Questão de Biologia — Moléculas, células e tecidos — VUNESP 2025
Biologia›Moléculas, células e tecidos
Código
vu091871
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Virologia
Em relação à tradução dos genomas dos vírus de RNA de fita positiva que não produzem RNA subgenômicos, é correto afirmar que no processo inicial de expressão gênica desses vírus
Ao RNA genômico é traduzido em uma ou mais poliproteínas que são subsequentemente clivadas por proteases virais e/ou celulares em proteínas funcionais.
Bo RNA genômico é transcrito em subgenomas que são traduzidos separadamente, garantindo expressão diferencial de proteínas estruturais.
Co RNA genômico é traduzido diretamente em múltiplas proteínas individuais por ribossomos celulares, sem necessidade de processamento adicional.
Do RNA genômico precisa ser convertido em DNA complementar para permitir a tradução eficiente.
Ea tradução inicial necessita de reconhecimento cap-dependente seguido por replicação no núcleo da célula hospedeira.
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GabaritoA — o RNA genômico é traduzido em uma ou mais poliproteínas que são subsequentemente clivadas por proteases virais e/ou celulares em proteínas funcionais.
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Tradução do genoma de vírus de RNA de fita positiva
Gabarito: letra A. Em vírus de RNA de fita positiva que não produzem RNA subgenômicos, o RNA genômico atua diretamente como mRNA e é traduzido em uma ou mais poliproteínas, que são posteriormente clivadas por proteases virais e/ou celulares em proteínas funcionais — essa é a estratégia clássica de expressão gênica desses vírus.
O enunciado trata de um mecanismo específico de expressão gênica viral. Vírus de RNA de fita positiva (como poliovírus, rinovírus, vírus da hepatite A, entre outros) têm seu genoma RNA que funciona diretamente como RNA mensageiro. Isso significa que, ao entrar na célula hospedeira, o RNA genômico é imediatamente reconhecido pelos ribossomos celulares e traduzido, sem necessidade de transcrição prévia. A particularidade é que, em muitos desses vírus, o produto da tradução não é uma única proteína, mas sim uma poliproteína — uma longa cadeia polipeptídica que contém várias proteínas virais em sequência. Essa poliproteína precisa ser clivada (quebrada) por proteases para gerar as proteínas funcionais individuais. As proteases podem ser codificadas pelo próprio vírus (como a protease 3C dos picornavírus) ou podem ser celulares.
A alternativa A descreve exatamente esse processo: o RNA genômico é traduzido em poliproteínas, que são subsequentemente clivadas por proteases virais e/ou celulares em proteínas funcionais. Essa é a estratégia de expressão gênica de vírus como poliovírus, rinovírus, vírus da febre aftosa, entre outros.
As demais alternativas apresentam mecanismos que não se aplicam a esse grupo de vírus, como veremos a seguir.
Expressão gênica viral (RNA+): Sem subgenomas (Traduz poliproteína, Clivagem por proteases); Com subgenomas (Transcrição de subgenomas, Tradução separada); Retrovírus (Transcriptase reversa, Integração ao DNA); RNA fita negativa (RNA pol dependente de RNA, Gera mRNA)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve corretamente o processo de expressão gênica de vírus de RNA de fita positiva que não produzem RNA subgenômicos. O RNA genômico é traduzido diretamente em uma ou mais poliproteínas, que são clivadas por proteases virais e/ou celulares para gerar as proteínas funcionais. Esse é o mecanismo clássico de vírus como os picornavírus (poliovírus, rinovírus) e o vírus da hepatite A.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o RNA genômico é transcrito em subgenomas que são traduzidos separadamente. Isso é característico de vírus que produzem RNA subgenômicos (como os coronavírus e togavírus), mas o enunciado especifica vírus que não produzem RNA subgenômicos. Portanto, essa alternativa descreve um mecanismo diferente, não aplicável ao grupo em questão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o RNA genômico é traduzido diretamente em múltiplas proteínas individuais, sem necessidade de processamento adicional. Isso está incorreto porque, nesses vírus, a tradução gera uma poliproteína única (ou poucas), que precisa ser clivada para gerar as proteínas individuais. A alternativa nega a necessidade de processamento, o que contraria o mecanismo real.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o RNA genômico precisa ser convertido em DNA complementar para permitir a tradução eficiente. Isso é característico de retrovírus (como o HIV), que possuem transcriptase reversa e integram o DNA viral ao genoma da célula hospedeira. Vírus de RNA de fita positiva não precisam dessa conversão, pois seu RNA já é diretamente traduzível.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a tradução inicial necessita de reconhecimento cap-dependente seguido por replicação no núcleo da célula hospedeira. Dois erros: (1) muitos vírus de RNA de fita positiva não possuem cap 5' e utilizam mecanismos alternativos de iniciação da tradução, como o IRES (Internal Ribosome Entry Site); (2) a replicação desses vírus ocorre no citoplasma, não no núcleo. Portanto, a alternativa está incorreta em ambos os pontos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os diferentes mecanismos de expressão gênica viral. O candidato pode confundir vírus de RNA de fita positiva que não produzem subgenomas (que traduzem poliproteínas) com vírus que produzem subgenomas (alternativa B) ou com retrovírus (alternativa D). Fique atento: a chave é identificar se o vírus produz RNA subgenômicos ou não, e se o RNA genômico é diretamente traduzível.
PEGA ESSA DICA!
Para resolver questões sobre expressão gênica viral, monte uma tabela comparativa:
Tipo de vírus
Estratégia de expressão
Exemplo
RNA fita positiva (sem subgenomas)
Tradução do RNA genômico em poliproteína → clivagem
Poliovírus, rinovírus
RNA fita positiva (com subgenomas)
Transcrição de subgenomas → tradução separada
Coronavírus, togavírus
Retrovírus
Transcriptase reversa → DNA → integração → transcrição