Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — VUNESP 2025
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
vu091813
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Vacinologia
Vacinas recombinantes são desenvolvidas por engenharia genética, utilizando sistemas de expressão para produzir antígenos específicos que formam partículas semelhantes aos vírus (VLP), como ocorre nas vacinas contra o papilomavírus humano (HPV).Considerando as etapas clínicas no desenvolvimento dessas vacinas, o objetivo primário da fase I é
Aavaliar a eficácia preventiva em larga escala, com base na redução da incidência de infecção ou doença.
Bcaracterizar a resposta imunológica induzida e estimar a duração da proteção conferida.
Cestimar o custo-efetividade da nova formulação em diferentes cenários populacionais.
Dinvestigar a segurança, a reatogenicidade e a tolerabilidade em voluntários saudáveis.
Ecomparar a eficácia clínica à de vacinas previamente licenciadas em estudos controlados.
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GabaritoD — investigar a segurança, a reatogenicidade e a tolerabilidade em voluntários saudáveis.
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Desenvolvimento clínico de vacinas: fases e objetivos
Gabarito: letra D. O objetivo primário da fase I de um ensaio clínico de vacina é investigar a segurança, a reatogenicidade e a tolerabilidade em voluntários saudáveis — é a primeira exposição do produto em humanos, e a prioridade absoluta é estabelecer o perfil de segurança antes de qualquer avaliação de eficácia. As demais alternativas descrevem objetivos de fases posteriores (II, III e IV), que envolvem imunogenicidade, eficácia em larga escala e vigilância pós-comercialização.
O desenvolvimento clínico de uma vacina segue um caminho sequencial e rigoroso, dividido em fases, cada uma com um objetivo específico e um número crescente de participantes. A lógica é progressiva: primeiro se estabelece que o produto é seguro em um pequeno grupo; depois, que ele é capaz de gerar a resposta imunológica esperada; em seguida, que essa resposta se traduz em proteção real contra a doença em uma população maior; e, por fim, que essa proteção se mantém e é segura na população geral, já com a vacina licenciada e em uso.
A fase I é o primeiro estudo em humanos. Ela envolve um número pequeno de voluntários, geralmente adultos saudáveis, e tem como foco principal a segurança. Os pesquisadores avaliam a reatogenicidade (reações locais e sistêmicas esperadas, como dor no local da injeção, febre, mal-estar) e a tolerabilidade (capacidade dos voluntários de suportar os efeitos adversos). Também se observa, de forma preliminar, a resposta imunológica, mas o desfecho primário é sempre a segurança. É uma fase de escalonamento de doses, para identificar a dose mais adequada e segura.
A fase II expande o estudo para um grupo maior, incluindo populações mais diversas (por exemplo, diferentes faixas etárias). O objetivo principal aqui é caracterizar a resposta imunológica (imunogenicidade) — quais anticorpos e células de defesa são produzidos, em que magnitude, e por quanto tempo — e refinar a dose e o esquema de administração. É nesta fase que se estima a duração da proteção conferida, embora de forma ainda preliminar.
A fase III é o grande estudo de eficácia, com milhares de participantes. O objetivo é avaliar a eficácia preventiva em larga escala, comparando a incidência da doença (ou infecção) no grupo vacinado versus o grupo que recebeu placebo ou uma vacina de comparação. É aqui que se demonstra, com poder estatístico, que a vacina protege contra o desfecho clínico de interesse. Os estudos de fase III também podem comparar a nova vacina com vacinas já licenciadas (estudos de não-inferioridade ou superioridade).
A fase IV, ou farmacovigilância, ocorre após o licenciamento e a introdução da vacina no mercado. O objetivo é monitorar a segurança e a eficácia em larga escala na população real, detectando eventos adversos raros que não apareceram nas fases anteriores e avaliando o impacto em saúde pública, incluindo o custo-efetividade em diferentes cenários.
A pegadinha desta questão está em confundir os objetivos de cada fase. A banca oferece alternativas que descrevem corretamente os objetivos das fases II, III e IV, mas a pergunta é específica sobre a fase I. O candidato que não tem o mapa das fases bem definido pode facilmente marcar a alternativa B (imunogenicidade, que é fase II) ou a A (eficácia, que é fase III).
Guarde a sequência: Fase I = segurança; Fase II = imunogenicidade; Fase III = eficácia; Fase IV = farmacovigilância/custo-efetividade. É exatamente essa progressão que separa as alternativas desta questão.
1Fase I — Segurança
2Fase II — Imunogenicidade
3Fase III — Eficácia
4Fase IV — Farmacovigilância
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Avaliar a eficácia preventiva em larga escala, com base na redução da incidência de infecção ou doença, é o objetivo da fase III, não da fase I. A fase I envolve poucos voluntários e não tem poder estatístico para avaliar eficácia clínica; seu foco é exclusivamente a segurança.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Caracterizar a resposta imunológica induzida e estimar a duração da proteção conferida é o objetivo central da fase II. Embora a fase I possa coletar dados preliminares de imunogenicidade, o desfecho primário da fase I é a segurança, não a caracterização detalhada da resposta imune.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Estimar o custo-efetividade da nova formulação em diferentes cenários populacionais é um objetivo típico da fase IV (farmacovigilância e estudos de efetividade pós-licenciamento). Não é um objetivo da fase I, que é precoce e focada em segurança.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Investigar a segurança, a reatogenicidade e a tolerabilidade em voluntários saudáveis é exatamente o objetivo primário da fase I. É a primeira administração do produto em humanos, e o estudo é desenhado para estabelecer o perfil de segurança, identificar a dose e observar reações adversas, em um pequeno grupo de participantes.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Comparar a eficácia clínica à de vacinas previamente licenciadas em estudos controlados é um objetivo da fase III, em estudos de não-inferioridade ou superioridade. A fase I não compara eficácia; ela apenas avalia segurança e tolerabilidade.
A regra de ouro para a prova: a fase I responde "é seguro?", a fase II responde "gera imunidade?", a fase III responde "protege contra a doença?" e a fase IV responde "continua seguro e efetivo na população real?". Memorize essa progressão e você não errará mais questões sobre desenvolvimento clínico de vacinas.