Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — VUNESP 2025
- Código
- vu092657
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- FAMEMA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico I - Especialidade: Anestesiologia
- Afibrina.
- Bplasmina.
- Ctrombina.
- Dcalicreína.
- Eantitrombina.
GabaritoB — plasmina.
Gabarito: letra B. O ácido tranexâmico é um antifibrinolítico que inibe a fibrinólise ao se ligar reversivelmente aos sítios de ligação da lisina no plasminogênio, impedindo sua conversão em plasmina — a enzima responsável por degradar a fibrina. Portanto, o principal mecanismo de ação relaciona-se com a inibição da ativação de plasminogênio em plasmina.
O ácido tranexâmico é um análogo sintético do aminoácido lisina, descoberto em 1962, e atua como droga antifibrinolítica. Para entender seu mecanismo, é preciso revisar a fibrinólise fisiológica: quando um coágulo de fibrina é formado, o plasminogênio (proenzima inativa) se liga à fibrina através de sítios específicos de lisina. O ativador tecidual de plasminogênio (t-PA), liberado pelo endotélio, converte o plasminogênio em plasmina, que então degrada a fibrina, dissolvendo o coágulo. O ácido tranexâmico, por ser análogo da lisina, liga-se reversivelmente a esses sítios de ligação da lisina no plasminogênio, bloqueando a interação com o t-PA e, consequentemente, impedindo a conversão de plasminogênio em plasmina. Isso estabiliza o coágulo e reduz o sangramento.
Na prática clínica, o ácido tranexâmico é utilizado em diversas situações de sangramento, como trauma (estudo CRASH-2), hemorragia pós-parto (estudo WOMAN) e cirurgia cardíaca, reduzindo a necessidade de transfusões e a mortalidade quando administrado precocemente. A dose recomendada é de 15-20 mg/kg, e os principais efeitos colaterais incluem cefaleia, convulsões, náuseas e distúrbios visuais. É importante destacar que, apesar de ser um antifibrinolítico, uma revisão sistemática de 22 estudos não mostrou associação significativa com risco de trombose.
A distinção crucial aqui é entre os componentes da cascata de coagulação e da fibrinólise. A plasmina é a enzima que degrada a fibrina; a trombina converte fibrinogênio em fibrina; a calicreína participa da via intrínseca da coagulação e da inflamação; e a antitrombina é um inibidor natural da trombina. O ácido tranexâmico atua especificamente na etapa de conversão do plasminogênio em plasmina, bloqueando a fibrinólise.
A pegadinha que a banca explora é a confusão entre os componentes da cascata de coagulação e da fibrinólise. O candidato pode confundir o alvo do ácido tranexâmico com a trombina (que converte fibrinogênio em fibrina) ou com a fibrina (que é o substrato da plasmina). No entanto, o mecanismo de ação é específico: inibição da ativação do plasminogênio em plasmina. Guarde essa fronteira: o ácido tranexâmico bloqueia a conversão de plasminogênio em plasmina, não a ação da trombina nem a degradação direta da fibrina.
A fibrina é o substrato da plasmina, ou seja, a proteína que é degradada durante a fibrinólise. O ácido tranexâmico não inibe a ativação de plasminogênio em fibrina; ele impede a conversão do plasminogênio em plasmina, que é a enzima que degrada a fibrina. A confusão aqui é entre o substrato (fibrina) e o produto da ativação (plasmina).
O ácido tranexâmico liga-se reversivelmente aos sítios de ligação da lisina no plasminogênio, impedindo sua conversão em plasmina pelo ativador tecidual de plasminogênio. Isso bloqueia a fibrinólise e estabiliza o coágulo. A alternativa está correta ao afirmar que o principal mecanismo de ação é a inibição da ativação de plasminogênio em plasmina.
A trombina é a enzima que converte fibrinogênio em fibrina na cascata de coagulação. O ácido tranexâmico não atua sobre a trombina; seu alvo é o sistema fibrinolítico, especificamente a conversão de plasminogênio em plasmina. A banca troca o alvo da droga, confundindo a via de coagulação com a via de fibrinólise.
A calicreína é uma enzima envolvida na via intrínseca da coagulação e na geração de cininas, participando da inflamação. Não é o alvo do ácido tranexâmico, que atua exclusivamente na fibrinólise, inibindo a conversão de plasminogênio em plasmina. A alternativa apresenta um componente da coagulação que não se relaciona com o mecanismo de ação do fármaco.
A antitrombina é um inibidor natural da trombina e de outros fatores da coagulação, atuando como anticoagulante endógeno. O ácido tranexâmico é um antifibrinolítico e não tem relação com a antitrombina. A confusão aqui é entre os sistemas anticoagulante e fibrinolítico, que são vias opostas no controle da hemostasia.
Gabarito: letra B
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