Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — VUNESP 2025

MedicinaAlergia e Imunologia
Código
vu091848
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Vacinologia de Sistemas
Macrófagos contribuem para a resposta imune inicial à vacinação, mas seu papel na longevidade da proteção é menos compreendido. Assinale a alternativa que descreve corretamente uma alteração esperada nos macrófagos residentes, meses após a vacinação, associada à manutenção da imunidade.
  1. APolarização contínua para um fenótipo M1, com alta expressão de NOS2 e IL1B, para sustentar inflamação.
  2. BManutenção de um fenótipo M2-like, com expressão de CD163 e ARG1, para promover tolerância imune.
  3. CExpressão de genes associados à fagocitose, como MRC1, em macrófagos residentes, para apoiar respostas de memória.
  4. DDesativação completa dos macrófagos, com ausência de expressão gênica após a fase inicial.
  5. EConversão de macrófagos em células apresentadoras de antígenos primárias, substituindo as DCs.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Expressão de genes associados à fagocitose, como MRC1, em macrófagos residentes, para apoiar respostas de memória.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Macrófagos residentes e memória imunológica pós-vacinal

Gabarito: letra C. Meses após a vacinação, os macrófagos residentes mantêm um estado funcional que apoia a memória imunológica, expressando genes associados à fagocitose, como MRC1 (receptor de manose), sem se polarizarem de forma inflamatória persistente (M1) nem induzirem tolerância (M2-like). Essa é a alteração esperada descrita na alternativa C.

Os macrófagos são células fagocíticas do sistema imune inato, residentes em todos os tecidos, e participam da resposta inicial à vacinação capturando antígenos e apresentando-os aos linfócitos T. Porém, seu papel na longevidade da proteção vacinal é um campo de estudo mais recente. A questão aborda exatamente essa função tardia: o que acontece com os macrófagos residentes meses após a vacinação para que a imunidade seja mantida?

A resposta envolve a compreensão de que os macrófagos não são apenas células efetoras da resposta inata, mas também contribuem para a manutenção da memória imunológica. Eles podem permanecer em um estado "treinado" ou "educado", expressando genes que facilitam a fagocitose e a apresentação de antígenos, apoiando assim as respostas de memória dos linfócitos T e B. O gene MRC1 codifica o receptor de manose, um receptor de reconhecimento de padrões (PRR) que medeia a fagocitose de patógenos e a captura de antígenos. A expressão de MRC1 em macrófagos residentes meses após a vacinação sugere que eles estão aptos a capturar e processar antígenos de forma eficiente, contribuindo para a manutenção da resposta imune de memória.

É importante distinguir os fenótipos de polarização dos macrófagos. O fenótipo M1 é pró-inflamatório, com alta expressão de NOS2 (óxido nítrico sintase induzível) e IL1B (interleucina-1 beta), e está associado à eliminação de patógenos, mas sua manutenção crônica levaria a dano tecidual. O fenótipo M2-like, com expressão de CD163 e ARG1 (arginase 1), está associado à reparação tecidual e à regulação da resposta imune, mas sua manutenção prolongada poderia induzir tolerância imunológica, o que não é desejável para a manutenção da memória vacinal. A alternativa C descreve um estado intermediário e funcional: a expressão de genes de fagocitose, como MRC1, sem polarização extrema, o que é compatível com a manutenção da imunidade.

A pegadinha da banca está em confundir o papel dos macrófagos na resposta inicial (M1) com o papel na manutenção da memória (estado funcional de fagocitose). O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa A, que descreve uma polarização M1 contínua, mas isso levaria a inflamação crônica, não à manutenção da imunidade. A alternativa B, com fenótipo M2-like, induziria tolerância, o que também não é o esperado. A alternativa C é a única que descreve uma alteração funcional compatível com a manutenção da memória imunológica.

Macrófagos pós-vacinação
  • 1Resposta inicial
    • Fenótipo M1 (NOS2, IL1B)
    • Captura e apresenta antígenos
  • 2Manutenção da memória
    • Expressão de MRC1 (fagocitose)
    • Apoia resposta de memória
  • 3Fenótipos extremos (errados)
    • M1 persistente → inflamação crônica
    • M2-like (CD163, ARG1) → tolerância
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A polarização contínua para M1, com alta expressão de NOS2 e IL1B, sustentaria inflamação crônica, o que é prejudicial e não está associado à manutenção da imunidade vacinal. O fenótipo M1 é característico da resposta inicial, com atividade microbicida, mas sua persistência levaria a dano tecidual e não à memória imunológica. A banca explora a confusão entre o papel inicial dos macrófagos e seu papel tardio.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A manutenção de um fenótipo M2-like, com expressão de CD163 e ARG1, promoveria tolerância imune, o que é o oposto do que se espera para a manutenção da imunidade vacinal. O fenótipo M2 está associado à reparação tecidual e à regulação da resposta, mas sua persistência poderia suprimir a resposta imune, não apoiar a memória. A alternativa confunde o papel dos macrófagos na resolução da inflamação com o papel na manutenção da memória.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A expressão de genes associados à fagocitose, como MRC1, em macrófagos residentes, para apoiar respostas de memória, descreve corretamente a alteração esperada meses após a vacinação. O receptor de manose (MRC1) é um PRR que medeia a captura de antígenos, e sua expressão mantida sugere que os macrófagos estão aptos a processar e apresentar antígenos, contribuindo para a manutenção da memória imunológica. Essa é a alternativa que melhor reflete o papel dos macrófagos na longevidade da proteção vacinal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A desativação completa dos macrófagos, com ausência de expressão gênica após a fase inicial, é incorreta porque os macrófagos residentes permanecem ativos e expressam genes, mesmo que em níveis basais, para manter a homeostase tecidual e a capacidade de resposta. A ausência total de expressão gênica não é compatível com a vida celular e não contribuiria para a manutenção da imunidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A conversão de macrófagos em células apresentadoras de antígenos primárias, substituindo as DCs, é incorreta porque os macrófagos já são células apresentadoras de antígenos, mas não substituem as células dendríticas (DCs), que são as APCs mais eficientes para ativar linfócitos T virgens. A alternativa exagera o papel dos macrófagos, que atuam em conjunto com as DCs, não as substituem.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre macrófagos e memória imunológica, lembre-se: M1 = inflamação (NOS2, IL1B), M2 = reparo/tolerância (CD163, ARG1), e o estado de "memória" envolve genes de fagocitose como MRC1. Se a alternativa mencionar polarização extrema (M1 ou M2) como manutenção da imunidade, desconfie — o correto é um estado funcional intermediário.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/vu091848