Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — VUNESP 2025
- Código
- vu092658
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- FAMEMA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico I - Especialidade: Anestesiologia
- Afentanil.
- Bpropofol.
- Cetomidato.
- Dmidazolam.
- Esuccnilcolina.
GabaritoE — succnilcolina.
Gabarito: letra E. O iodeto de ecotiofato é um inibidor irreversível da colinesterase, utilizado no tratamento do glaucoma, e sua principal implicação anestésica é a interação com a succinilcolina, um bloqueador neuromuscular despolarizante que depende da colinesterase plasmática para ser metabolizado. A inibição dessa enzima prolonga e potencializa o bloqueio neuromuscular da succinilcolina, podendo causar apneia prolongada e paralisia muscular estendida no pós-operatório.
O iodeto de ecotiofato (ou ecotiopato) é um agente anticolinesterásico de ação prolongada e irreversível, usado topicamente no glaucoma para reduzir a pressão intraocular ao aumentar a drenagem do humor aquoso. Por ser um inibidor irreversível da colinesterase, ele não apenas inibe a acetilcolinesterase na junção neuromuscular, mas também a butirilcolinesterase (colinesterase plasmática ou pseudocolinesterase), que é a enzima responsável pela hidrólise da succinilcolina. Essa inibição pode persistir por semanas após a interrupção do colírio, pois a síntese de novas enzimas é necessária para restaurar a atividade.
A succinilcolina é um bloqueador neuromuscular despolarizante que se liga aos receptores nicotínicos da placa motora, causando despolarização sustentada e paralisia flácida. Sua duração de ação é curta (cerca de 5 a 10 minutos) justamente porque é rapidamente hidrolisada pela colinesterase plasmática. Quando essa enzima está inibida pelo ecotiofato, a succinilcolina não é metabolizada na velocidade normal, resultando em níveis plasmáticos elevados por mais tempo e, consequentemente, em bloqueio neuromuscular prolongado. Isso se manifesta como apneia prolongada após a indução anestésica, dificuldade de extubação e necessidade de ventilação mecânica prolongada no pós-operatório.
Na prática, o anestesiologista deve estar atento a essa interação e considerar alternativas à succinilcolina, como bloqueadores neuromusculares não despolarizantes (rocurônio, cisatracúrio, vecurônio), que não dependem da colinesterase plasmática para sua eliminação. Além disso, a monitorização do bloqueio neuromuscular com estimulador de nervo periférico é essencial para guiar a reversão e evitar complicações.
A pegadinha desta questão está em associar o ecotiofato a outras drogas anestésicas que não possuem interação relevante com ele. Fentanil, propofol, etomidato e midazolam são agentes que não interagem de forma significativa com inibidores da colinesterase, sendo seguros nesse contexto. A banca explora exatamente o conhecimento específico da farmacologia da succinilcolina e sua dependência da colinesterase plasmática.
O fentanil é um opioide sintético que atua em receptores μ, sem interação relevante com a colinesterase. Embora possa causar depressão respiratória, essa é uma ação esperada e reversível com naloxona, não relacionada ao ecotiofato. Não há contraindicação ou cautela especial quanto ao uso de fentanil nesse paciente.
O propofol é um agente hipnótico que atua em receptores GABA, sem interação com a colinesterase. Sua farmacocinética não é afetada pelo ecotiofato, e não há risco de interação medicamentosa relevante. O propofol é seguro nesse contexto.
O etomidato é um sedativo hipnótico que também atua em receptores GABA, sem interação com a colinesterase. Não há evidência de que o ecotiofato altere sua farmacocinética ou farmacodinâmica. Portanto, não há cautela especial quanto ao seu uso.
O midazolam é um benzodiazepínico que atua em receptores GABA, sem interação com a colinesterase. Sua metabolização é hepática, via CYP3A4, e não é afetada pelo ecotiofato. Não há contraindicação ou cautela especial quanto ao seu uso nesse paciente.
A succinilcolina é metabolizada pela colinesterase plasmática, que é inibida de forma irreversível pelo iodeto de ecotiofato. Isso resulta em bloqueio neuromuscular prolongado e apneia estendida, sendo a alternativa correta. A cautela especial é fundamental para evitar complicações graves no perioperatório.
A banca explora a confusão entre os agentes anestésicos que não interagem com o ecotiofato (fentanil, propofol, etomidato, midazolam) e aquele que possui interação farmacológica direta (succinilcolina). O candidato que não conhece a dependência da succinilcolina da colinesterase plasmática pode marcar uma alternativa incorreta. Lembre-se: o ecotiofato inibe a colinesterase, e a succinilcolina precisa dela para ser metabolizada.
Para questões de interação medicamentosa em anestesia, foque nos fármacos que dependem de enzimas específicas para sua metabolização. A succinilcolina é o exemplo clássico de droga que depende da colinesterase plasmática, e qualquer inibidor dessa enzima (como ecotiofato, neostigmina em altas doses, ou organofosforados) prolonga seu efeito. Memorize essa relação: inibidor de colinesterase + succinilcolina = bloqueio prolongado.
Gabarito: letra E
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