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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — VUNESP 2025

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
vu091808
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Vacinologia
No desenvolvimento de vacinas contra Mycobacterium tuberculosis, um dos maiores desafios está em prevenir não apenas a infecção primária, mas também a reativação da tuberculose latente, responsável por significativa carga global da doença. Com base na biologia do patógeno e nos mecanismos imunológicos associados à latência, pesquisadores têm priorizado antígenos expressos durante essa fase no design vacinal.Assinale a alternativa que justifica de forma mais adequada a escolha de antígenos da fase de latência como alvos vacinais.
  1. AAs proteínas da fase de crescimento ativo são inibidas por citocinas inflamatórias e, portanto, não são apresentadas ao sistema imune.
  2. BA resposta imunológica durante a latência é mediada exclusivamente por anticorpos, sendo menos eficiente contra antígenos extracelulares.
  3. CA persistência do bacilo em estado latente representa um reservatório cuja reativação pode ser contida por uma resposta T celular dirigida a antígenos específicos.
  4. DDurante a latência, o microambiente hipóxico dos granulomas impede a apresentação de antígenos da fase ativa pelas células dendríticas.
  5. EA expressão gênica do bacilo na fase latente impede a ação de adjuvantes convencionais, requerendo imunógenos específicos intracelulares.
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GabaritoC — A persistência do bacilo em estado latente representa um reservatório cuja reativação pode ser contida por uma resposta T celular dirigida a antígenos específicos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tuberculose latente: fundamentos imunológicos para o desenvolvimento de vacinas

Gabarito: letra C. A justificativa mais adequada para priorizar antígenos da fase de latência como alvos vacinais é que a persistência do bacilo em estado latente representa um reservatório cuja reativação pode ser contida por uma resposta T celular dirigida a antígenos específicos. Essa alternativa reflete o conhecimento de que a imunidade protetora contra o Mycobacterium tuberculosis (MTB) depende essencialmente da imunidade celular, e que os antígenos expressos durante a latência são alvos para uma resposta que impede a reativação do bacilo.

A tuberculose (TB) é causada pelo Mycobacterium tuberculosis, um bacilo álcool-ácido-resistente (BAAR) de crescimento lento. Uma das características mais marcantes da infecção é a capacidade do bacilo de estabelecer uma infecção latente assintomática, que pode persistir por toda a vida do indivíduo. Estima-se que até 90% dos infectados desenvolvam essa forma de latência, na qual o sistema imune suprime a replicação bacilar, mas não elimina completamente o microrganismo. Os bacilos permanecem viáveis no interior de granulomas, estruturas formadas por células epitelioides e necrose caseosa central, podendo sobreviver por anos e, em algum momento, reativar-se, dando origem à tuberculose ativa.

A reativação da tuberculose latente é um dos maiores desafios para o controle global da doença. Fatores que comprometem a imunidade celular, como a coinfecção pelo HIV, o uso de imunossupressores (corticoides, inibidores do TNF-α) e a desnutrição, aumentam significativamente o risco de reativação. Isso demonstra que a manutenção da latência depende de uma resposta imune celular efetiva, especialmente de linfócitos T, que produzem citocinas como IFN-γ e TNF-α, capazes de ativar macrófagos e conter o crescimento bacilar dentro dos granulomas.

Nesse contexto, o desenvolvimento de vacinas que visam prevenir a reativação da tuberculose latente busca direcionar a resposta imune para antígenos que são expressos pelo bacilo durante a fase de latência. A lógica é que, ao gerar uma resposta T celular específica contra esses antígenos, a vacina fortaleceria a capacidade do sistema imune de conter o bacilo latente, impedindo sua reativação e, consequentemente, reduzindo a carga global da doença. Essa estratégia é complementar às vacinas que visam prevenir a infecção primária, como a BCG, e representa uma abordagem promissora para o controle da TB.

A resposta imune contra o MTB é predominantemente mediada por células, e não por anticorpos. Os linfócitos T CD4+ e CD8+ desempenham papéis cruciais na contenção da infecção, reconhecendo antígenos apresentados por células apresentadoras de antígenos (APCs) e ativando mecanismos efetores que limitam a replicação bacilar. Portanto, uma vacina que busca conter a reativação da tuberculose latente deve, necessariamente, induzir uma resposta T celular robusta e específica para os antígenos expressos durante essa fase.

A escolha de antígenos da fase de latência como alvos vacinais é, portanto, uma estratégia racional baseada na biologia do patógeno e nos mecanismos imunológicos associados à latência. Ao direcionar a resposta imune para os antígenos que o bacilo expressa quando está em estado latente, a vacina visa fortalecer a imunidade que mantém o bacilo sob controle, prevenindo a reativação e a consequente transmissão da doença. Essa abordagem é particularmente importante em um cenário em que a tuberculose latente representa um enorme reservatório global da doença.

1Alvo: antígenos de latência
Bacilo persiste em granulomas
Reativação → TB ativa
Resposta T celular contém reativação
2Imunidade protetora
Celular (T CD4+ e CD8+)
IFN-γ e TNF-α
Ativação de macrófagos
3Fatores de reativação
HIV
Imunossupressores
Desnutrição
Vacinas contra TB latente
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Vacinas contra TB latente: Alvo: antígenos de latência (Bacilo persiste em granulomas, Reativação → TB ativa, Resposta T celular contém reativação); Imunidade protetora (Celular (T CD4+ e CD8+), IFN-γ e TNF-α, Ativação de macrófagos); Fatores de reativação (HIV, Imunossupressores, Desnutrição)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que as proteínas da fase de crescimento ativo são inibidas por citocinas inflamatórias e, portanto, não são apresentadas ao sistema imune. Isso é incorreto. As proteínas da fase ativa são expressas e podem ser apresentadas ao sistema imune, gerando resposta imune. A inibição por citocinas inflamatórias não impede a apresentação de antígenos. O erro está em afirmar que essas proteínas não são apresentadas, o que não corresponde à realidade da interação entre o MTB e o sistema imune.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a resposta imunológica durante a latência é mediada exclusivamente por anticorpos, sendo menos eficiente contra antígenos extracelulares. Isso é incorreto. A resposta imune contra o MTB é predominantemente celular, mediada por linfócitos T, e não por anticorpos. Os anticorpos têm papel limitado na defesa contra um patógeno intracelular como o MTB. A imunidade celular é essencial para conter a infecção, especialmente na fase de latência, onde os bacilos estão no interior de granulomas.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que a persistência do bacilo em estado latente representa um reservatório cuja reativação pode ser contida por uma resposta T celular dirigida a antígenos específicos. Isso está correto. A tuberculose latente é um reservatório global da doença, e a reativação pode ser prevenida por uma resposta imune celular efetiva. Antígenos expressos durante a latência são alvos para essa resposta T celular, que pode conter o bacilo e impedir a reativação. Essa é a justificativa mais adequada para a escolha desses antígenos como alvos vacinais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que, durante a latência, o microambiente hipóxico dos granulomas impede a apresentação de antígenos da fase ativa pelas células dendríticas. Isso é incorreto. Embora o microambiente dos granulomas seja hipóxico, isso não impede a apresentação de antígenos. As células dendríticas podem capturar e apresentar antígenos mesmo em condições de hipóxia. O erro está em afirmar que a apresentação de antígenos é impedida, o que não é verdade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a expressão gênica do bacilo na fase latente impede a ação de adjuvantes convencionais, requerendo imunógenos específicos intracelulares. Isso é incorreto. A expressão gênica do bacilo na fase latente não impede a ação de adjuvantes convencionais. Os adjuvantes são usados para potencializar a resposta imune à vacina, independentemente da fase de expressão gênica do patógeno. O erro está em afirmar que há essa interferência, o que não é verdade.

Gabarito: letra C

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