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Questão de Biologia — Hereditariedade e diversidade da vida — VUNESP 2025

BiologiaHereditariedade e diversidade da vida
Código
vu091885
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Virologia
Modelos experimentais, utilizando vírus com mutações de perda ou ganho de função, têm se mostrado ferramentas valiosas para investigar os determinantes moleculares da patogenicidade viral, que permite o estudo de fatores associados à evasão imune, tropismo e transmissibilidade. No contexto de viroses emergentes e reemergentes, esses modelos também apoiam estratégias de desenvolvimento de vacinas e antivirais.Com base nas informações apresentadas, assinale a alternativa correta sobre o uso de mutações funcionais em vírus.
  1. AA deleção do gene da enzima timidina quinase do herpesvírus constitui uma mutação de ganho de função, pois facilita a reativação viral a partir da latência.
  2. BMutações de ganho de função aumentam a expressão gênica sem alterar as propriedades bioquímicas ou fenotípicas da proteína viral.
  3. CMutações de ganho de função em proteínas de superfície viral, como a hemaglutinina do vírus influenza, estão restritas a alterações na evasão imune, sem impacto na transmissibilidade.
  4. DA deleção do gene K1L do vírus vaccinia resulta em perda da capacidade de multiplicação em células humanas, sendo um exemplo de mutação de perda de função útil para o estudo de permissividade celular.
  5. EMutações de perda de função levam frequentemente à inviabilidade viral, o que impede sua aplicação em estudos funcionais.
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GabaritoD — A deleção do gene K1L do vírus vaccinia resulta em perda da capacidade de multiplicação em células humanas, sendo um exemplo de mutação de perda de função útil para o estudo de permissividade celular.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mutações funcionais em vírus: perda e ganho de função

Gabarito: letra D. A deleção do gene K1L do vírus vaccinia é um exemplo clássico de mutação de perda de função — a ausência do gene impede a multiplicação viral em células humanas, sendo uma ferramenta para estudar a permissividade celular. As demais alternativas distorcem o conceito de mutação de ganho de função ou apresentam informações incorretas sobre os efeitos das mutações.

O enunciado aborda o uso de mutações de perda e ganho de função como ferramentas experimentais para estudar a patogenicidade viral. Esses dois tipos de mutação são conceitos centrais da genética molecular e da virologia, e a banca explora justamente a compreensão correta de cada um.

Mutação de perda de função (loss-of-function): ocorre quando uma mutação elimina ou reduz a atividade de um gene ou proteína. Isso pode acontecer por deleção, inserção, ou mutação pontual que inativa o produto gênico. O efeito é a perda de uma função que o organismo (ou vírus) normalmente possui. No contexto experimental, essas mutações são extremamente úteis para identificar qual gene é responsável por qual função: ao "desligar" um gene, observa-se qual característica é perdida.

Mutação de ganho de função (gain-of-function): ocorre quando uma mutação confere uma nova função ou aumenta a atividade de uma proteína. Isso pode acontecer por alteração na sequência que torna a proteína mais ativa, ou por mudança que permite à proteína interagir com novos alvos. No contexto viral, mutações de ganho de função podem aumentar a patogenicidade, alterar o tropismo ou melhorar a evasão imune.

A pegadinha central desta questão é a inversão dos conceitos: a banca apresenta situações de perda de função como se fossem de ganho (alternativa A) e vice-versa, além de fazer afirmações incorretas sobre os efeitos dessas mutações. O candidato que não domina a diferença entre os dois tipos de mutação acaba errando.

Mutações funcionais em vírus
  • 1Perda de função (loss-of-function)
    • Elimina ou reduz atividade
    • Deleção, inserção, mutação pontual
    • Útil para identificar função do gene
    • Ex.: deleção do gene K1L (vaccinia)
      • Perde multiplicação em células humanas
      • Estudo da permissividade celular
  • 2Ganho de função (gain-of-function)
    • Confere nova função ou aumenta atividade
    • Altera propriedades bioquímicas/fenotípicas
    • Pode afetar patogenicidade, tropismo, evasão imune
    • Ex.: hemaglutinina do influenza
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A deleção do gene da timidina quinase (TK) do herpesvírus é uma mutação de perda de função, não de ganho. A enzima timidina quinase é essencial para a replicação viral em células em repouso (não divididas), pois o vírus precisa dela para fosforilar nucleosídeos e incorporá-los ao DNA viral. A deleção desse gene prejudica a reativação a partir da latência, não a facilita. A alternativa inverte completamente o efeito da mutação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Mutações de ganho de função alteram as propriedades bioquímicas ou fenotípicas da proteína — é exatamente isso que define esse tipo de mutação. Se a mutação apenas aumentasse a expressão gênica sem alterar a proteína, seria uma mutação regulatória, não uma mutação de ganho de função no sentido clássico. O ganho de função implica uma nova capacidade ou atividade aumentada da proteína, o que necessariamente altera seu fenótipo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Mutações de ganho de função em proteínas de superfície viral, como a hemaglutinina do influenza, não estão restritas à evasão imune. Essas mutações podem afetar o tropismo (capacidade de infectar diferentes células/hospedeiros) e a transmissibilidade (eficiência de transmissão entre hospedeiros). A hemaglutinina é a proteína responsável pela ligação do vírus ao receptor da célula hospedeira, e mutações nela podem alterar tanto a especificidade de ligação quanto a capacidade de evasão imune. A alternativa tenta restringir indevidamente o efeito dessas mutações.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A deleção do gene K1L do vírus vaccinia é um exemplo clássico de mutação de perda de função. O gene K1L codifica uma proteína que inibe a resposta antiviral da célula hospedeira (especificamente, a via do fator de transcrição NF-κB). Quando esse gene é deletado, o vírus perde a capacidade de se multiplicar em células humanas, pois não consegue mais suprimir a resposta imune inata da célula. Esse fenótipo torna o vírus mutante uma ferramenta valiosa para estudar a permissividade celular — ou seja, quais fatores celulares são necessários para a replicação viral. A alternativa está correta em todos os seus termos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Mutações de perda de função não levam frequentemente à inviabilidade viral. Embora algumas mutações possam ser letais, muitas outras resultam em fenótipos viáveis, porém com funções alteradas. É justamente essa viabilidade que permite o uso dessas mutações em estudos funcionais. Se todas as mutações de perda de função fossem letais, seria impossível estudá-las. A alternativa faz uma generalização incorreta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte os conceitos de perda e ganho de função. Na alternativa A, uma deleção (perda de função) é apresentada como ganho de função; na alternativa E, afirma-se que mutações de perda de função são inviáveis, quando na verdade muitas são viáveis e úteis. O candidato que não domina a definição precisa de cada tipo de mutação cai facilmente nessas armadilhas. 💪

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões sobre mutações funcionais, pergunte-se sempre: "A mutação ELIMINA uma função existente (perda) ou CRIA uma nova função/atividade (ganho)?" Deleções e inativações são tipicamente perda de função; mutações que conferem novas capacidades ou aumentam atividade são ganho de função. Essa distinção simples resolve a maioria das questões do tema.

Gabarito: letra D.

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