Questão de Biologia — Identidade dos seres vivos — VUNESP 2025
Biologia›Identidade dos seres vivos
Código
vu091857
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Virologia
Muitos vírus de RNA, como os picornavírus, sintetizam poliproteínas que são posteriormente processadas em proteínas funcionais. Sobre esse mecanismo, assinale a alternativa correta.
AA tradução das poliproteínas ocorre em múltiplos mRNA distintos, cada um codificando uma parte da poliproteína.
BA clivagem da poliproteína é realizada exclusivamente por proteases celulares para evitar o reconhecimento pelo sistema imune.
CA clivagem das poliproteínas é irrelevante para a maturação do vírus, pois as poliproteínas atuam diretamente na montagem viral.
DA produção de poliproteínas impede a tradução de múltiplas proteínas diferentes a partir de um único RNA viral.
EA síntese de poliproteínas permite que o vírus compacte sua informação genética e regule a produção coordenada das proteínas estruturais e não estruturais.
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GabaritoE — A síntese de poliproteínas permite que o vírus compacte sua informação genética e regule a produção coordenada das proteínas estruturais e não estruturais.
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Poliproteínas virais: compactação e regulação da expressão gênica em vírus de RNA
Gabarito: letra E. A síntese de poliproteínas — uma única cadeia polipeptídica longa traduzida a partir de um único RNA mensageiro viral — permite que o vírus compacte sua informação genética e regule a produção coordenada das proteínas estruturais e não estruturais, que são posteriormente clivadas por proteases virais em proteínas funcionais. Esse mecanismo é típico de vírus de RNA de polaridade positiva, como os picornavírus (poliovírus, rinovírus) e também flavivírus (dengue, zika).
O que são poliproteínas? Em muitos vírus de RNA, o genoma é um RNA mensageiro único que é traduzido de uma só vez, gerando uma longa cadeia polipeptídica — a poliproteína — que contém, em sequência, as informações para várias proteínas virais. Essa poliproteína não é funcional em sua forma íntegra: ela precisa ser clivada (cortada) em pontos específicos por proteases, que podem ser codificadas pelo próprio vírus (proteases virais) ou, em alguns casos, por proteases celulares. A clivagem é essencial para a maturação do vírus, pois libera as proteínas individuais que desempenharão funções estruturais (capsídio) e não estruturais (replicase, protease, etc.).
A grande vantagem evolutiva desse mecanismo é dupla: (1) compactação — um único RNA mensageiro carrega toda a informação, economizando espaço no capsídeo viral, que é pequeno e não comporta múltiplos mRNAs; (2) regulação coordenada — a tradução de uma única poliproteína garante que todas as proteínas virais sejam produzidas em quantidades equimolares (na mesma proporção), o que é importante para a montagem do vírion, que precisa de quantidades balanceadas de cada componente. Além disso, a clivagem sequencial da poliproteína pode ser regulada temporalmente, permitindo que o vírus controle a ordem de liberação das proteínas durante o ciclo de infecção.
A banca explora aqui a confusão entre o mecanismo de poliproteínas e o processamento pós-traducional de proteínas em células eucarióticas, onde cada mRNA geralmente codifica uma única proteína. Nos vírus de RNA, a estratégia é diferente: um mRNA gigante codifica várias proteínas em uma só cadeia. Vamos analisar cada alternativa.
1RNA único traduzido
2Poliproteína longa
3Clivagem por proteases
4Proteínas funcionais
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A tradução das poliproteínas não ocorre em múltiplos mRNA distintos. Pelo contrário, a poliproteína é traduzida a partir de um único mRNA viral (o genoma de RNA de polaridade positiva, que funciona diretamente como mRNA). A alternativa inverte o mecanismo: em vez de múltiplos mRNAs, há um único mRNA longo que codifica a poliproteína inteira. Essa é uma característica marcante dos picornavírus e outros vírus de RNA de fita simples positiva.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A clivagem da poliproteína não é realizada exclusivamente por proteases celulares. Na verdade, a maioria dos picornavírus codifica suas próprias proteases (como a protease 3C e 2A), que clivam a poliproteína em sítios específicos. Embora algumas clivagens possam envolver proteases celulares (como a furina em alguns vírus), a afirmação de que é "exclusivamente" por proteases celulares é falsa. Além disso, a justificativa "para evitar o reconhecimento pelo sistema imune" não é o motivo principal — a clivagem é necessária para gerar proteínas funcionais, e não primariamente para evasão imune.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A clivagem das poliproteínas é essencial para a maturação do vírus, não irrelevante. Sem a clivagem, as proteínas virais não são liberadas em suas formas funcionais, e o vírus não consegue montar novas partículas infecciosas. A poliproteína íntegra não atua diretamente na montagem viral; ela precisa ser processada para gerar as proteínas do capsídio e as enzimas necessárias. A alternativa contraria o próprio mecanismo descrito no enunciado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A produção de poliproteínas permite a tradução de múltiplas proteínas diferentes a partir de um único RNA viral — exatamente o oposto do que afirma a alternativa. A poliproteína é uma estratégia para que um único mRNA gere várias proteínas distintas após a clivagem. A alternativa nega essa capacidade, dizendo que "impede" a tradução de múltiplas proteínas, o que é falso.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A síntese de poliproteínas permite que o vírus compacte sua informação genética (um único mRNA carrega toda a informação) e regule a produção coordenada das proteínas estruturais e não estruturais (todas são produzidas em quantidades equimolares a partir de uma única tradução). Essa é a descrição correta do mecanismo. A clivagem posterior libera as proteínas funcionais, mas a vantagem adaptativa está exatamente na compactação e na regulação coordenada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte o mecanismo em várias alternativas: em A, troca "um único mRNA" por "múltiplos mRNAs"; em D, diz que a poliproteína "impede" a tradução de múltiplas proteínas, quando na verdade ela "permite". Fique atento a essas inversões — o candidato que não domina o conceito de poliproteína tende a marcar a alternativa que parece mais "lógica" (como a B, que menciona proteases celulares), mas que está errada.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, lembre-se do exemplo clássico: o poliovírus tem um RNA de ~7.500 nucleotídeos que é traduzido em uma única poliproteína de ~250 kDa, clivada em mais de 10 proteínas funcionais. Se a alternativa falar em "múltiplos mRNAs" ou "impede", está errada. O mecanismo de poliproteína é uma adaptação para compactar o genoma e garantir produção coordenada.