Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — VUNESP 2025
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
vu091895
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Científico I - Área de Especialização: Virologia
A imunidade celular induzida por vacinas desempenha papel fundamental na proteção contra infecções virais, especialmente quando a imunidade humoral é insuficiente ou ausente. Considerando os mecanismos de ação e os desafios associados à resposta de células T CD8+ citotóxicas (CTL) induzidas por vacinas, assinale a alternativa correta.
AA atividade das CTL é capaz de prevenir a infecção viral inicial, atuando como primeira linha de defesa antes da entrada do vírus nas células-alvo.
BAs CTL eliminam células infectadas por mecanismos líticos e também por secreção de citocinas e quimiocinas que inibem a multiplicação viral, sendo essa função crítica para a contenção de infecções estabelecidas.
CA apresentação cruzada de antígenos é um mecanismo restrito às células infectadas por vírus, sendo pouco relevante para a ativação de CTL naïve.
DAs respostas de CTL são independentes de restrição do MHC, permitindo que epítopos virais ativem linfócitos T CD8+ em qualquer indivíduo, independentemente do seu haplótipo HLA.
EPor serem altamente eficazes, as CTL raramente contribuem para a imunopatologia, mesmo quando transferidas passivamente durante infecção viral.
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GabaritoB — As CTL eliminam células infectadas por mecanismos líticos e também por secreção de citocinas e quimiocinas que inibem a multiplicação viral, sendo essa função crítica para a contenção de infecções estabelecidas.
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Imunidade celular e vacinas: o papel das CTL
Gabarito: letra B. As células T CD8+ citotóxicas (CTL) eliminam células infectadas por mecanismos líticos (perfurina/granzimas) e também por secreção de citocinas e quimiocinas que inibem a multiplicação viral — função crítica para conter infecções já estabelecidas, quando a imunidade humoral é insuficiente. As demais alternativas distorcem o papel das CTL: elas não previnem a infecção inicial (isso é papel dos anticorpos neutralizantes), dependem de restrição ao MHC e da apresentação cruzada por células dendríticas, e podem sim contribuir para imunopatologia.
A imunidade celular é o braço da resposta adaptativa que lida com patógenos intracelulares — vírus, algumas bactérias e parasitas. Enquanto os anticorpos neutralizam vírus livres no espaço extracelular (impedindo a infecção de novas células), as CTL reconhecem e destroem as células que já estão infectadas, eliminando o reservatório onde o vírus se replica. Essa divisão de trabalho é essencial: a imunidade humoral "protege a porta de entrada", mas uma vez que o vírus invade a célula, só a imunidade celular consegue alcançá-lo.
As CTL exercem sua função por duas vias principais. A primeira é a citotoxicidade direta: ao reconhecer o complexo MHC classe I + peptídeo viral na superfície da célula infectada, a CTL libera grânulos contendo perforina (que forma poros na membrana) e granzimas (que ativam caspases e induzem apoptose). A segunda é a secreção de citocinas e quimiocinas, como IFN-γ e TNF-α, que têm efeito antiviral direto — inibem a replicação viral nas células vizinhas e recrutam outras células imunes para o foco da infecção. É exatamente essa dupla ação que a alternativa B descreve com precisão.
Um ponto central para vacinas que buscam induzir CTL é a apresentação cruzada (cross-presentation). Células dendríticas imaturas capturam antígenos de células infectadas ou de vacinas, processam-nos e os apresentam via MHC classe I para linfócitos T CD8+ naïve nos linfonodos. Esse mecanismo é fundamental para a ativação de CTL a partir de antígenos exógenos — não é restrito às células infectadas, como afirma a alternativa C. É por isso que vacinas de subunidade ou de vírus inativado, que não infectam células, ainda assim podem gerar resposta CD8+ quando o antígeno é capturado e apresentado de forma cruzada por células dendríticas.
A restrição ao MHC é outra característica inegociável: as CTL só reconhecem antígenos apresentados por moléculas de MHC classe I do próprio indivíduo. Isso significa que a resposta CD8+ é altamente dependente do haplótipo HLA de cada pessoa — o que coloca um desafio para vacinas de ampla cobertura, pois diferentes populações expressam diferentes moléculas HLA. A alternativa D, ao afirmar que a resposta é independente de restrição do MHC, está frontalmente errada.
Por fim, a imunopatologia: embora as CTL sejam essenciais para o controle viral, elas também podem causar dano tecidual. Em infecções como hepatite B e C, a lesão hepática é mediada em grande parte pela resposta imune citotóxica contra hepatócitos infectados, não pelo vírus diretamente. A transferência passiva de CTL durante infecção aguda pode exacerbar esse dano — fenômeno bem documentado em modelos de infecção viral. Portanto, a alternativa E, que minimiza a contribuição das CTL para a imunopatologia, também está incorreta.
Guarde a fronteira que separa as alternativas: CTL agem em infecções estabelecidas, não previnem a infecção inicial; dependem de MHC e de apresentação cruzada; e podem causar imunopatologia. É exatamente nesses três eixos que as alternativas A, C, D e E erram.
CTL (T CD8+ citotóxicas)
1Função
Eliminam células infectadas
Contêm infecção estabelecida
2Mecanismos
Líticos (perforina/granzimas)
Citocinas/quimiocinas (IFN-γ, TNF-α)
3Ativação
Apresentação cruzada (dendríticas)
Restrição ao MHC classe I
4Limitações
Não previnem infecção inicial
Podem causar imunopatologia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que as CTL previnem a infecção viral inicial, atuando como primeira linha de defesa antes da entrada do vírus nas células-alvo. Isso é papel dos anticorpos neutralizantes, que se ligam a vírus livres no espaço extracelular e impedem sua entrada nas células. As CTL só atuam depois que a célula foi infectada, reconhecendo o complexo MHC classe I + peptídeo viral na superfície celular. A prevenção da infecção inicial é função da imunidade humoral, não da citotóxica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve com precisão o mecanismo de ação das CTL: eliminação de células infectadas por mecanismos líticos (perforina/granzimas) e secreção de citocinas e quimiocinas (IFN-γ, TNF-α) que inibem a multiplicação viral. Essa dupla ação é crítica para a contenção de infecções estabelecidas, exatamente quando a imunidade humoral é insuficiente — o cenário descrito no enunciado. A alternativa espelha a função real das CTL na resposta antiviral.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a apresentação cruzada é restrita às células infectadas e pouco relevante para ativação de CTL naïve. Na verdade, a apresentação cruzada é o mecanismo pelo qual células dendríticas capturam antígenos exógenos (de células infectadas ou de vacinas) e os apresentam via MHC classe I para linfócitos T CD8+ naïve nos linfonodos. É justamente o contrário: a apresentação cruzada é essencial para ativar CTL naïve a partir de antígenos que não são produzidos dentro da própria célula apresentadora. Sem ela, vacinas de subunidade não gerariam resposta CD8+.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que as respostas de CTL são independentes de restrição do MHC. Isso é falso: as CTL só reconhecem antígenos apresentados por moléculas de MHC classe I do próprio indivíduo. A restrição ao MHC é um princípio fundamental da imunidade adaptativa — cada linfócito T CD8+ só é ativado quando seu TCR reconhece o peptídeo no contexto do MHC self. O haplótipo HLA de cada pessoa determina quais epítopos virais serão apresentados e reconhecidos, o que é um desafio real para o desenho de vacinas de ampla cobertura.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que as CTL raramente contribuem para a imunopatologia, mesmo quando transferidas passivamente. Na verdade, as CTL podem causar dano tecidual significativo — em infecções como hepatite B e C, a lesão hepática é mediada em grande parte pela resposta citotóxica contra hepatócitos infectados. A transferência passiva de CTL durante infecção viral aguda pode exacerbar a imunopatologia, fenômeno documentado em modelos experimentais. A alternativa inverte a realidade: a imunopatologia mediada por CTL é um desafio conhecido no desenvolvimento de vacinas e terapias celulares.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o papel dos anticorpos neutralizantes (previnem a infecção inicial) e o das CTL (controlam infecções estabelecidas). A alternativa A parece plausível para quem não distingue os dois braços da resposta adaptativa — mas a prevenção da entrada do vírus é função da imunidade humoral, não da citotóxica. Fique atento: CTL agem depois da infecção celular, nunca antes.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre imunidade antiviral, monte mentalmente o fluxo: anticorpos neutralizam vírus livres (prevenção) → CTL eliminam células infectadas (contenção) → apresentação cruzada ativa CTL naïve → restrição ao MHC limita a resposta a cada indivíduo. Se a alternativa falar em "prevenção da infecção inicial" ou "independência do MHC", está errada — são os dois distratores clássicos.
Gabarito: letra B — a única que descreve corretamente o mecanismo de ação das CTL na contenção de infecções virais estabelecidas.