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Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — VUNESP 2025

MedicinaAlergia e Imunologia
Código
vu091892
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Virologia
Com base no funcionamento da imunidade adaptativa contra infecções virais, assinale a alternativa correta.
  1. AA ativação de linfócitos B e T depende do reconhecimento específico de antígenos virais; os linfócitos B, quando ativados, produzem anticorpos que neutralizam o vírus.
  2. BA imunidade adaptativa responde de forma idêntica a cada nova exposição viral, independentemente da exposição prévia.
  3. CAs células T reconhecem proteínas virais intactas localizadas na superfície de vírus extracelulares.
  4. DA resposta adaptativa é inespecífica e se baseia exclusivamente em padrões moleculares compartilhados entre os vírus.
  5. EA resposta adaptativa é mediada principalmente por células do sistema imune inato, como neutrófilos e células NK.
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GabaritoA — A ativação de linfócitos B e T depende do reconhecimento específico de antígenos virais; os linfócitos B, quando ativados, produzem anticorpos que neutralizam o vírus.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Imunidade adaptativa contra infecções virais

Gabarito: letra A. A imunidade adaptativa é específica e depende do reconhecimento de antígenos virais por linfócitos B e T; os linfócitos B, quando ativados, diferenciam-se em plasmócitos e produzem anticorpos que neutralizam o vírus. As demais alternativas distorcem conceitos fundamentais: a resposta adaptativa tem memória (não é idêntica a cada exposição), as células T reconhecem peptídeos processados apresentados por MHC (não proteínas intactas na superfície de vírus extracelulares), é altamente específica (não inespecífica) e é mediada por linfócitos (não por células do sistema inato).

A imunidade adaptativa é o braço do sistema imunológico que confere especificidade e memória. Diferentemente da imunidade inata, que responde de forma rápida e inespecífica a padrões moleculares compartilhados, a adaptativa reconhece antígenos específicos de cada patógeno e "lembra" desses encontros, permitindo respostas mais rápidas e potentes em exposições subsequentes. Os protagonistas dessa resposta são os linfócitos B e T, que possuem receptores altamente específicos gerados por rearranjo gênico — estima-se que os linfócitos B podem produzir cerca de 10¹² diferentes moléculas de imunoglobulina, enquanto os linfócitos T podem ter até 10¹⁸ receptores de linfócitos T (TCR) diferentes.

Os linfócitos B são responsáveis pela imunidade humoral: reconhecem antígenos nativos (proteínas intactas, polissacarídeos, etc.) por meio de imunoglobulinas de superfície e, quando ativados, diferenciam-se em plasmócitos que secretam anticorpos. Esses anticorpos neutralizam vírus extracelulares, bloqueando sua ligação a receptores celulares e marcando-os para destruição por fagócitos ou pelo sistema complemento. Já os linfócitos T são responsáveis pela imunidade celular: as células T CD4+ (auxiliares) reconhecem peptídeos antigênicos apresentados por moléculas de MHC classe II em células apresentadoras de antígenos (APCs), como células dendríticas, e orquestram a resposta imune; as células T CD8+ (citotóxicas) reconhecem peptídeos apresentados por MHC classe I em células infectadas e as eliminam por lise ou apoptose. É importante destacar que as células T não reconhecem proteínas virais intactas na superfície de vírus extracelulares — elas reconhecem fragmentos peptídicos processados e apresentados no contexto de moléculas de MHC.

A memória imunológica é uma característica central da imunidade adaptativa. Na primeira exposição a um vírus (resposta primária), há uma fase de latência (ativação e expansão clonal), seguida de uma fase efetora (produção de anticorpos e células efetoras) e, por fim, uma fase de contração, na qual a maioria das células efetoras morre por apoptose, mas algumas permanecem como células de memória. Na segunda exposição ao mesmo vírus (resposta secundária), essas células de memória são rapidamente ativadas, resultando em uma resposta mais rápida, de maior magnitude e com anticorpos de maior afinidade. Isso explica por que a imunidade adaptativa não responde de forma idêntica a cada exposição — ela responde de forma progressivamente mais eficiente.

A distinção entre imunidade inata e adaptativa é fundamental para entender a questão. A imunidade inata é a primeira linha de defesa, inespecífica, e inclui barreiras físicas (pele, mucosas), células fagocíticas (neutrófilos, macrófagos), células NK e o sistema complemento. As células NK, por exemplo, são grandes linfócitos granulares que destroem células infectadas por vírus e fazem parte da primeira linha de defesa enquanto a imunidade adaptativa está em desenvolvimento. A imunidade adaptativa, por sua vez, é específica, tem memória e é mediada por linfócitos B e T. A banca explora exatamente essa confusão: atribuir à resposta adaptativa características da inata (inespecificidade, mediação por neutrófilos e NK) ou vice-versa.

Guarde a fronteira entre o que é específico e o que é inespecífico, entre o que é mediado por linfócitos e o que é mediado por fagócitos/NK, e entre o reconhecimento de antígenos nativos (linfócitos B) e o reconhecimento de peptídeos apresentados por MHC (linfócitos T). É exatamente nesses três eixos que as alternativas se dividem.

1Especificidade
Linfócitos B (antígenos nativos)
Linfócitos T (peptídeos + MHC)
2Memória
Resposta primária (lenta)
Resposta secundária (rápida)
3Efetores
Plasmócitos → anticorpos
T CD4+ (auxiliares)
T CD8+ (citotóxicos)
Imunidade adaptativa
LEVELsoulevel.com.br
Imunidade adaptativa: Especificidade (Linfócitos B (antígenos nativos), Linfócitos T (peptídeos + MHC)); Memória (Resposta primária (lenta), Resposta secundária (rápida)); Efetores (Plasmócitos → anticorpos, T CD4+ (auxiliares), T CD8+ (citotóxicos))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta porque descreve com precisão o funcionamento da imunidade adaptativa contra vírus. A ativação de linfócitos B e T depende do reconhecimento específico de antígenos virais: os linfócitos B reconhecem antígenos nativos por meio de imunoglobulinas de superfície, e os linfócitos T reconhecem peptídeos virais apresentados por moléculas de MHC. Quando ativados, os linfócitos B diferenciam-se em plasmócitos e produzem anticorpos específicos que neutralizam o vírus extracelular, bloqueando sua entrada nas células e marcando-o para destruição. Essa é a essência da imunidade humoral adaptativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a imunidade adaptativa responde de forma idêntica a cada nova exposição viral, independentemente da exposição prévia. Isso é falso: a característica central da imunidade adaptativa é a memória imunológica. Na resposta secundária a um mesmo antígeno, as células de memória (linfócitos B e T de memória) são rapidamente ativadas, produzindo uma resposta mais rápida, de maior magnitude e com anticorpos de maior afinidade. A resposta não é idêntica — ela é progressivamente mais eficiente a cada exposição. O erro aqui é ignorar o conceito de memória imunológica, que é a base das vacinas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que as células T reconhecem proteínas virais intactas localizadas na superfície de vírus extracelulares. Isso é incorreto: as células T não reconhecem antígenos nativos intactos. Elas reconhecem apenas peptídeos antigênicos processados e apresentados por moléculas de MHC na superfície de células apresentadoras de antígenos (APCs) ou de células infectadas. As células T CD4+ reconhecem peptídeos em MHC classe II, e as células T CD8+ reconhecem peptídeos em MHC classe I. O reconhecimento de proteínas intactas na superfície de vírus extracelulares é função dos anticorpos (linfócitos B), não das células T. A alternativa confunde o reconhecimento de antígenos pelos linfócitos B com o das células T.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a resposta adaptativa é inespecífica e se baseia exclusivamente em padrões moleculares compartilhados entre os vírus. Isso é duplamente incorreto. Primeiro, a resposta adaptativa é altamente específica — cada linfócito B e T possui um receptor único para um antígeno específico, gerado por rearranjo gênico. Segundo, o reconhecimento de padrões moleculares compartilhados (PAMPs) é característica da imunidade inata, não da adaptativa. A resposta adaptativa reconhece antígenos específicos de cada patógeno, não padrões compartilhados. A alternativa inverte completamente os papéis da imunidade inata e adaptativa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a resposta adaptativa é mediada principalmente por células do sistema imune inato, como neutrófilos e células NK. Isso é incorreto: a resposta adaptativa é mediada por linfócitos B e T. Neutrófilos e células NK são componentes da imunidade inata, que atuam como primeira linha de defesa, mas não são os mediadores da resposta adaptativa. As células NK, por exemplo, são importantes na defesa inicial contra vírus, mas a resposta adaptativa específica e de memória é função dos linfócitos. A alternativa confunde os dois braços do sistema imunológico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre imunidade inata e adaptativa. Nas alternativas D e E, ela atribui à resposta adaptativa características da inata (inespecificidade, padrões moleculares compartilhados, mediação por neutrófilos e NK). Na alternativa C, ela troca o reconhecimento de antígenos pelos linfócitos B (proteínas intactas) pelo das células T (peptídeos apresentados por MHC). Na alternativa B, ela nega a memória imunológica, que é a base da vacinação. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de imunologia, monte um quadro mental comparando os dois braços do sistema imune:

Critério

Imunidade Inata

Imunidade Adaptativa

Especificidade

Inespecífica (PAMPs)

Específica (antígenos)

Memória

Não

Sim (células de memória)

Células

Neutrófilos, macrófagos, NK, dendríticas

Linfócitos B e T

Reconhecimento

Padrões moleculares

Receptores específicos (BCR/TCR)

Resposta

Rápida (horas)

Lenta na 1ª exposição, rápida na 2ª

Essa tabela resolve a maioria das questões que pedem para distinguir os dois sistemas.

Gabarito: letra A

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