Questão de Biologia — Moléculas, células e tecidos — VUNESP 2025
Biologia›Moléculas, células e tecidos
Código
vu091859
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Virologia
Com relação aos mecanismos alternativos de iniciação da tradução utilizados por vírus de RNA, é correto afirmar que
Aos vírus de RNA dependem exclusivamente do reconhecimento do cap 5′ e da cauda poli(A) para iniciar a tradução.
Bo mecanismo de tradução por reiniciação é exclusivo de vírus de DNA e não ocorre em vírus de RNA.
Cos retrovírus utilizam exclusivamente ribossomos mitocondriais para traduzir seus mRNA.
Do processo de frameshift ribossomal é limitado a vírus vegetais da família Luteoviridae.
Eos picornavírus utilizam estruturas denominadas IRES para recrutar ribossomos diretamente ao RNA viral, dispensando o uso completo dos fatores de iniciação.
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GabaritoE — os picornavírus utilizam estruturas denominadas IRES para recrutar ribossomos diretamente ao RNA viral, dispensando o uso completo dos fatores de iniciação.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Mecanismos alternativos de iniciação da tradução em vírus de RNA
Gabarito: letra E. Os picornavírus (como poliovírus e rinovírus) possuem RNA mensageiro sem cap 5' e utilizam estruturas chamadas IRES (Internal Ribosome Entry Site) para recrutar o ribossomo diretamente ao RNA viral, dispensando a necessidade de vários fatores de iniciação eucarióticos. Essa é a alternativa correta, pois descreve com precisão o mecanismo alternativo de iniciação da tradução usado por esses vírus.
A tradução é o processo pelo qual o RNA mensageiro é utilizado como molde para sintetizar proteínas, realizada pelos ribossomos. Em células eucarióticas, a iniciação da tradução depende, em geral, do reconhecimento do cap 5' (uma estrutura modificada na extremidade 5' do mRNA) e da cauda poli(A) na extremidade 3', que juntas recrutam o ribossomo e os fatores de iniciação. Porém, muitos vírus de RNA evoluíram para escapar dessa dependência, utilizando estratégias alternativas para garantir a tradução de seus genes no citoplasma da célula hospedeira. Entre essas estratégias estão o uso de IRES, o frameshift ribossomal, a reiniciação e até a clivagem de fatores de iniciação celulares. A banca explora justamente o conhecimento dessas vias alternativas e suas especificidades.
Iniciação da tradução em vírus de RNA
1Tradução celular (cap 5' + cauda poli(A))
Depende de fatores de iniciação
2Mecanismos alternativos
IRES (picornavírus)
Recruta ribossomo direto ao RNA
Dispensa fatores de iniciação
Frameshift ribossomal (retrovírus, coronavírus)
Mudança de fase de leitura
Reiniciação (reovírus)
RNA segmentado
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os vírus de RNA dependem exclusivamente do reconhecimento do cap 5' e da cauda poli(A) para iniciar a tradução. Isso é falso: muitos vírus de RNA, como picornavírus e flavivírus, não possuem cap 5' e utilizam IRES para iniciar a tradução de forma independente do cap. A dependência exclusiva do cap e da cauda poli(A) é característica da tradução de mRNAs celulares eucarióticos, não de todos os vírus de RNA.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o mecanismo de tradução por reiniciação é exclusivo de vírus de DNA e não ocorre em vírus de RNA. Isso está errado: a reiniciação é um mecanismo utilizado por alguns vírus de RNA, como os vírus da família Reoviridae (que possuem RNA de fita dupla segmentado), nos quais a tradução de cada segmento pode ocorrer de forma independente, com reiniciação do ribossomo. Portanto, não é exclusivo de vírus de DNA.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que os retrovírus utilizam exclusivamente ribossomos mitocondriais para traduzir seus mRNAs. Isso é falso: os retrovírus (como o HIV) traduzem seus mRNAs utilizando os ribossomos citoplasmáticos da célula hospedeira, não os mitocondriais. Não há qualquer especificidade por ribossomos mitocondriais na tradução de mRNAs retrovirais.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o processo de frameshift ribossomal é limitado a vírus vegetais da família Luteoviridae. Isso é falso: o frameshift ribossomal é um mecanismo de mudança de fase de leitura durante a tradução, utilizado por diversos vírus de RNA, incluindo retrovírus (como HIV), coronavírus e também alguns vírus vegetais, mas não é limitado a Luteoviridae. É um mecanismo amplamente distribuído entre vírus de RNA.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que os picornavírus utilizam estruturas denominadas IRES para recrutar ribossomos diretamente ao RNA viral, dispensando o uso completo dos fatores de iniciação. Isso está correto: os picornavírus possuem RNA mensageiro sem cap 5' e com uma longa região 5' não traduzida (5' UTR) que contém o IRES, uma estrutura secundária complexa que atrai o ribossomo diretamente para o RNA, permitindo a iniciação da tradução sem a necessidade de vários fatores de iniciação eucarióticos (como eIF4E, que reconhece o cap). Esse mecanismo é essencial para a replicação viral, pois garante a tradução das proteínas virais mesmo quando a maquinaria de tradução celular está comprometida.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato com generalizações absolutas ("exclusivamente", "limitado a") e com atribuições incorretas de mecanismos a grupos virais. A pegadinha clássica é a alternativa A, que inverte a regra: em vez de depender do cap, muitos vírus de RNA justamente escapam dessa dependência usando IRES. Fique atento a palavras como "exclusivamente" e "limitado" — elas quase sempre sinalizam uma afirmação falsa.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os mecanismos alternativos de iniciação da tradução em vírus de RNA, associe cada grupo ao seu mecanismo: Picornavírus → IRES; Retrovírus → frameshift ribossomal (para produzir proteínas de fusão) e também usam cap; Reovírus → reiniciação (RNA segmentado). Essa associação direta ajuda a eliminar alternativas que trocam os mecanismos entre grupos.