Questão de Biologia — Identidade dos seres vivos — VUNESP 2025
Biologia›Identidade dos seres vivos
Código
vu091882
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Virologia
A entrada de vírus em células hospedeiras envolve interações específicas com receptores de superfície celular. Em muitos casos, além do receptor primário, são necessários correceptores para que ocorra a fusão ou endocitose. O entendimento dessas interações tem levado ao desenvolvimento de antivirais que bloqueiam a penetração viral.Considerando esse contexto, assinale a alternativa correta.
AO HIV-1 necessita de correceptores, como CCR5 ou CXCR4, além do CD4, para realizar a fusão com a célula-alvo.
BVírus envelopados não utilizam correceptores, pois a fusão viral depende apenas do reconhecimento inicial do receptor primário.
CA especificidade de tropismo viral é determinada apenas pela sequência do RNA viral, sendo invariável ao longo da infecção.
DA proteína HA do vírus influenza sofre rearranjo conformacional na superfície celular logo após reconhecer o ácido siálico, promovendo fusão imediata.
EO uso de correceptores é uma estratégia exclusiva de vírus de DNA não envelopados.
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GabaritoA — O HIV-1 necessita de correceptores, como CCR5 ou CXCR4, além do CD4, para realizar a fusão com a célula-alvo.
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Entrada de vírus em células hospedeiras: correceptores e tropismo
Gabarito: letra A. O HIV-1 necessita dos correceptores CCR5 ou CXCR4 além do CD4 para realizar a fusão com a célula-alvo. As demais alternativas contêm erros conceituais: a B nega o uso de correceptores por vírus envelopados, a C afirma que o tropismo é invariável, a D inverte a ordem dos eventos no influenza e a E impõe uma exclusividade que não existe. O entendimento correto dessas interações é fundamental para o desenvolvimento de antivirais.
Análise das alternativas
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O HIV-1 é um retrovírus envelopado que se liga inicialmente ao receptor primário CD4 presente em linfócitos T e macrófagos. Porém, essa ligação não é suficiente para a fusão: é necessário o envolvimento de um correceptor, que pode ser CCR5 (tropismo R5) ou CXCR4 (tropismo X4). A interação com o correceptor desencadeia mudanças conformacionais na glicoproteína gp41, permitindo a fusão do envelope viral com a membrana celular. Esse é um exemplo clássico de entrada viral mediada por correceptor, alvo de antivirais como os antagonistas de CCR5 (ex.: maraviroque).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A afirmação de que "Vírus envelopados não utilizam correceptores" é falsa. Muitos vírus envelopados, incluindo o HIV-1, o vírus Ebola, o herpesvírus e o coronavírus (SARS-CoV-2), utilizam correceptores além do receptor primário. Por exemplo, o SARS-CoV-2 usa o receptor ACE2 e depende do correceptor TMPRSS2 para a entrada. Portanto, a presença de envelope não exclui a necessidade de correceptores.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O tropismo viral (capacidade de infectar determinados tipos celulares) não é determinado "apenas pela sequência do RNA viral" nem é invariável. Mutações no genoma viral podem alterar as proteínas de superfície, modificando o tropismo. Um exemplo é a mudança de tropismo do HIV-1 de CCR5 para CXCR4 durante a progressão da infecção. Além disso, fatores do hospedeiro e a expressão diferencial de receptores também influenciam o tropismo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A proteína HA (hemaglutinina) do vírus influenza de fato reconhece o ácido siálico na superfície celular e sofre rearranjo conformacional, mas isso não ocorre "imediatamente" na superfície. A HA é clivada em HA1 e HA2, e o rearranjo que expõe o peptídeo de fusão é desencadeado pelo pH ácido do endossomo após a endocitose do vírus. Portanto, a fusão ocorre no interior da célula, não na superfície.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O uso de correceptores não é exclusivo de vírus de DNA não envelopados. Vírus de RNA envelopados (como HIV, influenza, Ebola) e vírus de DNA envelopados (como herpes) também utilizam correceptores. Além disso, vírus não envelopados podem usar correceptores em processos de endocitose. A afirmação generaliza erroneamente.
NÃO CAIA NESSA!
A pegadinha da banca está na alternativa B, que nega o uso de correceptores por vírus envelopados — uma afirmação contraintuitiva para quem memorizou que apenas alguns vírus usam correceptores. Na verdade, muitos vírus envelopados dependem de correceptores, e o HIV é o exemplo mais emblemático. Fique atento a generalizações e inversões de termos.
Conclusão: A alternativa correta é a letra A, pois descreve com precisão a entrada do HIV-1, que necessita de correceptores (CCR5 ou CXCR4) além do CD4.