Questão de Biologia — Moléculas, células e tecidos — VUNESP 2025
Biologia›Moléculas, células e tecidos
Código
vu091858
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Virologia
A fusão da membrana viral com a membrana da célula hospedeira é um passo essencial no processo de penetração dos flavivírus. Com base no mecanismo de fusão mediado pela proteína E, assinale a alternativa correta.
AA proteína E se apresenta como trímero na superfície do vírus maduro e se dissocia em monômeros no endossomo.
BA inserção da alça de fusão da proteína E ocorre no citosol, após a liberação do genoma viral.
CA formação do trímero de E ocorre em pH neutro, facilitada pela interação do domínio II com o colesterol da membrana-alvo.
DA reorganização conformacional da proteína E induzida por pH ácido leva à formação de trímeros, com as alças de fusão inseridas na membrana-alvo.
EA dissociação do domínio pr de prM é desencadeada por acidificação do endossomo, liberando a alça de fusão no interior do endossomo.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — A reorganização conformacional da proteína E induzida por pH ácido leva à formação de trímeros, com as alças de fusão inseridas na membrana-alvo.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Fusão de membranas mediada pela proteína E dos flavivírus
Gabarito: letra D. A entrada dos flavivírus (dengue, zika, febre amarela) na célula hospedeira depende da fusão do envelope viral com a membrana do endossomo, e esse processo é disparado pelo pH ácido do endossomo, que induz a reorganização conformacional da proteína E — do dímero de superfície para o trímero de fusão, com as alças de fusão (domínio II) inseridas na membrana-alvo (endossomal). É exatamente isso que a alternativa D descreve.
A proteína E é a glicoproteína de envelope dos flavivírus e existe em dois estados conformacionais distintos ao longo do ciclo de infecção. No vírus maduro e extracelular, ela se organiza como dímeros (não trímeros) na superfície do envelope, formando uma camada lisa e estável em pH neutro. Já no endossomo, o ambiente ácido (pH ~6,0 ou menor) protona resíduos-chave da proteína, desencadeando uma grande mudança conformacional: os dímeros se dissociam e os monômeros se reorganizam em trímeros, expondo e projetando as alças de fusão — segmentos hidrofóbicos localizados no domínio II — que se inserem na membrana do endossomo (a membrana-alvo). Essa inserção aproxima as duas bicamadas e promove a fusão, permitindo a liberação do genoma viral no citosol.
A pegadinha central da questão é inverter as etapas e os compartimentos: a banca mistura o que ocorre na superfície viral madura (dímeros, pH neutro) com o que ocorre no endossomo (trímeros, pH ácido), e também confunde o papel do domínio pr de prM — que é clivado durante a maturação do vírus, antes da liberação da partícula, e não no endossomo. Vamos analisar cada alternativa.
1Vírus maduro (dímero, pH neutro)
2Endocitose
3pH ácido no endossomo
4Dímero → trímero de E
5Alça de fusão insere na membrana
6Fusão e liberação do genoma
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a proteína E se apresenta como trímero na superfície do vírus maduro e se dissocia em monômeros no endossomo. Está invertido: no vírus maduro, a proteína E forma dímeros (estado de repouso, pH neutro); é no endossomo ácido que os dímeros se dissociam e os monômeros se reorganizam em trímeros de fusão. A banca trocou o estado conformacional inicial e final.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a inserção da alça de fusão ocorre no citosol, após a liberação do genoma viral. Isso inverte a ordem e o local: a alça de fusão se insere na membrana do endossomo (membrana-alvo) antes da fusão, e é essa inserção que permite a liberação do genoma no citosol. A alça não é inserida no citosol; ela ancora o vírus à membrana endossomal para promover a fusão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a formação do trímero de E ocorre em pH neutro, facilitada pela interação do domínio II com o colesterol da membrana-alvo. Está errado o pH: a formação do trímero é induzida por pH ácido (endossomo), não neutro. Além disso, a interação-chave é da alça de fusão (domínio II) com a membrana-alvo, e não especificamente com colesterol — o colesterol pode estar presente em balsas lipídicas, mas não é o facilitador descrito no mecanismo canônico.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve com precisão o mecanismo: a reorganização conformacional da proteína E induzida por pH ácido leva à formação de trímeros, com as alças de fusão inseridas na membrana-alvo (endossomal). É exatamente o que ocorre: o pH baixo do endossomo protona a proteína E, os dímeros se dissociam, os monômeros se reorganizam em trímeros e as alças de fusão do domínio II se inserem na membrana do endossomo, aproximando as bicamadas e promovendo a fusão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a dissociação do domínio pr de prM é desencadeada por acidificação do endossomo, liberando a alça de fusão no interior do endossomo. Confunde etapas: a clivagem do prM (que remove o domínio pr) ocorre durante a maturação do vírus, no retículo endoplasmático e no complexo de Golgi, antes da liberação da partícula madura — não no endossomo da célula-alvo. Além disso, a alça de fusão é exposta pela reorganização da proteína E, não pela dissociação do pr.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os estados conformacionais e os compartimentos: dímero↔trímero, pH neutro↔pH ácido, superfície viral↔endossomo, maturação↔entrada. Aqui, as alternativas A, C e E exploram exatamente essas trocas. Fique atento: no vírus maduro, E é dímero em pH neutro; no endossomo, vira trímero em pH ácido. E o prM é clivado na maturação, não na entrada. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental comparando os dois momentos do ciclo:
Critério
Vírus maduro (extracelular)
Endossomo (entrada)
pH
Neutro
Ácido
Conformação da E
Dímero
Trímero
Alça de fusão
Escondida
Exposta e inserida na membrana-alvo
Evento-chave
Estabilidade
Fusão de membranas
Essa tabela resolve a maioria das questões sobre fusão viral.