Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu092675
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia Geral
Qual das seguintes afirmações sobre a apendicite aguda durante a gravidez é correta?
AA apendicite aguda é mais comum no primeiro trimestre da gravidez.
BA apresentação clínica da apendicite aguda na gravidez é típica e facilita o diagnóstico.
CO tratamento conservador (não cirúrgico) é a abordagem padrão para apendicite aguda em gestantes.
DA apendicite aguda não tratada na gravidez raramente leva a complicações maternas ou fetais.
EEm casos de dúvida diagnóstica de apendicite na gestação, pode-se solicitar ultrassom ou ressonância magnética, se disponível.
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GabaritoE — Em casos de dúvida diagnóstica de apendicite na gestação, pode-se solicitar ultrassom ou ressonância magnética, se disponível.
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Apendicite aguda na gestação: diagnóstico e conduta
Gabarito: letra E. Em caso de dúvida diagnóstica de apendicite na gestação, a ultrassonografia (US) e a ressonância magnética (RM) são exames de imagem indicados e seguros, sendo a RM uma modalidade alternativa para gestantes, conforme a literatura médica. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a epidemiologia, a apresentação clínica e o tratamento da apendicite na gravidez.
A apendicite aguda é a principal emergência cirúrgica não obstétrica durante a gestação, acometendo aproximadamente 1 em cada 1.000 gestações. O diagnóstico é desafiador porque os sintomas clássicos (dor migratória para fossa ilíaca direita, anorexia, náuseas) podem estar mascarados ou alterados pelas modificações anatômicas e fisiológicas da gravidez. O útero gravídico desloca o apêndice cefalicamente, especialmente após o primeiro trimestre, o que pode mudar a localização da dor e dificultar o exame físico. Por isso, a apresentação clínica costuma ser atípica, e o atraso diagnóstico é comum, aumentando o risco de perfuração e complicações materno-fetais.
O tratamento padrão da apendicite aguda, inclusive na gestação, é a apendicectomia (cirúrgico), preferencialmente por via laparoscópica. O tratamento conservador com antibióticos isolados não é a abordagem padrão, embora seja estudado em casos selecionados de apendicite não complicada fora da gestação. Na gravidez, a cirurgia é indicada para evitar a perfuração, que eleva a morbimortalidade materna e fetal (abortamento, parto prematuro, perda fetal).
Quanto aos exames de imagem, a US é o primeiro método, por ser segura e amplamente disponível, mas tem limitações (operador-dependente, obesidade, distensão gasosa). A RM é uma excelente alternativa para gestantes, pois não utiliza radiação ionizante e tem alta acurácia. A tomografia computadorizada (TC) é evitada na gestação pelo risco de radiação, sendo reservada para casos em que os outros métodos não são conclusivos.
A banca explora a dificuldade do diagnóstico na gestação: o candidato pode achar que a apresentação é típica ou que o tratamento conservador é preferível, mas a realidade é oposta. A chave para acertar é lembrar que, na dúvida, a investigação por imagem (US/RM) é recomendada e que a conduta é cirúrgica.
Apendicite na gestação: Epidemiologia (Principal emergência cirúrgica não obstétrica, Mais comum no 2º trimestre); Quadro clínico (Apresentação atípica, Útero desloca apêndice); Diagnóstico (US (1º método), RM (alternativa segura), TC evitada (radiação)); Tratamento (Apendicectomia (padrão), Conservador não é rotina); Complicações (Perfuração, Parto prematuro, Perda fetal)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A apendicite aguda é mais comum no segundo trimestre da gravidez, não no primeiro. A incidência é maior entre a 13ª e a 27ª semana, período em que o útero em crescimento desloca o apêndice e dificulta o diagnóstico. A banca troca o trimestre de maior incidência.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A apresentação clínica na gestação é atípica e dificulta o diagnóstico, não o facilita. O deslocamento do apêndice pelo útero gravídico altera a localização da dor, que pode ser no flanco direito ou no hipocôndrio direito, confundindo com outras causas de dor abdominal. A sequência clássica de Murphy está presente em apenas 50-60% dos casos, e na gestação essa frequência é ainda menor.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O tratamento conservador (não cirúrgico) não é a abordagem padrão para apendicite aguda em gestantes. A apendicectomia é o tratamento de escolha, pois o risco de perfuração e complicações materno-fetais é alto. O uso de antibióticos isolados é uma área de pesquisa, mas não é recomendado como rotina na gestação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A apendicite aguda não tratada na gravidez frequentemente leva a complicações maternas e fetais, como perfuração, peritonite, abortamento, parto prematuro e óbito fetal. O atraso no diagnóstico aumenta a morbimortalidade, sendo a perfuração um fator de risco importante.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Em caso de dúvida diagnóstica, a ultrassonografia (US) e a ressonância magnética (RM) são exames indicados e seguros na gestação. A US é o primeiro método, e a RM é uma alternativa sem radiação ionizante, com alta acurácia para confirmar ou excluir apendicite. A TC é evitada pelo risco de radiação ao feto.
NÃO CAIA NESSA!
Na prova, lembre-se: apendicite na gestação = apresentação atípica, diagnóstico por imagem (US/RM) e tratamento cirúrgico. A banca adora inverter esses três pontos.