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Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025

MedicinaGastroenterologia
Código
vu092690
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia Geral
Um paciente de 65 anos, com histórico de hipertensão e diabetes mellitus controlados, apresenta dor intensa no hipocôndrio direito há quatro dias, associada a febre de 38,5 °C e náuseas. Ao exame físico, observa-se sinal de Murphy positivo e massa palpável no quadrante superior direito. Os exames laboratoriais revelam leucocitose de 19.000/mm³ e proteína C reativa elevada. A ultrassonografia abdominal mostra vesícula biliar distendida com espessamento de parede e presença de cálculos, sem evidências de coleções pericolecísticas.Não há disfunção de órgãos ou sistemas. De acordo com os Critérios de Tokyo 2018, qual é a classificação de gravidade da colecistite aguda desse paciente e a conduta terapêutica mais apropriada?
  1. AColecistite aguda grau I (leve); tratamento conservador com antibióticos e acompanhamento clínico.
  2. BColecistite aguda grau III (grave); colecistostomia percutânea seguida de colecistectomia eletiva.
  3. CColecistite aguda grau II (moderada); colecistectomia aberta imediata devido ao risco de complicações.
  4. DColecistite aguda grau II (moderada); colecistectomia laparoscópica precoce após estabilização clínica.
  5. EColecistite aguda grau III (grave); tratamento conservador com antibióticos devido ao alto risco cirúrgico.
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GabaritoD — Colecistite aguda grau II (moderada); colecistectomia laparoscópica precoce após estabilização clínica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colecistite aguda: classificação de gravidade e conduta (Critérios de Tóquio 2018)

Gabarito: letra D. O paciente apresenta colecistite aguda grau II (moderada) pelos Critérios de Tóquio 2018, pois tem leucocitose > 18.000/mm³ e massa palpável no quadrante superior direito, sem disfunção orgânica (o que afastaria o grau III). A conduta mais apropriada é a colecistectomia laparoscópica precoce, após estabilização clínica, conforme recomendado pelas diretrizes para colecistite moderada.

A colecistite aguda é a inflamação da vesícula biliar, quase sempre desencadeada por obstrução do ducto cístico por um cálculo. O quadro clássico é dor no hipocôndrio direito, febre, náuseas e sinal de Murphy positivo. O diagnóstico é confirmado pela associação de sinais de inflamação local (Murphy, dor/massa em QSD), sinais de inflamação sistêmica (febre, PCR elevada, leucocitose) e exame de imagem sugestivo (US mostrando espessamento de parede, distensão, cálculos).

Os Critérios de Tóquio 2018 classificam a gravidade em três graus, e é essa classificação que orienta a conduta. O grau I (leve) é aquele que não preenche critérios de moderada ou grave. O grau II (moderada) exige pelo menos um dos seguintes: leucocitose > 18.000/mm³, massa palpável e dolorosa no hipocôndrio direito, sintomas com duração > 72 horas, ou sinais de inflamação local significativa (colecistite enfisematosa, gangrenosa, abscesso pericolecístico, abscesso hepático, peritonite biliar). O grau III (grave) é definido pela presença de disfunção orgânica: cardiovascular (hipotensão), neurológica (alteração do nível de consciência), respiratória (PaO2/FiO2 < 300), renal (oligúria ou creatinina > 2 mg/dL), hepática (INR > 1,5) ou hematológica (plaquetas < 100.000).

No caso apresentado, o paciente tem leucocitose de 19.000/mm³ (acima de 18.000) e massa palpável no QSD — dois critérios de gravidade moderada. Não há disfunção orgânica, o que exclui o grau III. Portanto, é colecistite aguda grau II.

A conduta para colecistite aguda moderada, segundo as diretrizes de Tóquio e a prática cirúrgica atual, é a colecistectomia laparoscópica precoce (idealmente dentro de 24-72 horas, ou até 7 dias do início dos sintomas), após estabilização clínica e antibioticoterapia. A cirurgia precoce é mais custo-efetiva, reduz o tempo de internação e as complicações, comparada à cirurgia tardia. A colecistostomia percutânea é reservada para pacientes de alto risco cirúrgico (grau III ou comorbidades graves que impeçam a cirurgia imediata), como ponte para uma colecistectomia eletiva posterior.

A banca explora a confusão entre os graus de gravidade e as condutas associadas. O erro mais comum é classificar como grau III um paciente que tem apenas critérios de moderada, ou indicar colecistostomia para um caso que se beneficiaria de cirurgia precoce. Guarde a fronteira: grau II = critérios locais/sistêmicos sem disfunção orgânica; grau III = disfunção orgânica. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Critério

Grau I (Leve)

Grau II (Moderada)

Grau III (Grave)

Definição

Não preenche critérios de moderada ou grave

≥1 critério: leucocitose >18.000/mm³, massa palpável em QSD, sintomas >72h, inflamação local significativa

Disfunção orgânica (cardiovascular, neurológica, respiratória, renal, hepática ou hematológica)

Conduta

Antibióticos + colecistectomia precoce

Colecistectomia laparoscópica precoce após estabilização

Colecistostomia percutânea (ponte) ou cirurgia de urgência, conforme risco

Alternativa A — ❌ Incorreta

Classifica como grau I (leve) e propõe tratamento conservador com antibióticos. O paciente preenche critérios de gravidade moderada (leucocitose > 18.000 e massa palpável), portanto não é grau I. Além disso, o tratamento conservador isolado não é a conduta de primeira linha para colecistite aguda moderada — a colecistectomia precoce é o padrão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Classifica como grau III (grave) e indica colecistostomia percutânea. O paciente não tem disfunção orgânica (sem hipotensão, sem alteração de consciência, sem insuficiência renal, etc.), portanto não é grau III. A colecistostomia é reservada para pacientes graves ou de alto risco cirúrgico, não para este caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Classifica corretamente como grau II, mas indica colecistectomia aberta imediata. A via laparoscópica é a preferencial, mesmo na colecistite moderada, por ser menos invasiva e com menor morbidade. A cirurgia aberta é reservada para casos complicados ou quando há contraindicação à laparoscopia. Além disso, "imediata" sem estabilização prévia não é o manejo ideal — a estabilização clínica e a antibioticoterapia são recomendadas antes do procedimento.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Classifica corretamente como grau II (moderada) e indica colecistectomia laparoscópica precoce após estabilização clínica. Isso está alinhado com os Critérios de Tóquio 2018 e com a prática cirúrgica: para colecistite moderada, a cirurgia precoce por laparoscopia é a conduta de escolha, após otimização clínica e antibioticoterapia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Classifica como grau III (grave) e propõe tratamento conservador com antibióticos. O paciente não tem disfunção orgânica, logo não é grau III. Além disso, o tratamento conservador isolado não é indicado para colecistite aguda moderada — a cirurgia é necessária.

Gabarito: letra D

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