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Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — VUNESP 2025

MedicinaAlergia e Imunologia
Código
vu091810
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Vacinologia
Vetores virais não replicantes, a exemplo dos adenovírus geneticamente modificados, têm sido amplamente empregados no desenvolvimento de vacinas modernas contra diversas doenças infecciosas, como covid-19 e Ebola. Esses vetores são projetados para entregar genes que codificam antígenos de interesse diretamente nas células do hospedeiro, sem que ocorra replicação viral. Do ponto de vista imunológico e de biossegurança, essa plataforma apresenta vantagens importantes em relação a outras tecnologias vacinais.Considerando esses aspectos, assinale a alternativa que descreve uma justificativa técnica para o uso de vetores virais não replicantes no desenvolvimento de vacinas.
  1. ASão projetados para causar infecção ativa e persistente, promovendo imunização contínua por mimetismo viral prolongado.
  2. BMostram maior eficácia imunológica quando administrados por via oral, aproveitando a indução de mucosa como via preferencial.
  3. CPermitem a entrega de material genético codificante de antígenos diretamente às células, sem causar infecção viral produtiva, favorecendo a segurança do imunizante.
  4. DSão utilizados prioritariamente por dispensarem a necessidade de cadeia de frio, o que elimina exigências logísticas em larga escala.
  5. EEstimulam preferencialmente linfócitos B de memória sem ativar a via citotóxica, o que reduz o risco de autoimunidade.
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GabaritoC — Permitem a entrega de material genético codificante de antígenos diretamente às células, sem causar infecção viral produtiva, favorecendo a segurança do imunizante.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vetores virais não replicantes em vacinas

Gabarito: letra C. A justificativa técnica central para o uso de vetores virais não replicantes é a capacidade de entregar material genético que codifica antígenos diretamente às células do hospedeiro, sem causar infecção viral produtiva, o que favorece a segurança do imunizante. Essa plataforma combina a eficácia da expressão de antígenos intracelulares (essencial para ativar a imunidade celular) com a ausência de replicação viral, eliminando o risco de doença associada ao vetor.

Os vetores virais são vírus modificados geneticamente para servirem como "veículos" de entrega de genes. No caso dos não replicantes, como os adenovírus geneticamente modificados, o genoma viral é alterado para remover genes essenciais à replicação, tornando o vírus incapaz de se multiplicar nas células do hospedeiro. Essa abordagem é fundamental para a segurança: o vetor não causa infecção produtiva, ou seja, não gera novos vírus que possam espalhar a infecção ou causar doença. Em vez disso, o vetor apenas "entra" na célula, entrega o gene de interesse (que codifica um antígeno, como a proteína Spike do SARS-CoV-2) e a célula passa a produzir esse antígeno, que será apresentado ao sistema imunológico para gerar a resposta imune.

A principal vantagem imunológica dessa plataforma é a capacidade de induzir tanto a resposta humoral (produção de anticorpos) quanto a resposta celular, especialmente a ativação de linfócitos T citotóxicos (CD8+). Isso ocorre porque o antígeno é produzido dentro da célula, sendo processado e apresentado via MHC classe I, o que é crucial para eliminar células infectadas. Essa característica é particularmente valiosa contra doenças como covid-19 e Ebola, onde a imunidade celular desempenha papel importante na proteção. Em contraste, vacinas de subunidades ou inativadas tendem a gerar resposta predominantemente humoral.

Na prática, a segurança é o diferencial mais citado. Como o vetor não se replica, não há risco de o vírus se espalhar para outras pessoas (o que seria uma preocupação com vacinas de vírus atenuados) nem de causar doença no vacinado. Isso é especialmente relevante em populações imunocomprometidas, onde vacinas vivas atenuadas são contraindicadas. Além disso, a plataforma permite o desenvolvimento rápido de vacinas, como visto nas vacinas de vetor viral contra a covid-19 (AstraZeneca, Janssen, Sputnik V), que foram desenvolvidas em tempo recorde.

A distinção crucial que a banca explora é entre vetores não replicantes e vacinas de vírus atenuados. Enquanto os atenuados são vírus vivos que se replicam de forma controlada para gerar imunidade duradoura, os vetores não replicantes são projetados para não se replicar, entregando apenas o gene do antígeno. Essa diferença é o cerne da segurança da plataforma: a ausência de replicação elimina o risco de reversão à virulência e de disseminação viral. Outra distinção importante é em relação às vacinas de mRNA, que também entregam material genético, mas sem usar um vetor viral — o mRNA é encapsulado em nanopartículas lipídicas.

A pegadinha desta questão está em alternativas que descrevem características de outras plataformas vacinais ou que invertem o conceito de segurança. A banca tenta confundir o candidato com afirmações sobre infecção ativa, via oral, cadeia de frio ou ativação preferencial de linfócitos B, que não correspondem à justificativa técnica central dos vetores não replicantes. O candidato deve focar no binômio entrega de material genético + ausência de replicação como a essência da plataforma.

Guarde este critério: a justificativa técnica para vetores não replicantes é sempre a segurança conferida pela não replicação, aliada à capacidade de expressar antígenos intracelulares. É exatamente essa combinação que as alternativas corretas e incorretas exploram.

1Mecanismo
Entrega gene do antígeno à célula
Sem infecção produtiva
Sem replicação viral
2Vantagens
Segurança (não causa doença)
Ativa imunidade celular (CD8+)
Resposta humoral e celular
3Distinções
Vírus atenuados (replicam)
Vacinas de mRNA (sem vetor viral)
Vetores virais não replicantes
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Vetores virais não replicantes: Mecanismo (Entrega gene do antígeno à célula, Sem infecção produtiva, Sem replicação viral); Vantagens (Segurança (não causa doença), Ativa imunidade celular (CD8+), Resposta humoral e celular); Distinções (Vírus atenuados (replicam), Vacinas de mRNA (sem vetor viral))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que os vetores são projetados para causar infecção ativa e persistente, promovendo imunização contínua. Isso é o oposto do conceito: vetores não replicantes são projetados justamente para não causar infecção produtiva. A descrição se aproxima mais de vacinas de vírus atenuados, que se replicam de forma controlada, mas mesmo essas não causam "infecção persistente" no sentido de mimetismo viral prolongado. O erro é a inversão do princípio de segurança da plataforma.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que os vetores mostram maior eficácia quando administrados por via oral. Não há essa relação. A via de administração preferencial para vetores virais é a intramuscular, e a eficácia não está vinculada à via oral. A indução de imunidade de mucosa é uma característica de algumas vacinas orais (como a da poliomielite atenuada), mas não é uma justificativa técnica para o uso de vetores virais não replicantes. O erro é a associação incorreta entre a plataforma e a via de administração.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve exatamente a justificativa técnica central: entrega de material genético codificante de antígenos diretamente às células, sem causar infecção viral produtiva, favorecendo a segurança. Essa é a essência dos vetores não replicantes. A entrega do gene permite a expressão intracelular do antígeno, ativando a imunidade celular, enquanto a ausência de replicação garante a segurança, pois não há produção de novos vírus. A alternativa espelha perfeitamente o conceito apresentado no enunciado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que os vetores são utilizados prioritariamente por dispensarem a necessidade de cadeia de frio. Isso é falso. Vacinas de vetor viral, como a AstraZeneca e a Janssen, requerem refrigeração (entre 2 e 8 °C), embora a Janssen tenha vantagens logísticas por ser dose única. A dispensa de cadeia de frio não é uma característica dessa plataforma, e sim uma vantagem de algumas vacinas em desenvolvimento (como vacinas termoestáveis). O erro é atribuir uma vantagem logística que não corresponde à plataforma.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que os vetores estimulam preferencialmente linfócitos B de memória sem ativar a via citotóxica. Isso é incorreto. Uma das principais vantagens dos vetores virais é justamente a capacidade de ativar a imunidade celular, incluindo linfócitos T citotóxicos (CD8+), devido à expressão intracelular do antígeno. A ativação preferencial de linfócitos B sem via citotóxica seria uma limitação, não uma vantagem. O erro é inverter a característica imunológica da plataforma.

Gabarito: letra C

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