Questão de Biologia — Identidade dos seres vivos — VUNESP 2025
Biologia›Identidade dos seres vivos
Código
vu091865
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Virologia
Durante a infecção viral, os vírus podem explorar vias de sinalização celular pré-existentes para favorecer etapas como penetração, replicação, evasão do sistema imune ou prolongamento da viabilidade da célula hospedeira. A via PI3K-AKT, em particular, está envolvida em múltiplos processos relacionados ao metabolismo, sobrevivência e tráfego vesicular, sendo ativada por diferentes vírus com efeitos contextualmente distintos.Com base nesse cenário, assinale a alternativa correta.
AVírus apenas ativam vias de sinalização como PI3K-AKT em fases tardias da infecção, quando a replicação já está completa.
BA via PI3K-AKT, embora relevante para células normais, é geralmente suprimida por vírus, pois limita a multiplicação viral.
CA modulação de vias de sinalização durante a infecção viral tem função exclusivamente antiviral e depende da produção de interferons.
DA ativação de vias como PI3K-AKT pode favorecer a penetração e multiplicação de diferentes vírus, com impactos distintos dependendo do vírus e do tipo celular infectado.
EA via PI3K-AKT é ativada de forma semelhante por diferentes vírus, seguindo uma cascata conservada de sinalização que resulta em inibição de apoptose em todas as infecções.
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GabaritoD — A ativação de vias como PI3K-AKT pode favorecer a penetração e multiplicação de diferentes vírus, com impactos distintos dependendo do vírus e do tipo celular infectado.
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Vírus e vias de sinalização celular: a via PI3K-AKT
Gabarito: letra D. A ativação de vias de sinalização pré-existentes, como a via PI3K-AKT, é um mecanismo utilizado por diferentes vírus para favorecer etapas da infecção — penetração, replicação, evasão imune e sobrevivência da célula hospedeira —, mas os efeitos dessa ativação são contextualmente distintos, variando conforme o vírus e o tipo celular infectado. É exatamente essa combinação de "favorecimento" e "distinção contextual" que a alternativa D espelha.
A questão aborda um tema de virologia molecular: a capacidade dos vírus de "sequestrar" vias de sinalização celular que já existem na célula hospedeira. Os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios — não possuem maquinaria metabólica própria e dependem inteiramente da célula para se replicar. Para isso, eles não apenas usam as enzimas e organelas celulares, mas também modulam vias de sinalização que controlam processos como metabolismo, sobrevivência (apoptose), proliferação e tráfego vesicular.
A via PI3K-AKT é uma via de sinalização central na célula: quando ativada, promove sobrevivência celular (inibindo a apoptose), crescimento, proliferação e regulação do metabolismo. Diferentes vírus ativam essa via em momentos distintos do ciclo de infecção e com consequências diferentes. Por exemplo, alguns vírus a ativam para evitar a morte prematura da célula hospedeira (prolongando a viabilidade celular e permitindo a replicação viral), enquanto outros a modulam para facilitar a entrada ou o tráfego de vesículas. O ponto-chave é que não existe um padrão único: a ativação é contextual e depende do vírus e do tipo celular.
A pegadinha da banca está em generalizar: as alternativas incorretas tentam impor uma regra absoluta ("apenas em fases tardias", "geralmente suprimida", "função exclusivamente antiviral", "cascata conservada que resulta em inibição de apoptose em todas as infecções"). A ciência, porém, mostra que a modulação é diversa e específica de cada interação vírus-célula.
Vírus e vias de sinalização
1Parasitas intracelulares obrigatórios
Dependem da célula hospedeira
Sequestram maquinaria celular
2Via PI3K-AKT
Promove sobrevivência celular
Inibe apoptose
Regula metabolismo e tráfego
3Modulação viral
Ativa em diferentes fases
Favorece penetração e replicação
Efeitos contextuais
Conforme o vírus
Conforme o tipo celular
4Padrão geral
Ativa vias pró-sobrevivência
Não suprime (morte precoce)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os vírus ativam vias como PI3K-AKT apenas em fases tardias da infecção, quando a replicação já está completa. Isso é falso: a ativação pode ocorrer em diferentes momentos do ciclo viral, inclusive nas fases iniciais, como na penetração e na entrada do vírus na célula. A via PI3K-AKT, por exemplo, pode ser ativada já na ligação do vírus aos receptores celulares, favorecendo a internalização. Não há uma restrição temporal única.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a via PI3K-AKT é geralmente suprimida por vírus, pois limitaria a multiplicação viral. É o oposto: muitos vírus ativam essa via justamente porque ela promove a sobrevivência celular e o metabolismo, condições favoráveis à replicação viral. A supressão da via levaria à morte celular precoce, o que prejudicaria a produção de novos vírus. A lógica viral é manter a célula viva e funcionando a seu favor.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sustenta que a modulação de vias de sinalização tem função exclusivamente antiviral e depende da produção de interferons. Há dois erros: (1) a modulação não é exclusivamente antiviral — ela pode ser pró-viral, favorecendo a infecção; (2) embora os interferons sejam importantes na resposta antiviral, a modulação de vias como PI3K-AKT pelos vírus não depende deles. Os vírus exploram essas vias diretamente, independentemente da resposta imune inata.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa captura com precisão o cenário descrito no enunciado: a ativação de vias como PI3K-AKT pode favorecer a penetração e multiplicação de diferentes vírus, com impactos distintos dependendo do vírus e do tipo celular infectado. O termo "pode" é crucial — não é uma regra absoluta, mas uma possibilidade contextual. E "impactos distintos" reflete a diversidade de efeitos observados na literatura, como inibição de apoptose em alguns casos, promoção de tráfego vesicular em outros, etc.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a via PI3K-AKT é ativada de forma semelhante por diferentes vírus, seguindo uma cascata conservada que resulta em inibição de apoptose em todas as infecções. Erra ao generalizar: a ativação não é uniforme, e o resultado não é sempre a inibição de apoptose. Diferentes vírus podem ativar a via com intensidades e consequências variadas, e em alguns contextos a via pode ser modulada de outras formas. A palavra "todas" torna a afirmação insustentável.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tendência de generalizar. As alternativas A, B, C e E usam termos absolutos como "apenas", "geralmente", "exclusivamente" e "todas" — na biologia, especialmente em virologia, regras absolutas raramente se sustentam. A alternativa D, com o verbo "pode" e a expressão "impactos distintos", é a única que reflete a complexidade real do tema. Fique atento a palavras como "sempre", "nunca", "todas", "apenas" — elas costumam sinalizar o distrator.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre vírus e vias de sinalização, lembre-se do princípio geral: os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios que "sequestram" a maquinaria celular. Eles tendem a ativar vias que promovem sobrevivência e metabolismo (como PI3K-AKT) para manter a célula viva durante a replicação. Quando a alternativa falar em "supressão" ou "função exclusivamente antiviral", desconfie — o padrão é o oposto.