Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — VUNESP 2025
Medicina›Envenenamentos e Acidentes
Código
vu091772
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Toxinologia
Atualmente, qual animal peçonhento é responsável pelo maior número de acidentes no Brasil?
ACobras.
BLagartas.
CAranhas.
DAbelhas.
EEscorpiões.
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GabaritoE — Escorpiões.
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Acidentes por animais peçonhentos no Brasil
Gabarito: letra E. Os escorpiões são, atualmente, o animal peçonhento responsável pelo maior número de acidentes no Brasil, superando as cobras (ofídios) e as aranhas. Essa predominância é confirmada pelos dados epidemiológicos do Ministério da Saúde e por diretrizes de sociedades médicas, que apontam os envenenamentos escorpiônicos como os mais frequentes no país.
Para entender por que os escorpiões lideram as estatísticas, é preciso primeiro diferenciar os conceitos de animal peçonhento e venenoso, que costumam ser confundidos. Animais peçonhentos são aqueles que produzem veneno (peçonha) e possuem um aparelho inoculador especializado para injetá-lo, como dentes modificados (serpentes), quelíceras (aranhas), ferrão (escorpiões e abelhas) e cerdas urticantes (lagartas). Já os animais venenosos produzem veneno, mas não possuem esse aparelho, causando envenenamento passivo por contato (taturana), compressão (sapo) ou ingestão (peixe baiacu).
No Brasil, os acidentes por animais peçonhentos são um problema relevante de saúde pública, sendo a segunda causa de envenenamento humano, atrás apenas da intoxicação por medicamentos. Dentro desse grupo, a distribuição dos acidentes não é uniforme: historicamente, os acidentes ofídicos (por cobras) eram os mais temidos e estudados, mas os dados atuais mostram uma inversão. A urbanização desordenada, o acúmulo de lixo e a proliferação de pragas urbanas (baratas, aranhas) criaram o ambiente ideal para a disseminação do escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), espécie que se reproduz por partenogênese (sem necessidade de acasalamento) e que se espalhou por diversas regiões do país, especialmente Nordeste e Sudeste.
Essa mudança epidemiológica é o ponto central da questão. Enquanto as cobras (alternativa A) ainda causam acidentes graves e com alta letalidade, o número absoluto de casos é menor. As aranhas (alternativa C) também são frequentes, mas em menor escala que os escorpiões. As lagartas (alternativa B) e as abelhas (alternativa D) causam acidentes, porém com relevância toxicológica e frequência menores. A banca explora exatamente a noção intuitiva de que a cobra seria o animal mais perigoso, mas a pergunta é sobre o maior número de acidentes, não sobre a maior gravidade ou letalidade.
Guarde essa distinção: a questão não pergunta qual animal causa os acidentes mais graves, e sim qual é o mais frequente. É nessa fronteira entre frequência e gravidade que as alternativas se separam.
Acidentes por animais peçonhentos no Brasil: Peçonhento (aparelho inoculador) (Escorpião (ferrão), Cobra (dentes), Aranha (quelíceras), Abelha (ferrão)); Venenoso (sem aparelho) (Lagarta (cerdas), Sapo (compressão), Baiacu (ingestão)); Ordem de frequência (1º Escorpiões, 2º Cobras, 3º Aranhas)
Alternativa A — ❌ Incorreta
As cobras (ofídios) são responsáveis por acidentes graves e com potencial de alta letalidade, mas não são o animal com maior número de acidentes no Brasil atualmente. Embora os acidentes ofídicos sejam de grande importância médica, os dados epidemiológicos mostram que os acidentes escorpiônicos os superam em frequência. A banca explora a confusão entre gravidade e frequência: o candidato pode associar a cobra ao maior perigo e concluir erroneamente que ela lidera os acidentes.
Alternativa B — ❌ Incorreta
As lagartas (como a taturana) causam acidentes por contato com cerdas urticantes, mas são classificadas como animais venenosos, não peçonhentos, pois não possuem aparelho inoculador. Além disso, a frequência de acidentes por lagartas é muito menor que a de escorpiões, não sendo relevante para a liderança estatística.
Alternativa C — ❌ Incorreta
As aranhas são animais peçonhentos de importância toxicológica no Brasil, com três gêneros de destaque: Phoneutria (armadeira), Loxosceles (marrom) e Latrodectus (viúva-negra). No entanto, o número de acidentes por aranhas é inferior ao de escorpiões. A banca pode tentar confundir o candidato com a proximidade conceitual entre aracnídeos (aranhas e escorpiões), mas a frequência é diferente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
As abelhas são animais peçonhentos (possuem ferrão), e os acidentes podem ser graves em casos de reações alérgicas ou ataques múltiplos. Contudo, a frequência de acidentes por abelhas é menor que a de escorpiões, não sendo o animal com maior número de ocorrências no Brasil.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Os escorpiões são, atualmente, o animal peçonhento responsável pelo maior número de acidentes no Brasil. Dados do Ministério da Saúde e diretrizes de sociedades médicas confirmam a predominância dos envenenamentos escorpiônicos, impulsionada pela disseminação do escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) em áreas urbanas. A letalidade é baixa (cerca de 0,13%), mas a frequência é altíssima, o que torna o escorpião o líder em número de acidentes.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre frequência e gravidade. O candidato tende a associar a cobra ao maior perigo (maior letalidade) e concluir que ela lidera os acidentes. Mas a pergunta é sobre o maior número de acidentes, não sobre o mais grave. Os escorpiões, apesar da baixa letalidade, são os mais frequentes. Fique atento ao que o enunciado pede: se fosse "maior gravidade" ou "maior letalidade", a resposta poderia ser outra; como é "maior número de acidentes", a resposta é escorpião.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de epidemiologia de acidentes por animais peçonhentos, decore a ordem de frequência no Brasil: escorpiões > cobras > aranhas. Essa hierarquia é cobrada com frequência e resolve a questão sem depender de dados específicos. Lembre-se também da diferença entre peçonhento (com aparelho inoculador) e venenoso (sem aparelho), que é outro ponto clássico de prova.