Questão de Biomedicina - Análises Clínicas — Biologia Molecular em Biomedicina — VUNESP 2025
Biomedicina - Análises Clínicas›Biologia Molecular em Biomedicina
Código
vu091856
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Virologia
O desenvolvimento de tecnologias de genética reversa revolucionou o estudo dos vírus de RNA, como o vírus influenza, permitindo a manipulação controlada de seu genoma por meio de clones de DNA. Essa abordagem tem sido amplamente utilizada na produção racional de vacinas, no estudo da patogenicidade de variantes virais e na triagem de novos antivirais. No caso do vírus influenza, essa tecnologia é particularmente desafiadora devido à segmentação do genoma e à sua natureza de RNA de fita simples de polaridade negativa.Com base nesses aspectos, assinale a alternativa correta sobre o sistema de genética reversa para o vírus influenza.
AA infecção por vírus influenza pode ser resgatada a partir de transcrição in vitro de RNA genômico seguida de sua transfecção em células, uma vez que o genoma viral é infeccioso por si só.
BComo o genoma do vírus influenza é de RNA negativo e segmentado, sua replicação pode ser iniciada diretamente no citoplasma após transcrição por RNA polimerase II.
CO sistema de genética reversa do vírus influenza utiliza promotores da T7 RNA polimerase, uma vez que essa enzima atua eficientemente no núcleo das células eucariotas.
DA utilização de promotores de polimerase I na genética reversa do vírus influenza é inviável devido à localização citoplasmática do processo de replicação viral.
EA replicação eficiente do vírus influenza a partir de clones de DNA complementares requer a expressão simultânea de RNA genômicos negativos por promotores de polimerase I e de mRNA de proteínas virais por promotores de polimerase II.
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GabaritoE — A replicação eficiente do vírus influenza a partir de clones de DNA complementares requer a expressão simultânea de RNA genômicos negativos por promotores de polimerase I e de mRNA de proteínas virais por promotores de polimerase II.
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Genética reversa do vírus influenza
Gabarito: letra E. O sistema de genética reversa do vírus influenza exige a expressão simultânea dos oito segmentos de RNA genômico de polaridade negativa (via RNA polimerase I, que gera RNA não capeado com extremidades exatas) e dos mRNAs das proteínas virais (via RNA polimerase II, que gera RNA capeado e poliadenilado), permitindo a montagem de ribonucleoproteínas funcionais e o resgate do vírus. Essa é a base do sistema plasmidial descrito por Neumann et al. (1999), que revolucionou a virologia reversa.
A genética reversa é uma abordagem que permite gerar vírus a partir de clones de DNA, manipulando seu genoma de forma controlada. No caso de vírus de RNA de polaridade negativa, como o influenza, o RNA genômico sozinho não é infeccioso: ele precisa estar associado à RNA polimerase viral (complexo PB1, PB2, PA) e à nucleoproteína (NP) para formar a ribonucleoproteína (RNP), que é a unidade mínima capaz de replicar e transcrever. Por isso, a simples transfecção de RNA genômico não funciona — é necessário fornecer, em trans, as proteínas virais que formam a RNP.
O vírus influenza possui genoma segmentado (8 segmentos de RNA de fita simples, polaridade negativa) e replica no núcleo da célula hospedeira. Essa característica é explorada pelo sistema de genética reversa: utiliza-se a RNA polimerase I (Pol I), que transcreve RNA ribossômico no nucléolo e produz transcritos sem cap e sem cauda poli(A), com extremidades exatas — ideais para servirem como RNA genômico viral (vRNA). Já a RNA polimerase II (Pol II) é usada para transcrever os mRNAs das proteínas virais, que precisam de cap 5' e cauda poli(A) para serem traduzidos eficientemente. Assim, o sistema plasmidial co-transfecta plasmídeos que expressam os oito vRNAs (sob promotor Pol I) e plasmídeos que expressam as proteínas virais (sob promotor Pol II), resultando na formação de RNPs funcionais e no resgate do vírus.
A alternativa E descreve exatamente esse mecanismo: a replicação eficiente a partir de clones de cDNA requer a expressão simultânea de RNA genômicos negativos por promotores de Pol I e de mRNA de proteínas virais por promotores de Pol II. Essa é a essência do sistema de genética reversa para influenza, que permite a geração de vírus recombinantes para estudos de patogenicidade, desenvolvimento de vacinas e triagem de antivirais.
A pegadinha da questão está em confundir o papel das polimerases: a T7 RNA polimerase (bacteriófago) atua no citoplasma, não no núcleo, e produz RNA com extremidades não processadas, o que não é adequado para gerar vRNA com extremidades exatas. Já a Pol I atua no núcleo (nucléolo), não no citoplasma, e é justamente por isso que é utilizada — a replicação do influenza ocorre no núcleo. A alternativa D inverte essa lógica, afirmando que a Pol I é inviável por localização citoplasmática, quando na verdade é a localização nuclear que a torna adequada.
Genética reversa do influenza
1Requisitos (sistema plasmidial)
Pol I → vRNA (8 segmentos negativos)
Pol II → mRNA das proteínas virais
Formação de RNP funcional
2Por que o RNA sozinho não basta
Precisa de RNP (PB1, PB2, PA, NP)
RNA negativo não é traduzido
3Localização
Replicação no núcleo
Pol I atua no nucléolo
T7 atua no citoplasma (inadequada)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O RNA genômico do influenza não é infeccioso por si só. Para ser infeccioso, o RNA precisa estar associado às proteínas da RNP (PB1, PB2, PA e NP), que são fornecidas em trans no sistema de genética reversa. A transcrição in vitro de RNA seguida de transfecção não é suficiente para resgatar o vírus, pois o RNA negativo não é traduzido diretamente e não forma a RNP funcional sem as proteínas virais.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A replicação do influenza não é iniciada diretamente no citoplasma por RNA polimerase II. A replicação e a transcrição do influenza ocorrem no núcleo da célula hospedeira, mediadas pela RNA polimerase viral (complexo PB1, PB2, PA), não pela RNA polimerase II celular. A Pol II é utilizada apenas para transcrever os mRNAs das proteínas virais a partir dos plasmídeos de expressão, não para replicar o genoma viral.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A T7 RNA polimerase atua no citoplasma, não no núcleo das células eucariotas. Além disso, a T7 RNA polimerase produz RNA com extremidades não processadas (sem cap e sem poliadenilação), o que não é adequado para gerar vRNA com extremidades exatas, necessárias para a replicação viral. Por isso, o sistema de genética reversa do influenza utiliza preferencialmente a RNA polimerase I, que atua no núcleo e produz transcritos com extremidades exatas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A utilização de promotores de polimerase I é viável e, na verdade, é a abordagem padrão no sistema de genética reversa do influenza. A Pol I atua no núcleo (nucléolo), onde ocorre a replicação viral, e produz RNA com extremidades exatas, sem cap e sem cauda poli(A), que são ideais para servirem como vRNA. A alternativa inverte a lógica: a localização nuclear da Pol I é uma vantagem, não uma desvantagem.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A replicação eficiente do influenza a partir de clones de cDNA requer a expressão simultânea de RNA genômicos negativos por promotores de Pol I e de mRNA de proteínas virais por promotores de Pol II. A Pol I gera os vRNAs com extremidades exatas, enquanto a Pol II gera os mRNAs que serão traduzidos nas proteínas virais (PB1, PB2, PA, NP, etc.), permitindo a formação de RNPs funcionais e o resgate do vírus. Esse é o princípio do sistema de genética reversa plasmidial, que revolucionou o estudo do influenza.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as polimerases: a T7 RNA polimerase atua no citoplasma (não no núcleo) e produz RNA sem processamento de extremidades; a Pol I atua no núcleo (nucléolo) e produz RNA com extremidades exatas, sendo ideal para gerar vRNA. A alternativa D inverte essa lógica, afirmando que a Pol I é inviável por localização citoplasmática, quando na verdade é a localização nuclear que a torna adequada. Fique atento: no influenza, a replicação ocorre no núcleo, e a Pol I é a ferramenta certa para gerar os segmentos de RNA genômico.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar o sistema de genética reversa do influenza, lembre-se: Pol I para vRNA (RNA genômico) e Pol II para mRNA (proteínas). A Pol I produz RNA sem cap e sem cauda poli(A), com extremidades exatas — perfeito para o genoma viral. A Pol II produz mRNA capeado e poliadenilado — necessário para a tradução das proteínas virais. Essa divisão de trabalho é a chave para entender o sistema plasmidial.