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Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — VUNESP 2025

MedicinaAlergia e Imunologia
Código
vu091843
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Vacinologia de Sistemas
Sobre a vacina RTS,S contra malária, qual é o papel implícito da expressão aumentada de genes envolvidos na via de degradação do imunoproteassoma no contexto do processamento e apresentação de antígenos?
  1. AAumenta a produção de anticorpos neutralizantes sem envolvimento do MHC.
  2. BMelhora a degradação de peptídeos virais para apresentação no MHC classe II, ativando linfócitos B.
  3. CFacilita o processamento de peptídeos para apresentação no MHC classe I, promovendo a ativação de linfócitos T CD8+.
  4. DReduz a expressão de genes relacionados ao MHC, limitando a apresentação de antígenos.
  5. EInibe a degradação de peptídeos no imunoproteassoma, favorecendo a apresentação de antígenos intactos.
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GabaritoC — Facilita o processamento de peptídeos para apresentação no MHC classe I, promovendo a ativação de linfócitos T CD8+.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vacina RTS,S e apresentação de antígenos via MHC classe I

Gabarito: letra C. A expressão aumentada de genes da via de degradação do imunoproteassoma na vacina RTS,S contra malária está diretamente ligada ao processamento de peptídeos para apresentação no MHC classe I, promovendo a ativação de linfócitos T CD8+ — a via clássica de imunidade celular contra patógenos intracelulares, como o Plasmodium.

O imunoproteassoma é uma variante do proteassoma constitutivo, expressa em células do sistema imunológico (especialmente após estímulo por interferon-gama), que degrada proteínas citosólicas em peptídeos adequados para a via de apresentação antigênica de classe I. Essa via é a responsável por apresentar antígenos endógenos (produzidos dentro da célula, como proteínas virais ou de parasitas intracelulares) aos linfócitos T CD8+, que são as células citotóxicas capazes de eliminar células infectadas. A vacina RTS,S, ao aumentar a expressão de genes do imunoproteassoma, potencializa exatamente essa etapa: mais peptídeos do antígeno circunsporozoíta (CS) do Plasmodium falciparum são gerados e apresentados no MHC classe I, amplificando a resposta de linfócitos T CD8+ — um dos mecanismos de proteção almejados pela vacina.

A apresentação de antígenos segue duas vias principais, que precisam ser bem distinguidas. A via de classe I processa proteínas do citosol (endógenas) e apresenta os peptídeos aos linfócitos T CD8+. A via de classe II processa proteínas capturadas do meio extracelular (exógenas) e apresenta aos linfócitos T CD4+. O imunoproteassoma atua especificamente na via de classe I, pois é o complexo proteolítico que gera os peptídeos citosólicos que serão transportados ao retículo endoplasmático e carregados nas moléculas de MHC classe I. Confundir essas duas vias é o erro mais comum nesse tipo de questão.

Na prática, quando uma célula é infectada pelo Plasmodium (ou por um vírus), as proteínas do patógeno são degradadas pelo proteassoma/imunoproteassoma no citosol. Os peptídeos resultantes são transportados para o retículo endoplasmático, onde se ligam às moléculas de MHC classe I, e o complexo é levado à superfície celular. Os linfócitos T CD8+ reconhecem esse complexo e, se ativados, destroem a célula infectada. A vacina RTS,S, ao aumentar a expressão de genes do imunoproteassoma, visa justamente melhorar essa etapa de processamento, tornando a resposta de linfócitos T CD8+ mais robusta.

A pegadinha da banca está em trocar a via de apresentação: o imunoproteassoma está associado ao MHC classe I e à ativação de linfócitos T CD8+, não ao MHC classe II nem à ativação de linfócitos B. A alternativa C é a única que descreve corretamente essa relação. As demais alternativas ou invertem a via (classe II), ou negam o papel do imunoproteassoma, ou atribuem funções que não correspondem à via de apresentação de antígenos.

Guarde a fronteira entre as duas vias de apresentação: MHC classe I → peptídeos endógenos → linfócitos T CD8+ e MHC classe II → peptídeos exógenos → linfócitos T CD4+. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Apresentação de antígenos
  • 1Via MHC classe I
    • Processa proteínas endógenas (citosol)
    • Imunoproteassoma degrada peptídeos
    • Apresenta a linfócitos T CD8+
  • 2Via MHC classe II
    • Processa proteínas exógenas (fagossomo)
    • Apresenta a linfócitos T CD4+
    • Ativa linfócitos B
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a expressão aumentada do imunoproteassoma aumenta a produção de anticorpos neutralizantes sem envolvimento do MHC. Isso está errado por dois motivos: (1) a produção de anticorpos depende da ativação de linfócitos B, que é mediada por linfócitos T CD4+ (via MHC classe II), não diretamente pelo imunoproteassoma; (2) a apresentação de antígenos sempre envolve moléculas de MHC — não existe apresentação antigênica sem MHC. O imunoproteassoma atua na via de classe I, que não está diretamente ligada à produção de anticorpos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o imunoproteassoma melhora a degradação de peptídeos virais para apresentação no MHC classe II, ativando linfócitos B. O erro está na via: o imunoproteassoma processa proteínas citosólicas para apresentação no MHC classe I, não no MHC classe II. A via de classe II processa antígenos exógenos capturados por fagocitose/pinocitose e apresenta aos linfócitos T CD4+, que por sua vez ativam linfócitos B. A alternativa confunde a via de processamento e o tipo de linfócito ativado.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve corretamente o papel do imunoproteassoma: facilita o processamento de peptídeos para apresentação no MHC classe I, promovendo a ativação de linfócitos T CD8+. O imunoproteassoma degrada proteínas citosólicas (endógenas) em peptídeos que são carregados nas moléculas de MHC classe I e apresentados aos linfócitos T CD8+, que são as células citotóxicas responsáveis por eliminar células infectadas. Essa é a via clássica de imunidade celular contra patógenos intracelulares, como o Plasmodium.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a expressão aumentada do imunoproteassoma reduz a expressão de genes relacionados ao MHC, limitando a apresentação de antígenos. Isso é o oposto do que ocorre: o imunoproteassoma está associado ao aumento da eficiência da apresentação de antígenos via MHC classe I, não à redução da expressão de genes do MHC. A alternativa inverte completamente o efeito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o imunoproteassoma inibe a degradação de peptídeos, favorecendo a apresentação de antígenos intactos. Isso é contraditório: o imunoproteassoma é um complexo proteolítico que degrada proteínas em peptídeos para apresentação. Inibir a degradação impediria a geração de peptídeos e, consequentemente, a apresentação via MHC classe I. A alternativa nega a função central do imunoproteassoma.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as duas vias de apresentação de antígenos. O candidato que não domina a diferença entre MHC classe I (endógeno, T CD8+) e MHC classe II (exógeno, T CD4+) tende a marcar a alternativa B, que mistura a via de classe II com a ativação de linfócitos B. Lembre-se: o imunoproteassoma é a maquinaria de degradação do citosol, e o citosol alimenta a via de classe I. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte um esquema mental: "proteassoma → citosol → MHC I → CD8+" e "fagossomo → MHC II → CD4+". Quando a questão falar em degradação de proteínas intracelulares, a resposta quase sempre envolve MHC classe I e linfócitos T CD8+. Essa associação direta resolve a maioria das questões sobre processamento e apresentação de antígenos.

Gabarito: letra C

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