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Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025

MedicinaGastroenterologia
Código
vu092681
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia Geral
Assinale a alternativa que apresenta a afirmação correta sobre a doença diverticular dos cólons.
  1. AO tratamento inicial da diverticulite complicada em pacientes estáveis consiste em antibioticoterapia oral ambulatorial, independentemente do grau de inflamação.
  2. BA hemorragia diverticular tem como principal fonte os divertículos do cólon esquerdo devido ao maior número de divertículos nesse segmento.
  3. CA ressecção eletiva do cólon está indicada após o primeiro episódio de diverticulite aguda em todos os pacientes, devido ao risco elevado de recorrência.
  4. DA colonoscopia é contraindicada em pacientes com diverticulite aguda devido ao risco de perfuração, sendo recomendada após a resolução do quadro inflamatório.
  5. EA fisiopatologia da doença diverticular é primariamente associada à hiperplasia linfoide e infiltração de células plasmáticas na mucosa colônica.
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GabaritoD — A colonoscopia é contraindicada em pacientes com diverticulite aguda devido ao risco de perfuração, sendo recomendada após a resolução do quadro inflamatório.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença diverticular dos cólons: conceitos, complicações e conduta

Gabarito: letra D. Na diverticulite aguda, a colonoscopia é contraindicada pelo risco de perfuração e deve ser adiada para 6 a 8 semanas após a resolução do quadro, quando também serve para afastar neoplasia colorretal. As demais alternativas trazem erros conceituais sobre tratamento, epidemiologia do sangramento, indicação cirúrgica e fisiopatologia.

A doença diverticular dos cólons é uma condição degenerativa caracterizada pela formação de pseudodivertículos — protrusões de mucosa e submucosa através da camada muscular, recobertas por serosa — que ocorrem tipicamente nos pontos de penetração das artérias, locais de fragilidade da musculatura circular. A diverticulose é assintomática na maioria dos casos (cerca de 75% dos pacientes), e o termo "doença diverticular" é usado quando há sintomas. As duas principais complicações são a diverticulite (inflamação) e o sangramento diverticular.

A fisiopatologia está associada ao aumento da pressão intracolônica, à estase fecal, ao supercrescimento bacteriano e à isquemia local. Fatores de risco incluem idade avançada, dieta pobre em fibras e rica em gorduras, obesidade, sedentarismo e uso de anti-inflamatórios e opiáceos. No Ocidente, a doença acomete preferencialmente o cólon sigmoide (até 95% dos casos), devido ao seu menor diâmetro; no Oriente, é mais comum no ceco e cólon ascendente.

A diverticulite aguda é a inflamação de um ou mais divertículos. Pode ser classificada como não complicada (sem abscesso, fístula, perfuração ou estenose) ou complicada (com essas associações). O tratamento da diverticulite não complicada, em geral, não exige antibióticos e pode ser feito ambulatorialmente com dieta rica em fibras e sintomáticos. Casos mais graves exigem internação, antibióticos intravenosos, repouso intestinal e hidratação. A diverticulite complicada com abscesso não contido requer drenagem percutânea ou cirúrgica; a perfuração livre demanda cirurgia de urgência.

O sangramento diverticular é a causa mais comum de hemorragia digestiva baixa. Embora os divertículos sejam mais frequentes no cólon esquerdo, os do lado direito têm maior propensão a sangrar e com maior intensidade. Cerca de 90% dos episódios cessam espontaneamente, e a recorrência após o primeiro episódio é de 10% em 1 ano e 25% em 4 anos. O sangramento geralmente ocorre na ausência de diverticulite e é indolor.

A ressecção eletiva do cólon sigmoide está indicada em casos selecionados, como diverticulite recorrente que compromete a qualidade de vida, complicações (fístulas, estenoses) ou imunossupressão. Não é indicada rotineiramente após o primeiro episódio de diverticulite aguda, pois a maioria dos pacientes não terá recorrência e o risco de complicações graves não aumenta com episódios repetidos.

A colonoscopia é um exame fundamental no manejo da doença diverticular, tanto para diagnóstico quanto para rastreamento de neoplasia. Porém, na vigência de diverticulite aguda, é contraindicada pelo risco de perfuração. Recomenda-se realizá-la 6 a 8 semanas após a resolução do quadro inflamatório, com o objetivo de confirmar o diagnóstico e excluir carcinoma colorretal.

Guarde a fronteira entre o que é seguro fazer na fase aguda e o que deve ser adiado: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Critério

Diverticulite não complicada

Diverticulite complicada

Definição

Inflamação sem abscesso, fístula, perfuração ou estenose

Inflamação com abscesso, fístula, perfuração ou estenose

Conduta inicial

Ambulatorial, dieta rica em fibras e sintomáticos (na maioria, sem antibióticos)

Internação, antibióticos IV, repouso intestinal; drenagem percutânea/cirúrgica se abscesso > 4-6 cm; cirurgia de urgência se perfuração livre

Colonoscopia na fase aguda

Contraindicada (risco de perfuração)

Contraindicada (risco de perfuração)

Colonoscopia após resolução

Recomendada (6-8 semanas)

Recomendada (6-8 semanas)

Diverticulite aguda
  • 1Não complicada
    • Ambulatorial
    • Dieta rica em fibras
    • Sem antibióticos na maioria
  • 2Complicada
    • Abscesso pequeno
      • Antibióticos
    • Abscesso grande
      • Drenagem percutânea
    • Perfuração livre
      • Cirurgia de urgência
  • 3Colonoscopia
    • Contraindicada na fase aguda
    • Após 6-8 semanas
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o tratamento inicial da diverticulite complicada em pacientes estáveis consiste em antibioticoterapia oral ambulatorial, independentemente do grau de inflamação. O erro está em generalizar: a diverticulite complicada (com abscesso, perfuração, fístula ou estenose) não é tratada ambulatorialmente de forma uniforme. A conduta depende da gravidade — abscessos pequenos podem ser tratados com antibióticos, mas abscessos maiores exigem drenagem percutânea ou cirúrgica, e a perfuração livre demanda cirurgia de urgência. Além disso, mesmo a diverticulite não complicada, em muitos casos, não requer antibióticos. A banca explora a confusão entre diverticulite não complicada e complicada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a hemorragia diverticular tem como principal fonte os divertículos do cólon esquerdo devido ao maior número de divertículos nesse segmento. O erro está na localização: embora os divertículos sejam mais frequentes no hemicólon esquerdo, os do lado direito têm maior propensão a sangrar e com maior intensidade. A banca inverte a relação entre frequência de divertículos e propensão ao sangramento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a ressecção eletiva do cólon está indicada após o primeiro episódio de diverticulite aguda em todos os pacientes, devido ao risco elevado de recorrência. O erro está na generalização: a ressecção eletiva não é indicada para todos os pacientes após o primeiro episódio. A decisão é individualizada, considerando recorrência, complicações, imunossupressão e qualidade de vida. A maioria dos pacientes não terá recorrência, e o risco de complicações graves não aumenta com episódios repetidos.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a colonoscopia é contraindicada em pacientes com diverticulite aguda devido ao risco de perfuração, sendo recomendada após a resolução do quadro inflamatório. Isso está correto: na fase aguda, o exame endoscópico pode provocar perfuração, especialmente se houver inflamação significativa. A recomendação é realizar a colonoscopia 6 a 8 semanas após a resolução do quadro, tanto para confirmar o diagnóstico quanto para excluir neoplasia colorretal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a fisiopatologia da doença diverticular é primariamente associada à hiperplasia linfoide e infiltração de células plasmáticas na mucosa colônica. O erro está no mecanismo: a doença diverticular está associada ao aumento da pressão intracolônica, estase fecal, supercrescimento bacteriano e isquemia local. A hiperplasia linfoide e a infiltração de células plasmáticas não são os mecanismos primários descritos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter a epidemiologia do sangramento diverticular (esquerdo × direito) e generalizar indicações cirúrgicas. Lembre-se: divertículos são mais comuns à esquerda, mas sangram mais à direita; e a cirurgia eletiva não é para todos após o primeiro episódio. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte uma tabela mental com as principais complicações da doença diverticular e suas condutas: diverticulite não complicada (ambulatorial, sem antibióticos na maioria), diverticulite complicada com abscesso (drenagem se > 4-6 cm), perfuração livre (cirurgia de urgência), sangramento (maioria cessa espontaneamente, colonoscopia após resolução) e fístula/estenose (cirurgia eletiva).

Gabarito: letra D

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