Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — VUNESP 2025
Medicina›Envenenamentos e Acidentes
Código
vu091764
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Toxinologia
O tratamento específico para um envenenamento grave por serpente do gênero Bothrops geralmente envolve a administração de
Aatropina.
Badrenalina.
Csoro antielapídico.
Dgluconato de cálcio.
Esoro antibotrópico.
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GabaritoE — soro antibotrópico.
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Acidentes ofídicos: soroterapia específica
Gabarito: letra E. O tratamento específico para envenenamento grave por serpente do gênero Bothrops (jararaca e outras) é a administração do soro antibotrópico (SAB), que neutraliza o veneno de ação proteolítica, coagulante e hemorrágica desse gênero. As demais alternativas trazem medicações de suporte ou soros específicos para outros acidentes, não sendo o tratamento específico para o envenenamento botrópico.
O ofidismo é o envenenamento decorrente da inoculação de peçonha por serpentes através de suas presas. No Brasil, os acidentes são classificados em quatro tipos principais, conforme o gênero da serpente: botrópico (Bothrops e Bothrocophias), crotálico (Crotalus), laquético (Lachesis) e elapídico (Micrurus). Cada tipo de acidente exige um soro antiveneno específico, produzido a partir da sensibilização de equinos com o veneno da respectiva serpente. O soro antibotrópico (SAB) é o indicado para acidentes causados por serpentes do gênero Bothrops, que são os mais frequentes no país, representando cerca de 86,5% dos acidentes ofídicos.
O veneno botrópico tem ação proteolítica, coagulante e hemorrágica, causando no local da picada dor, edema, equimose e bolhas, e sistemicamente manifestações hemorrágicas como gengivorragia, hematúria e epistaxe. A gravidade do acidente é classificada em leve, moderada e grave, e a dose do soro varia conforme essa classificação: no caso grave, são indicadas 12 ampolas de SAB por via intravenosa. O soro deve ser administrado o mais precocemente possível, idealmente dentro de 6 horas após o acidente, para neutralizar o veneno circulante e prevenir complicações como insuficiência renal aguda e síndrome compartimental.
É fundamental diferenciar o soro específico de cada acidente ofídico, pois a administração do soro errado não neutraliza o veneno e pode retardar o tratamento adequado. O soro antielapídico, por exemplo, é indicado para acidentes com corais-verdadeiras (Micrurus), cujo veneno tem ação neurotóxica. Já a atropina, a adrenalina e o gluconato de cálcio são medicações de suporte que podem ser usadas em situações específicas, mas não constituem o tratamento específico do envenenamento botrópico. A atropina, por exemplo, é usada no acidente laquético para tratar os efeitos vagomiméticos, e a adrenalina pode ser usada como pré-medicação para prevenir reações de hipersensibilidade ao soro, mas nenhuma delas é o tratamento específico.
A pegadinha desta questão está em confundir o soro específico com outras medicações de suporte ou com soros de outros acidentes. O candidato deve lembrar que cada tipo de acidente ofídico tem seu soro específico: antibotrópico (Bothrops), anticrotálico (Crotalus), antilaquético (Lachesis) e antielapídico (Micrurus). Guarde essa correspondência: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
A atropina é um anticolinérgico usado no tratamento dos efeitos vagomiméticos do veneno laquético (como bradicardia, hipotensão e broncospasmo), e não no envenenamento botrópico. No acidente por Bothrops, o uso de atropina não é indicado como tratamento específico, pois o veneno não tem ação neurotóxica vagal significativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A adrenalina é uma medicação de suporte, usada principalmente no tratamento de reações anafiláticas ao soro antiveneno ou como pré-medicação para preveni-las. Não é o tratamento específico para o envenenamento por Bothrops, que exige a neutralização do veneno pelo soro específico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O soro antielapídico é específico para acidentes causados por serpentes do gênero Micrurus (corais-verdadeiras), cujo veneno tem ação neurotóxica. Para o envenenamento por Bothrops, o soro correto é o antibotrópico, pois o antielapídico não neutraliza as toxinas proteolíticas, coagulantes e hemorrágicas do veneno botrópico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O gluconato de cálcio é usado no tratamento de hipocalcemia e em algumas intoxicações específicas, como a por bloqueadores de canais de cálcio. Não tem indicação no tratamento do envenenamento por serpentes do gênero Bothrops, que requer o soro específico.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O soro antibotrópico (SAB) é o tratamento específico para o envenenamento por serpentes do gênero Bothrops. Ele é produzido a partir da imunização de equinos com o veneno botrópico e neutraliza as toxinas de ação proteolítica, coagulante e hemorrágica. A dose varia conforme a gravidade: 3 ampolas no caso leve, 6 no moderado e 12 no grave, administradas por via intravenosa, preferencialmente diluídas em soro glicosado a 5% ou soro fisiológico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os soros específicos de cada acidente ofídico. O candidato pode ser tentado a escolher o soro antielapídico por ser um "soro antiveneno", mas ele é específico para corais-verdadeiras (Micrurus), não para jararacas (Bothrops). Lembre-se: cada gênero de serpente tem seu soro específico, e o antibotrópico é o correto para o acidente botrópico.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental relacionando o gênero da serpente ao soro específico: Bothrops → antibotrópico; Crotalus → anticrotálico; Lachesis → antilaquético (ou bivalente antibotrópico-laquético); Micrurus → antielapídico. Essa correspondência é cobrada com frequência em provas de emergências e toxicologia.