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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — VUNESP 2025

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
vu092665
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Anestesiologia
Ao final de uma anestesia geral, a demora em despertar foi associada ao uso de fentanil na indução anestésica.De fato, em comparação com outros opioides, a meia-vida de eliminação do fentanil é longa devido
  1. Aao seu baixo metabolismo hepático.
  2. Bao seu grande volume de distribuição.
  3. Ca sua baixa meia-vida contexto dependente.
  4. Da sua grande taxa de depuração plasmática.
  5. Ea sua baixa taxa de ligação a proteínas plasmáticas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — ao seu grande volume de distribuição.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Farmacocinética do fentanil: meia-vida de eliminação e volume de distribuição

Gabarito: letra B. A meia-vida de eliminação do fentanil é longa principalmente devido ao seu grande volume de distribuição — o fármaco é altamente lipossolúvel, acumula-se nos tecidos adiposos e musculares, e a eliminação depende da redistribuição lenta desses compartimentos de volta ao plasma. Esse é o conceito central de farmacocinética que a questão explora.

O fentanil é um opioide sintético, cerca de 100 vezes mais potente que a morfina, amplamente utilizado na indução e manutenção da anestesia geral. Sua alta lipossolubilidade faz com que ele atravesse rapidamente a barreira hematoencefálica, produzindo analgesia e sedação de início rápido. No entanto, essa mesma lipossolubilidade determina que, após o efeito inicial, o fármaco seja redistribuído para tecidos profundos (gordura e músculo), onde se acumula. Esse acúmulo é o que explica a meia-vida de eliminação prolongada: mesmo após o término da infusão, o fentanil continua sendo liberado lentamente dos tecidos para o plasma, mantendo níveis séricos detectáveis por horas.

A relação entre volume de distribuição e meia-vida é descrita pela equação fundamental da farmacocinética: meia-vida de eliminação (t½) = 0,693 × volume de distribuição (Vd) / depuração (clearance). Ou seja, quanto maior o Vd, maior a t½, desde que a depuração permaneça constante. O fentanil tem um Vd muito grande (cerca de 4 L/kg), o que, mesmo com uma depuração hepática relativamente alta, resulta em uma meia-vida de eliminação longa (em torno de 3 a 7 horas, podendo se estender em infusões prolongadas).

Na prática anestésica, essa característica tem implicações clínicas importantes. Após uma dose única em bolus, o efeito termina rapidamente devido à redistribuição (meia-vida de redistribuição curta), mas o fármaco permanece no organismo. Em infusões contínuas ou doses repetidas, os tecidos saturam e a eliminação passa a depender da liberação lenta dos compartimentos profundos, prolongando o efeito e podendo causar depressão respiratória tardia. É por isso que, ao final de uma anestesia geral prolongada, o paciente pode demorar a despertar — o fentanil acumulado continua exercendo efeito sedativo e depressão do centro respiratório.

A pegadinha da questão está em confundir a meia-vida de redistribuição (curta, responsável pelo término do efeito após dose única) com a meia-vida de eliminação (longa, determinada pelo grande Vd). O candidato que pensa no efeito clínico rápido do fentanil pode ser levado a escolher a alternativa que fala em "baixa meia-vida contexto-dependente", mas essa é uma característica de fármacos como o propofol e o midazolam, não do fentanil. A distinção entre os dois conceitos é exatamente o que separa as alternativas correta e incorretas.

1Fórmula: t½ = 0,693 × Vd / clearance
2Fatores que aumentam t½
Grande volume de distribuição (Vd)
Baixa depuração (clearance)
3Fatores que diminuem t½
Alta depuração (clearance)
Metabolismo rápido
4Fentanil
Vd grande (≈4 L/kg)
Alta lipossolubilidade
Acúmulo em tecidos adiposos
Redistribuição lenta → t½ longa
Meia-vida de eliminação (t½)
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Meia-vida de eliminação (t½): Fórmula: t½ = 0,693 × Vd / clearance; Fatores que aumentam t½ (Grande volume de distribuição (Vd), Baixa depuração (clearance)); Fatores que diminuem t½ (Alta depuração (clearance), Metabolismo rápido); Fentanil (Vd grande (≈4 L/kg), Alta lipossolubilidade, Acúmulo em tecidos adiposos, Redistribuição lenta → t½ longa)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a meia-vida longa se deve ao baixo metabolismo hepático. O fentanil é extensivamente metabolizado no fígado, principalmente pela CYP3A4, e tem uma depuração hepática relativamente alta. O metabolismo não é baixo; pelo contrário, é rápido. O que prolonga a meia-vida não é a falta de metabolismo, mas o grande volume de distribuição que retém o fármaco nos tecidos.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O grande volume de distribuição é a causa correta. O fentanil é altamente lipossolúvel, acumula-se nos tecidos adiposos e musculares, e a eliminação depende da redistribuição lenta desses compartimentos. Pela equação t½ = 0,693 × Vd / clearance, um Vd grande resulta em meia-vida longa, mesmo com depuração normal. É exatamente essa a relação que a alternativa descreve.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Menciona "baixa meia-vida contexto-dependente". O conceito de meia-vida contexto-dependente se aplica a fármacos como propofol e midazolam, cuja meia-vida aumenta com a duração da infusão. O fentanil, embora também lipossolúvel, tem sua meia-vida de eliminação determinada principalmente pelo grande Vd, não por um fenômeno contexto-dependente. Além disso, a alternativa fala em "baixa" meia-vida, o que contraria o enunciado que afirma ser longa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a meia-vida longa se deve à grande taxa de depuração plasmática. Na verdade, uma alta depuração (clearance) tende a diminuir a meia-vida, não aumentá-la. Pela equação t½ = 0,693 × Vd / clearance, quanto maior o clearance, menor a t½. O fentanil tem depuração relativamente alta, mas isso não explica a meia-vida longa — o que explica é o Vd grande.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Menciona baixa taxa de ligação a proteínas plasmáticas. O fentanil tem alta ligação a proteínas (cerca de 80-85%, principalmente à alfa-1-glicoproteína ácida). Além disso, a ligação a proteínas não é o principal determinante da meia-vida de eliminação; o que importa é o volume de distribuição e a depuração. A alternativa está duplamente errada: o fentanil tem alta, não baixa, ligação proteica, e esse fator não explica a meia-vida longa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre meia-vida de redistribuição (curta, responsável pelo término do efeito após dose única) e meia-vida de eliminação (longa, determinada pelo grande Vd). O candidato que pensa no efeito clínico rápido do fentanil pode ser levado a escolher a alternativa C, mas essa é uma característica de fármacos como propofol e midazolam, não do fentanil. Lembre-se: a equação t½ = 0,693 × Vd / clearance é a chave — Vd grande = t½ longa.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de farmacocinética, sempre relacione a meia-vida com a equação t½ = 0,693 × Vd / clearance. Se a alternativa fala em "grande volume de distribuição", "alta depuração", "baixo metabolismo", verifique qual fator realmente aumenta a t½. Depuração alta e metabolismo rápido diminuem a t½; Vd grande aumenta. Essa relação resolve a maioria das questões sobre meia-vida.

Gabarito: letra B

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