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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu092689
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia Geral
Durante uma colecistectomia laparoscópica eletiva bem sucedida em um paciente de 55 anos com histórico de hipertensão controlada, o cirurgião identifica uma hemorragia de pequena monta na região do leito hepático após a dissecção da vesícula biliar; o sangramento não foi eficazmente contido com eletrocoagulação ou pinça hemostática e persistiu. A pressão arterial do paciente mantém-se estável.Qual é a conduta mais apropriada para o manejo imediato dessa complicação transoperatória?
  1. AConversão para laparotomia a fim de melhor controle do sangramento.
  2. BAplicação de hemostáticos tópicos no leito hepático sem outras intervenções.
  3. CCompressão manual externa do abdome para auxiliar na hemostasia.
  4. DAdministração intravenosa de agentes vasopressores para reduzir o sangramento.
  5. ELigadura da artéria hepática direita.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Aplicação de hemostáticos tópicos no leito hepático sem outras intervenções.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hemorragia no leito hepático durante colecistectomia laparoscópica

Gabarito: letra B. Em sangramento de pequena monta no leito hepático, persistente após eletrocoagulação e pinça hemostática, com paciente hemodinamicamente estável, a conduta mais apropriada é a aplicação de hemostáticos tópicos (agentes hemostáticos locais), sem necessidade de conversão imediata para laparotomia. A estabilidade hemodinâmica e a pequena monta do sangramento permitem uma abordagem conservadora e local, sendo a conversão reservada para sangramentos volumosos, instabilidade ou falha das medidas menos invasivas.

A hemorragia no leito hepático é uma complicação transoperatória relativamente comum na colecistectomia laparoscópica, decorrente de pequenos vasos ou do parênquima hepático lesado durante a dissecção da vesícula. O manejo segue uma hierarquia de medidas progressivas: inicialmente, tenta-se a hemostasia com eletrocoagulação, pinça hemostática ou clipes; quando essas falham, parte-se para agentes hemostáticos tópicos (esponjas de gelatina, celulose oxidada, colas de fibrina, matrizes de trombina); e, apenas em casos de sangramento volumoso, instabilidade hemodinâmica ou falha das medidas anteriores, considera-se a conversão para laparotomia. A decisão é guiada pela magnitude do sangramento e pela estabilidade do paciente — não pela simples persistência de um sangramento de pequena monta.

O princípio fisiológico por trás dessa conduta é que o fígado é um órgão com parênquima friável e rico em vascularização, mas sangramentos de pequena monta no leito hepático frequentemente cessam com a aplicação de pressão local e agentes hemostáticos, que promovem a formação de coágulo e a oclusão mecânica dos vasos lesados. A conversão para laparotomia, embora seja uma opção válida em casos graves, não é a primeira escolha em um paciente estável, pois aumenta a morbidade cirúrgica (maior incisão, maior tempo de recuperação, mais dor) sem benefício claro quando o sangramento é controlável por métodos menos invasivos.

Na prática, o cirurgião deve avaliar o leito hepático com boa visualização, aplicar compressão local com gaze (que muitas vezes já é suficiente), e então utilizar o hemostático tópico disponível. Se o sangramento persistir ou o paciente apresentar instabilidade, a conversão para laparotomia ou a realização de manobras adicionais (como sutura hepática ou uso de omento) podem ser necessárias. A ligadura da artéria hepática direita é uma medida extrema, reservada para sangramentos arteriais graves e não controlados, com alto risco de isquemia hepática — não se aplica a um sangramento de pequena monta no leito hepático. Vasopressores não têm papel no controle de sangramento cirúrgico local, e a compressão manual externa do abdome é ineficaz para hemostasia de um sangramento intra-abdominal profundo.

A pegadinha desta questão está em associar a persistência do sangramento à necessidade imediata de conversão para laparotomia. A banca explora o receio do candidato de que "sangramento que não cessa" exija cirurgia aberta, mas o enunciado deixa claro que se trata de sangramento de pequena monta e paciente estável — exatamente o cenário em que hemostáticos tópicos são a conduta de primeira linha. A conversão é reservada para falha dessas medidas ou para sangramentos de maior gravidade.

Guarde a hierarquia: eletrocoagulação/pinça → hemostáticos tópicos → conversão para laparotomia. É nessa progressão que as alternativas se dividem.

  1. 1Eletrocoagulação / pinça
  2. 2Hemostáticos tópicos
  3. 3Conversão para laparotomia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A conversão para laparotomia é uma medida extrema, indicada quando há sangramento volumoso, instabilidade hemodinâmica ou falha das medidas menos invasivas. No caso descrito, o sangramento é de pequena monta e o paciente está estável, portanto a conversão não é a conduta mais apropriada de imediato — ela seria considerada se os hemostáticos tópicos falhassem ou se o sangramento se tornasse mais grave.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A aplicação de hemostáticos tópicos no leito hepático é a conduta mais apropriada para sangramento de pequena monta persistente, em paciente estável, após falha da eletrocoagulação e da pinça hemostática. Esses agentes promovem hemostasia local por mecanismos mecânicos e fisiológicos (formação de coágulo, adesão tecidual), controlando o sangramento sem necessidade de procedimento mais invasivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A compressão manual externa do abdome não é eficaz para controlar um sangramento intra-abdominal profundo, como o do leito hepático. A pressão externa não alcança o local do sangramento com a força necessária para promover hemostasia, e pode até dificultar a visualização laparoscópica. A compressão local com gaze, aplicada diretamente sobre o leito hepático durante a laparoscopia, é que pode ser útil como manobra inicial.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Vasopressores intravenosos não têm papel no controle de sangramento cirúrgico local. Eles atuam na vasoconstrição sistêmica e são usados em situações de choque ou em sangramentos varicosos (como a terlipressina na hemorragia digestiva alta varicosa), mas não promovem hemostasia local no leito hepático. Além disso, o paciente está estável, sem indicação de suporte vasopressor.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A ligadura da artéria hepática direita é uma medida extrema, reservada para sangramentos arteriais graves e não controlados, com risco de isquemia hepática significativa. Não se aplica a um sangramento de pequena monta no leito hepático, que geralmente é de origem venosa ou parenquimatosa. Essa alternativa representa um exagero terapêutico desproporcional à gravidade descrita.

Gabarito: letra B — a conduta mais apropriada é a aplicação de hemostáticos tópicos no leito hepático, sem outras intervenções, dado o sangramento de pequena monta e a estabilidade hemodinâmica do paciente.

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