Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu092683
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia Geral
A hipertensão portal é uma complicação frequente em pacientes com cirrose hepática.Qual dos seguintes achados é considerado o principal fator fisiopatológico responsável pelo desenvolvimento da hipertensão portal na cirrose?
AAumento do fluxo sanguíneo portal.
BRedução da pressão na veia cava inferior.
CObstrução ao fluxo venoso hepático intra-hepático.
DHipertrofia do lobo caudado.
EAumento da pressão arterial hepática.
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GabaritoC — Obstrução ao fluxo venoso hepático intra-hepático.
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Hipertensão portal na cirrose: fisiopatologia
Gabarito: letra C. Na cirrose, o principal fator fisiopatológico da hipertensão portal é o aumento da resistência vascular intra-hepática, decorrente da distorção arquitetural do fígado (fibrose, nódulos regenerativos, capilarização dos sinusoides) e do aumento do tônus vascular intra-hepático. Esse mecanismo é o evento primário, conforme a lei de Ohm aplicada ao sistema portal (ΔP = Q × R), em que o aumento de R é o fator determinante inicial.
A hipertensão portal é definida como o aumento patológico do gradiente de pressão entre a veia porta e a veia cava inferior (normal: 1 a 5 mmHg; clinicamente significativa acima de 10–12 mmHg). Na cirrose, a arquitetura hepática é subvertida por fibrose e nódulos regenerativos, o que aumenta a resistência ao fluxo venoso portal. Esse aumento de resistência é o fator primário e essencial para o desenvolvimento da hipertensão portal. Em fases avançadas, ocorre também aumento do fluxo sanguíneo portal (Q), secundário à vasodilatação esplâncnica, que contribui para a manutenção e agravamento da hipertensão, mas não é o fator inicial.
A lei de Ohm aplicada ao sistema portal é fundamental para entender a fisiopatologia: a pressão (ΔP) é o produto do fluxo (Q) pela resistência (R). Na cirrose, o aumento de R é o evento primário, enquanto o aumento de Q é um mecanismo secundário que agrava o quadro. A distinção entre esses dois componentes é essencial para responder à questão.
A banca explora a confusão entre o fator primário (aumento da resistência) e o fator secundário (aumento do fluxo). O candidato que memoriza que "na hipertensão portal há aumento do fluxo" pode marcar a alternativa A, mas o aumento do fluxo é consequência, não causa inicial. O mesmo raciocínio vale para a alternativa E, que menciona "pressão arterial hepática", termo que não corresponde ao mecanismo fisiopatológico.
Guarde a fronteira entre resistência aumentada (primário) e fluxo aumentado (secundário): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Hipertensão portal na cirrose
1Fator primário
Aumento da resistência intra-hepática
Fibrose
Nódulos regenerativos
Capilarização dos sinusoides
2Fator secundário
Aumento do fluxo portal
Vasodilatação esplâncnica
3Lei de Ohm (ΔP = Q × R)
R aumentado = evento inicial
Q aumentado = agrava, não inicia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O aumento do fluxo sanguíneo portal ocorre, mas é um fator secundário e tardio na cirrose. Em fases avançadas, a vasodilatação esplâncnica aumenta o fluxo portal, contribuindo para a manutenção da hipertensão, mas o fator primário é o aumento da resistência intra-hepática. A alternativa erra ao apresentar o aumento do fluxo como principal fator fisiopatológico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A redução da pressão na veia cava inferior não é um mecanismo fisiopatológico da hipertensão portal na cirrose. Na verdade, o gradiente de pressão porta-cava é que define a hipertensão portal; uma redução da pressão na veia cava inferior poderia até aumentar o gradiente, mas não é o mecanismo primário e não é um achado típico da cirrose.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A obstrução ao fluxo venoso hepático intra-hepático, ou seja, o aumento da resistência vascular intra-hepática, é o principal fator fisiopatológico da hipertensão portal na cirrose. A distorção da arquitetura hepática por fibrose, nódulos regenerativos e capilarização dos sinusoides aumenta a resistência ao fluxo venoso portal, elevando a pressão portal. Esse é o mecanismo primário e essencial.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hipertrofia do lobo caudado é um achado radiológico que pode ocorrer na cirrose, mas não é um fator fisiopatológico da hipertensão portal. O lobo caudado pode hipertrofiar-se como compensação, mas não é o mecanismo que eleva a pressão portal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O termo "pressão arterial hepática" não é um conceito fisiopatológico relevante na hipertensão portal. A pressão que importa é a pressão venosa portal, e o mecanismo é o aumento da resistência intra-hepática, não um aumento da pressão arterial hepática (que não é um conceito definido).
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato oferecendo o aumento do fluxo sanguíneo portal (alternativa A) como se fosse o fator primário. Na cirrose, o aumento do fluxo é um mecanismo secundário e tardio; o fator primário é o aumento da resistência intra-hepática. Lembre-se da lei de Ohm: ΔP = Q × R. Na cirrose, o aumento de R é o evento inicial; o aumento de Q é consequência da vasodilatação esplâncnica e agrava a hipertensão, mas não a inicia.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de fisiopatologia da hipertensão portal, identifique se a pergunta se refere ao fator primário (resistência aumentada) ou a um fator contribuinte/secundário (fluxo aumentado). Na cirrose, o primário é sempre a resistência intra-hepática. Memorize: cirrose → distorção arquitetural → aumento da resistência → hipertensão portal. Fluxo aumentado é consequência, não causa.