Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — VUNESP 2025
- Código
- vu092662
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- FAMEMA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico I - Especialidade: Anestesiologia
- AV5.
- BDII.
- CDIII.
- DAVF.
- EAVR.
GabaritoA — V5.
Gabarito: letra A (V5). A derivação V5 é a que melhor se adequa ao diagnóstico de isquemias miocárdicas da parede anterior ou lateral, pois é uma derivação precordial que "enxerga" diretamente a parede lateral do ventrículo esquerdo, sendo também útil para a parede anterior. As derivações DII, DIII e aVF são as derivações inferiores (parede inferior), e aVR é uma derivação que "olha" o coração de forma invertida, sendo pouco útil para isquemia.
A avaliação cardíaca pré-operatória é um momento crítico para estratificar o risco cirúrgico do paciente. O eletrocardiograma (ECG) é um dos pilares dessa avaliação, e a correta interpretação das derivações é fundamental para identificar isquemias que possam aumentar o risco de complicações perioperatórias. O ECG de 12 derivações é composto por 6 derivações do plano frontal (DI, DII, DIII, aVR, aVL, aVF) e 6 derivações do plano horizontal (V1 a V6). Cada derivação "olha" o coração de um ângulo específico, e a localização da isquemia é inferida pela derivação que apresenta as alterações.
A parede anterior do ventrículo esquerdo é suprida pela artéria descendente anterior (DAE) e é "vista" principalmente pelas derivações V3 e V4. A parede lateral é suprida pela artéria circunflexa (CIRC) e é "vista" pelas derivações DI, aVL, V5 e V6. A derivação V5, por estar posicionada na linha axilar anterior, no quinto espaço intercostal, capta tanto a parede anterior quanto a lateral, sendo uma derivação de grande utilidade para detectar isquemias nessas regiões. As derivações DII, DIII e aVF "olham" a parede inferior do coração, suprida pela artéria coronária direita (ACD). A derivação aVR é uma derivação "invertida", que "olha" o coração de dentro para fora, sendo pouco útil para detectar isquemias, mas importante para outras análises, como o eixo cardíaco.
A tabela a seguir resume a correlação entre as derivações e as paredes cardíacas, um conhecimento essencial para a interpretação do ECG:
Parede cardíaca | Derivações que a "enxergam" | Artéria envolvida |
|---|---|---|
Inferior | DII, DIII, aVF | ACD |
Septal | V1, V2 | DAE |
Anterior | V3, V4 | DAE |
Anterosseptal | V1 a V4 | DAE |
Anterior extenso | I, aVL, V1 a V6 | DAE |
Lateral | I, aVL, V5, V6 | CIRC |
A pegadinha desta questão está em associar a parede anterior ou lateral apenas às derivações V1 a V4 ou DI e aVL, esquecendo que V5 é uma derivação que também capta essas paredes. A banca explora o conhecimento da localização das derivações e sua correlação com as paredes cardíacas, um tema clássico em cardiologia.
A derivação V5 é uma derivação precordial localizada no quinto espaço intercostal esquerdo, na linha axilar anterior. Ela "enxerga" a parede lateral do ventrículo esquerdo e, por sua posição, também capta a parede anterior. Portanto, é a derivação que melhor se adequa ao diagnóstico de isquemias miocárdicas da parede anterior ou lateral.
A derivação DII é uma derivação do plano frontal que "enxerga" a parede inferior do coração. Ela é útil para detectar isquemias da parede inferior, não da parede anterior ou lateral.
A derivação DIII é uma derivação do plano frontal que "enxerga" a parede inferior do coração. Assim como DII, é útil para isquemias inferiores, não para anteriores ou laterais.
A derivação aVF é uma derivação do plano frontal que "enxerga" a parede inferior do coração. É uma das derivações inferiores, juntamente com DII e DIII, e não é adequada para isquemias anteriores ou laterais.
A derivação aVR é uma derivação do plano frontal que "olha" o coração de forma invertida, do átrio direito em direção ao ventrículo esquerdo. Ela é pouco útil para detectar isquemias, pois as alterações nela são frequentemente espelhadas e de difícil interpretação. Não é a derivação de escolha para isquemias anteriores ou laterais.
A banca tenta confundir o candidato oferecendo derivações que são clássicas para outras paredes. DII, DIII e aVF são as derivações inferiores, e aVR é uma derivação "invertida". O candidato que não domina a correlação entre derivações e paredes cardíacas pode facilmente cair na armadilha de escolher uma derivação inferior. Lembre-se: para parede anterior ou lateral, as derivações precordiais V3 a V6 e as derivações DI e aVL são as mais adequadas.
Para fixar a localização das derivações, memorize a tabela de correlação entre paredes e derivações. Na prova, se a questão perguntar sobre isquemia de parede anterior ou lateral, procure por derivações precordiais (V) ou DI/aVL. Se perguntar sobre parede inferior, procure por DII, DIII ou aVF. Essa associação direta resolve a maioria das questões.
Gabarito: letra A (V5).
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