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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
vu092673
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Anestesiologia
A partir da segunda metade da gravidez, na gestante que adota a posição de decúbito supino, pode ocorrer
  1. Aum aumento do débito cardíaco.
  2. Buma redução do espaço peridural.
  3. Cuma redução da frequência cardíaca.
  4. Dum aumento do fluxo sanguíneo uterino.
  5. Eum aumento da pressão de perfusão renal.
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GabaritoB — uma redução do espaço peridural.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome da hipotensão supina na gestação

Gabarito: letra B. Na segunda metade da gravidez, o útero gravídico, em decúbito supino, comprime a veia cava inferior, reduzindo o retorno venoso e, consequentemente, o débito cardíaco. Essa compressão também aumenta a pressão no plexo venoso peridural, o que reduz o espaço peridural — exatamente o que a alternativa B afirma. As demais alternativas descrevem efeitos opostos ou não relacionados a essa condição.

A síndrome da hipotensão supina é um fenômeno hemodinâmico típico da gestação avançada. Quando a gestante se deita de costas (decúbito dorsal), o útero gravídico, que já tem volume considerável, comprime a veia cava inferior contra a coluna vertebral. Essa compressão obstrui parcialmente o retorno venoso ao coração, reduzindo o débito cardíaco e a pressão arterial. É por isso que, na prática clínica, orienta-se a gestante a deitar-se em decúbito lateral esquerdo, posição que desloca o útero e alivia a compressão.

O mecanismo é o seguinte: a compressão da veia cava reduz o retorno venoso (pré-carga). Com menos sangue chegando ao coração, o débito cardíaco cai. Em resposta, o organismo tenta compensar com taquicardia (aumento da frequência cardíaca), mas isso não é suficiente para manter a pressão arterial. Além disso, a compressão do útero sobre a aorta abdominal pode reduzir o fluxo sanguíneo uterino e renal, comprometendo a perfusão desses órgãos.

Um aspecto crucial, e que é o foco da questão, é o efeito sobre o espaço peridural. A compressão da veia cava inferior aumenta a pressão no sistema venoso vertebral, que drena para o plexo venoso peridural. Esse aumento de pressão faz com que as veias do espaço peridural se distendam, ocupando mais espaço e, portanto, reduzindo o volume do espaço peridural. Isso tem implicações diretas na anestesia regional: o volume de anestésico necessário para um bloqueio efetivo é menor, e o risco de punção acidental de vaso ou de bloqueio extenso é maior.

A banca explora a confusão entre os efeitos da compressão aorto-cava e as alterações fisiológicas normais da gestação. Na gravidez normal, o débito cardíaco aumenta, a frequência cardíaca aumenta e o fluxo sanguíneo uterino aumenta. Mas, na posição supina, na segunda metade da gestação, ocorre o oposto: o débito cardíaco cai, a frequência cardíaca aumenta (como compensação) e o fluxo sanguíneo uterino diminui. A pegadinha está em aplicar as alterações fisiológicas gerais da gestação à situação específica do decúbito supino.

Guarde a distinção: na gestação normal, o débito cardíaco aumenta; no decúbito supino, na segunda metade, ele diminui. É essa inversão que separa a alternativa correta das incorretas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que ocorre um aumento do débito cardíaco. Na verdade, a compressão da veia cava reduz o retorno venoso e, portanto, o débito cardíaco diminui. O aumento do débito cardíaco é uma alteração fisiológica da gestação como um todo, mas não na posição supina na segunda metade.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A compressão da veia cava inferior aumenta a pressão no plexo venoso vertebral, distendendo as veias do espaço peridural e reduzindo seu volume. Isso é um achado clássico e tem implicações anestésicas importantes.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que ocorre uma redução da frequência cardíaca. Na verdade, a resposta compensatória à queda do débito cardíaco é a taquicardia (aumento da frequência cardíaca), na tentativa de manter o débito cardíaco e a pressão arterial.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que ocorre um aumento do fluxo sanguíneo uterino. A compressão aorto-cava reduz a perfusão uterina, podendo causar hipofluxo placentário e sofrimento fetal. O fluxo sanguíneo uterino diminui, não aumenta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que ocorre um aumento da pressão de perfusão renal. A redução do débito cardíaco e da pressão arterial sistêmica diminui a perfusão renal, podendo reduzir a taxa de filtração glomerular. A pressão de perfusão renal diminui, não aumenta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca os efeitos da síndrome da hipotensão supina pelas alterações fisiológicas normais da gestação. Na gestação normal, o débito cardíaco, a frequência cardíaca e o fluxo uterino aumentam. Mas, no decúbito supino na segunda metade, o débito cardíaco e o fluxo uterino diminuem, e a frequência cardíaca aumenta como compensação. A alternativa B é a única que descreve um efeito direto da compressão venosa, sem cair nessa inversão.

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões sobre a síndrome da hipotensão supina, lembre-se do mecanismo: compressão da veia cava → ↓ retorno venoso → ↓ débito cardíaco → ↓ pressão arterial → taquicardia compensatória. E, para o espaço peridural, lembre-se: ↑ pressão venosa peridural → ↓ espaço peridural. Essa sequência lógica resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra B

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