canais iônicos). O candidato que sabe que o escorpião causa sintomas autonômicos, mas não sabe qual componente é o responsável, pode ser levado a escolher uma enzima qualquer. Lembre-se: a chave é identificar qual componente age diretamente na fisiologia neuronal — e essa é a toxina que modula canais iônicos.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de escorpionismo, monte um mapa mental dos componentes do veneno: toxinas de canais iônicos (neurotoxicidade, liberação de neurotransmissores, sintomas autonômicos) × enzimas (hialuronidase, fosfolipase, proteases — dano local, disseminação) × peptídeos antimicrobianos (defesa do animal). Essa distinção resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra B

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