Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — VUNESP 2025
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
vu092672
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Anestesiologia
Gestante de 39 semanas de idade gestacional apresenta-se para cesariana eletiva. O anestesiologista opta pela realização de um bloqueio subaracnóideo com 12 mg de bupivacaína pesada.Nessa situação, a complicação mais prevalente para a gestante é a
Abradicardia.
Bretenção urinária.
Chipotensão arterial.
Dcefaleia pós-punção dural.
Efalha de bloqueio espinhal.
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GabaritoC — hipotensão arterial.
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Bloqueio subaracnóideo em gestante: complicações mais prevalentes
Gabarito: letra C. A hipotensão arterial é a complicação mais prevalente do bloqueio subaracnóideo (raquianestesia) em gestantes a termo, especialmente na cesariana, devido ao bloqueio simpático extenso associado à compressão aortocava pelo útero grávido. As demais alternativas representam complicações possíveis, porém menos frequentes ou não diretamente relacionadas ao quadro descrito.
O bloqueio subaracnóideo, também chamado de raquianestesia ou bloqueio espinhal, consiste na injeção de anestésico local no espaço subaracnóideo, onde está o líquido cefalorraquidiano. O anestésico age diretamente nas raízes nervosas e na medula espinhal, produzindo anestesia cirúrgica rápida e intensa. A bupivacaína pesada (hiperbárica) é a mais utilizada em obstetrícia por permitir controle do nível de bloqueio com a posição da paciente.
A principal complicação hemodinâmica é a hipotensão arterial, que ocorre pela combinação de dois mecanismos: (1) o bloqueio simpático, que causa vasodilatação periférica e redução do retorno venoso; (2) a compressão aortocava pelo útero grávido, que reduz o débito cardíaco. Na gestante a termo, o útero comprime a veia cava inferior e a aorta quando ela está em decúbito dorsal, o que agrava a hipotensão. A incidência de hipotensão após raquianestesia para cesariana é alta, frequentemente superior a 50% dos casos, mesmo com profilaxia.
A bradicardia pode ocorrer, mas é menos comum que a hipotensão e geralmente é consequência de hipotensão grave ou de bloqueio cardíaco direto. A retenção urinária é complicação tardia, relacionada ao bloqueio das raízes sacrais, mas não é a mais prevalente no intraoperatório. A cefaleia pós-punção dural é complicação clássica da punção acidental da dura-máter, mas com agulhas finas tipo pencil-point (como as usadas para raquianestesia) sua incidência é baixa. A falha de bloqueio espinhal é rara e não é a complicação mais frequente.
A banca explora o conhecimento da fisiologia obstétrica e da farmacologia dos anestésicos locais. A pegadinha está em considerar complicações comuns em outros contextos (como cefaleia pós-punção em anestesia peridural) ou complicações menos frequentes, mas que chamam atenção. O candidato deve lembrar que, na gestante, a hipotensão é a complicação mais temida e mais frequente, sendo alvo de medidas profiláticas como deslocamento uterino para a esquerda, hidratação e uso de vasopressores.
Guarde a hierarquia de frequência: hipotensão > bradicardia > retenção urinária > cefaleia pós-punção > falha de bloqueio. É exatamente essa ordem que separa as alternativas.
1Hipotensão (mais comum)
2Bradicardia
3Retenção urinária
4Cefaleia pós-punção
5Falha de bloqueio (rara)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A bradicardia pode ocorrer, mas é menos frequente que a hipotensão. Ela geralmente é secundária à hipotensão grave ou ao bloqueio do sistema nervoso autônomo cardíaco, mas não é a complicação mais prevalente na gestante submetida a raquianestesia para cesariana.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A retenção urinária é complicação tardia, relacionada ao bloqueio das raízes sacrais (S2-S4), que controlam a função vesical. Ela é mais comum no pós-operatório, não no intraoperatório, e não é a complicação mais prevalente no momento da anestesia.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hipotensão arterial é a complicação mais prevalente do bloqueio subaracnóideo em gestantes. O bloqueio simpático causa vasodilatação e redução do retorno venoso, e a compressão aortocava pelo útero grávido agrava a queda da pressão arterial. É a complicação mais temida e mais frequente, exigindo profilaxia e tratamento imediato.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A cefaleia pós-punção dural é complicação clássica da punção acidental da dura-máter, mas com agulhas finas tipo pencil-point (como as usadas para raquianestesia) sua incidência é baixa. Não é a complicação mais prevalente na gestante.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A falha de bloqueio espinhal é rara, ocorrendo em menos de 1% dos casos. Não é a complicação mais prevalente, sendo a hipotensão a mais comum.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato com complicações comuns em outros contextos, como a cefaleia pós-punção (mais associada à punção acidental com agulha de peridural) ou a retenção urinária (complicação tardia). Na gestante, a hipotensão é a complicação mais frequente e mais temida, e é exatamente isso que a questão cobra.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de anestesia em obstetrícia, lembre-se da tríade: hipotensão (mais comum), bradicardia (secundária) e cefaleia pós-punção (rara com agulhas pencil-point). A hipotensão é a resposta quando a pergunta for sobre complicação mais prevalente.