Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — VUNESP 2025
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
vu091847
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Vacinologia de Sistemas
Na vacinologia de sistemas, a análise de dados de expressão gênica em células imunes após a vacinação com uma vacina de RNA revelou um aumento significativo na produção de interferon tipo I. Assinale a alternativa que indica o impacto mais provável dessa observação na resposta imune.
AAtivação de células dendríticas e promoção da resposta imune inata e adaptativa.
BInibição completa da resposta de células B, reduzindo a produção de anticorpos.
CSupressão da migração de neutrófilos para o local da vacinação.
DRedução da expressão de MHC classe II em macrófagos.
EIndução de apoptose em linfócitos T CD8+.
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GabaritoA — Ativação de células dendríticas e promoção da resposta imune inata e adaptativa.
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Vacinologia de sistemas: papel do interferon tipo I na resposta imune
Gabarito: letra A. O aumento na produção de interferon tipo I após vacinação de RNA é o mecanismo central que conecta a imunidade inata à adaptativa: ele ativa células dendríticas, promovendo a apresentação antigênica e a consequente resposta imune adaptativa. As demais alternativas descrevem efeitos opostos ou sem fundamento imunológico.
O interferon tipo I (IFN-α/β) é uma citocina produzida principalmente por células dendríticas plasmocitoides (pDC) em resposta à detecção de ácidos nucleicos virais, como o RNA de uma vacina. Ele exerce múltiplas funções na resposta imune: induz estado antiviral nas células vizinhas, ativa células NK e, crucialmente, promove a maturação de células dendríticas convencionais (cDC). Essas células dendríticas maduras aumentam a expressão de MHC e moléculas coestimuladoras, tornando-se apresentadoras de antígeno eficientes para linfócitos T. Essa ponte entre a resposta inata e a adaptativa é o que torna as vacinas de RNA tão eficazes: o RNA da vacina mimetiza uma infecção viral, gerando um forte sinal de alarme que culmina na ativação de linfócitos T CD4+ e CD8+ específicos, além de linfócitos B, que produzem anticorpos neutralizantes.
A vacinologia de sistemas é um campo que utiliza ferramentas de biologia molecular e bioinformática para analisar, de forma abrangente, as respostas imunes induzidas por vacinas. Ao medir a expressão gênica em células imunes após a vacinação, busca-se identificar assinaturas moleculares que correlacionam com a eficácia e a segurança da vacina. A observação de aumento na produção de interferon tipo I é um marcador clássico de uma resposta imune inata robusta, que é o primeiro passo para uma resposta adaptativa duradoura.
A pegadinha desta questão está em inverter o papel do interferon tipo I: em vez de ativar a resposta imune, as alternativas incorretas o descrevem como um agente supressor ou indutor de morte celular. O candidato que não domina o papel central dessa citocina na imunidade antiviral pode ser levado a escolher uma alternativa que descreve um efeito oposto ao real.
Guarde o conceito-chave: o interferon tipo I é um ativador da resposta imune, não um supressor. É essa a lógica que separa a alternativa correta das incorretas.
Interferon tipo I (IFN-α/β)
1Produção
Células dendríticas plasmocitoides (pDC)
Detectam RNA viral (vacina)
2Efeitos na resposta imune
Ativa células dendríticas (cDC)
Aumenta MHC e coestimuladores
Apresentação antigênica eficiente
Ativa células NK e macrófagos
Promove resposta adaptativa
Linfócitos T CD4+ e CD8+
Linfócitos B → anticorpos
3Papel central
Ponte entre imunidade inata e adaptativa
Ativador, nunca supressor
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O interferon tipo I atua como uma ponte entre a imunidade inata e a adaptativa. Ele promove a maturação e ativação de células dendríticas, que são as principais células apresentadoras de antígeno. Essas células, por sua vez, migram para os linfonodos e apresentam antígenos virais aos linfócitos T, iniciando a resposta adaptativa. Além disso, o IFN tipo I também ativa células NK e macrófagos, reforçando a resposta inata. Portanto, a alternativa descreve corretamente o impacto mais provável do aumento de IFN tipo I: ativação de células dendríticas e promoção das respostas imunes inata e adaptativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O interferon tipo I não inibe a resposta de células B; pelo contrário, ele pode atuar como adjuvante, promovendo a ativação de células B e a produção de anticorpos. A inibição completa da resposta de células B seria um efeito imunossupressor, que não é característico do IFN tipo I. A alternativa confunde o papel do IFN tipo I com o de citocinas imunossupressoras, como o TGF-β ou a IL-10.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O interferon tipo I não suprime a migração de neutrófilos. Na verdade, o IFN tipo I pode recrutar e ativar neutrófilos para o local da infecção ou inflamação, contribuindo para a resposta imune inata. A supressão da migração de neutrófilos seria um efeito anti-inflamatório, que não é o papel principal do IFN tipo I. A alternativa inverte o efeito da citocina.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O interferon tipo I não reduz a expressão de MHC classe II em macrófagos; pelo contrário, ele pode aumentar a expressão de MHC classe I e II, melhorando a apresentação de antígenos. A redução da expressão de MHC classe II seria um mecanismo de evasão imunológica, não um efeito do IFN tipo I. A alternativa descreve um efeito oposto ao real.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O interferon tipo I não induz apoptose em linfócitos T CD8+; ele é essencial para a sobrevivência e ativação dessas células durante uma resposta imune antiviral. A indução de apoptose em linfócitos T CD8+ seria um mecanismo de regulação negativa da resposta imune, que não é o papel principal do IFN tipo I. A alternativa confunde o IFN tipo I com mecanismos de morte celular, como a via Fas/FasL.