Doença de Crohn: localização, histologia e tratamento
Gabarito: letra A. A doença de Crohn acomete com maior frequência a região ileocólica (íleo terminal e ceco), sendo essa a localização mais comum, presente em cerca de 40% dos pacientes. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a doença não afeta exclusivamente a mucosa (é transmural), os granulomas não são fundamentais para o diagnóstico (presentes em apenas 25-30% dos casos) e os anti-TNF-α são justamente indicados no tratamento de fístulas perianais. O risco de malignização é maior na retocolite ulcerativa, não na doença de Crohn.
A doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal (DII) crônica, caracterizada por inflamação transmural que pode acometer qualquer segmento do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, de forma descontínua (com áreas de mucosa normal entremeadas por lesões). Essa característica a distingue da retocolite ulcerativa (RCU), que se limita à mucosa do cólon, de forma contínua, iniciando no reto. A inflamação transmural da doença de Crohn é responsável por complicações como fístulas, abscessos e estenoses, que não são típicas da RCU em sua fase inicial.
A localização mais comum da doença de Crohn é a região ileocólica (íleo terminal e ceco), correspondendo a cerca de 40% dos casos. Em seguida, vem a doença isolada do intestino delgado (principalmente íleo terminal) com 30%, e o comprometimento colônico isolado com 25%. Os 5% restantes incluem acometimento de esôfago, estômago e duodeno. Essa distribuição é importante para o diagnóstico e para a escolha da terapia, pois a doença ileocólica pode se apresentar com dor no quadrante inferior direito, simulando apendicite.
O diagnóstico da doença de Crohn baseia-se na combinação de dados clínicos, endoscópicos, radiológicos e histológicos. A colonoscopia com biópsias é o método preferencial, revelando lesões ulceradas, descontínuas e assimétricas. Na histologia, a inflamação é transmural e focal, com infiltrado de plasmócitos, neutrófilos, linfócitos e eosinófilos. Os granulomas não caseosos são encontrados em apenas 25-30% das amostras, sendo um achado que ajuda no diagnóstico, mas não é necessário nem patognomônico, pois podem estar presentes em outras doenças como tuberculose, sarcoidose e doença de Behçet.
O tratamento da doença de Crohn inclui corticosteroides, imunomoduladores (tiopurinas) e agentes biológicos, como os anti-TNF-α (infliximabe, adalimumabe). Os anti-TNF-α são particularmente eficazes no tratamento de fístulas perianais, sendo uma das principais indicações, e não uma contraindicação. O risco de malignização (câncer colorretal) é maior na retocolite ulcerativa, especialmente em casos de pancolite de longa duração, do que na doença de Crohn, embora esta também apresente risco aumentado em relação à população geral, principalmente em segmentos com inflamação crônica ativa.
A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos: a banca troca a localização mais comum (ileocólica), o caráter transmural da inflamação, o papel dos granulomas e a indicação dos anti-TNF-α. O candidato que memoriza apenas fragmentos da doença pode facilmente cair em armadilhas como "granulomas são fundamentais" ou "anti-TNF é contraindicado em fístulas". A chave é entender a fisiopatologia e a apresentação clínica da doença, não apenas decorar fatos isolados.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A doença de Crohn acomete com maior frequência a região ileocólica (íleo terminal e ceco), correspondendo a cerca de 40% dos casos. Essa é a localização mais comum, seguida pela doença isolada do intestino delgado (30%) e pelo comprometimento colônico isolado (25%). A alternativa está correta ao afirmar que a localização mais comum é a região ileocólica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A doença de Crohn não afeta exclusivamente a mucosa do trato gastrointestinal. A inflamação é transmural, ou seja, atinge todas as camadas da parede intestinal (mucosa, submucosa, muscular e serosa), o que explica a formação de fístulas, abscessos e estenoses. Essa característica a distingue da retocolite ulcerativa, que se limita à mucosa. A alternativa erra ao restringir o acometimento à mucosa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A presença de granulomas epitelioides não é fundamental para o diagnóstico da doença de Crohn. Os granulomas são encontrados em apenas 25-30% das amostras histológicas, sendo um achado que pode ajudar no diagnóstico, mas não é necessário. Além disso, não são patognomônicos, pois podem estar presentes em outras doenças como tuberculose, sarcoidose, doença de Behçet e infecção por Yersinia. O diagnóstico é baseado na combinação de dados clínicos, endoscópicos, radiológicos e histológicos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O uso de anti-TNF-α não é contraindicado em pacientes com fístulas perianais; pelo contrário, é uma das principais indicações. Os anti-TNF-α (infliximabe, adalimumabe) são eficazes na indução e manutenção da remissão e no fechamento de fístulas perianais na doença de Crohn. A alternativa inverte completamente a indicação terapêutica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O risco de malignização (câncer colorretal) é maior na retocolite ulcerativa do que na doença de Crohn, especialmente em casos de pancolite de longa duração. Embora a doença de Crohn também apresente risco aumentado em relação à população geral, esse risco é menor que o da RCU. A alternativa inverte a relação de risco entre as duas doenças.
Gabarito: letra A