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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu092695
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia Geral
Mulher, 76 anos, hipertensa e diabética, com história pregressa de coronariopatia, é admitida no pronto-socorro com dor abdominal difusa de início súbito e intensidade progressiva há 8 horas. Relata náuseas, vômitos e ausência de evacuação no último dia. Ao exame físico, apresenta abdome distendido, ruídos hidroaéreos reduzidos e dor difusa à palpação, sem sinais de irritação peritoneal. O hemograma revela leucocitose importante. Gasometria arterial evidencia acidose metabólica com aumento do lactato.Qual é a principal hipótese diagnóstica e a conduta inicial mais adequada?
  1. APancreatite aguda – solicitar amilase e lipase e iniciar reposição volêmica agressiva.
  2. BIsquemia mesentérica aguda – solicitar angiotomografia abdominal e considerar laparotomia exploradora precoce.
  3. CVolvo de sigmoide – realizar colonoscopia descompressiva como primeira abordagem.
  4. DSíndrome do intestino irritável – prescrever sintomáticos e reavaliar em 24 horas.
  5. EApendicite aguda – solicitar ultrassonografia de abdome e considerar antibioticoterapia.
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GabaritoB — Isquemia mesentérica aguda – solicitar angiotomografia abdominal e considerar laparotomia exploradora precoce.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Abdome agudo: isquemia mesentérica aguda

Gabarito: letra B. O quadro clínico — dor abdominal súbita e intensa, desproporcional ao exame físico, em paciente idosa com coronariopatia, associada a leucocitose importante, acidose metabólica e lactato elevado — é altamente sugestivo de isquemia mesentérica aguda, cuja conduta inicial é a angiotomografia abdominal para confirmação diagnóstica e a laparotomia exploradora precoce diante da suspeita clínica forte. O diagnóstico é essencialmente clínico e a demora na intervenção cirúrgica é o principal fator de mau prognóstico.

A isquemia mesentérica aguda (IMA) é uma emergência cirúrgica caracterizada pela interrupção súbita do fluxo sanguíneo para o intestino, mais comumente por embolia ou trombose da artéria mesentérica superior. A apresentação clássica é a dor abdominal intensa e desproporcional ao exame físico — o paciente refere dor excruciante, mas o abdome ainda está macio, sem sinais de peritonite. Esse é o ponto-chave: a dor precede os achados físicos. Com a progressão da isquemia, surgem distensão abdominal, ruídos hidroaéreos reduzidos, e, tardiamente, sinais de irritação peritoneal, quando já há necrose intestinal.

A fisiopatologia explica os achados laboratoriais. A isquemia leva à lesão da mucosa intestinal, que se torna permeável a bactérias e toxinas, desencadeando resposta inflamatória sistêmica — daí a leucocitose importante. A hipoperfusão tecidual e o metabolismo anaeróbico resultam em acidose metabólica com lactato elevado, marcador de gravidade e de sofrimento celular. O lactato tem sensibilidade em torno de 86% nessa situação, conforme literatura de emergências.

O diagnóstico deve ser suspeitado clinicamente e confirmado por angiotomografia computadorizada (angio-TC), que avalia a permeabilidade dos vasos mesentéricos. A conduta, uma vez estabelecida a suspeita, é a laparotomia exploradora precoce para ressecção do segmento intestinal necrótico e revascularização, se possível. A demora cirúrgica está associada a taxas de mortalidade que podem ultrapassar 50%. Em pacientes idosos, como o da questão, a apresentação pode ser ainda mais atípica, com dor menos intensa, o que exige alto índice de suspeição.

A distinção entre as principais causas de abdome agudo é o cerne da questão. A tabela abaixo resume os diferenciais mais relevantes:

Critério

Isquemia mesentérica

Pancreatite aguda

Apendicite aguda

Volvo de sigmoide

Dor

Súbita, intensa, desproporcional ao exame

Em faixa, andar superior, irradia para dorso

Periumbilical, migra para FID

Cólica, distensão abdominal

Exame físico

Abdome macio no início, distensão tardia

Defesa voluntária, epigástrio

Dor FID, Blumberg

Distensão importante, timpanismo

Laboratório

Leucocitose extrema, acidose, lactato ↑

Amilase/lipase > 3x LSN

Leucocitose moderada

Inespecífico

Imagem

Angio-TC (padrão-ouro)

TC com edema pancreático

US/TC com apêndice alterado

Radiografia/TC com sinal do grão de café

Conduta

Laparotomia precoce

Suporte clínico

Apendicectomia

Colonoscopia descompressiva

A pegadinha da banca está em oferecer diagnósticos que compartilham sintomas iniciais, mas que se distinguem pela combinação de fatores de risco, apresentação clínica e exames laboratoriais. A paciente idosa, com coronariopatia (fator de risco para embolia/trombose mesentérica), dor súbita e intensa, com exame físico inicialmente benigno, leucocitose importante e acidose láctica, aponta inequivocamente para isquemia mesentérica. A conduta imediata não é aguardar exames que confirmem outros diagnósticos, mas sim avançar com a investigação vascular e preparar a cirurgia.

1Fatores de risco
Idosos
Coronariopatia
Embolia/trombose da AMS
2Quadro clínico
Dor súbita e intensa
Desproporcional ao exame
Distensão e RHA reduzidos
3Laboratório
Leucocitose importante
Acidose metabólica
Lactato elevado
4Conduta
Angio-TC (padrão-ouro)
Laparotomia exploradora precoce
Isquemia mesentérica aguda
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Isquemia mesentérica aguda: Fatores de risco (Idosos, Coronariopatia, Embolia/trombose da AMS); Quadro clínico (Dor súbita e intensa, Desproporcional ao exame, Distensão e RHA reduzidos); Laboratório (Leucocitose importante, Acidose metabólica, Lactato elevado); Conduta (Angio-TC (padrão-ouro), Laparotomia exploradora precoce)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A pancreatite aguda cursa com dor em faixa no andar superior do abdome, frequentemente com irradiação para o dorso, e o diagnóstico exige amilase/lipase elevadas (mais de 3 vezes o limite superior da normalidade). Embora a paciente tenha dor abdominal e vômitos, a dor difusa e súbita, desproporcional ao exame, com acidose láctica, não é o padrão típico da pancreatite. Além disso, a conduta inicial na pancreatite é suporte clínico (jejum, hidratação, analgesia), não reposição volêmica agressiva nem laparotomia. A alternativa erra tanto no diagnóstico quanto na conduta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa espelha exatamente o caso: isquemia mesentérica aguda em paciente idosa com coronariopatia, dor súbita e intensa desproporcional ao exame, leucocitose importante e acidose metabólica com lactato elevado. A conduta é solicitar angiotomografia abdominal (exame de escolha para avaliar os vasos mesentéricos) e considerar laparotomia exploradora precoce, pois a demora cirúrgica aumenta drasticamente a mortalidade. É a única alternativa que une o diagnóstico correto à conduta adequada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O volvo de sigmoide apresenta-se com distensão abdominal importante, dor em cólica e obstipação, frequentemente em idosos, mas o diagnóstico é feito por radiografia ou tomografia mostrando o sinal do "grão de café". A colonoscopia descompressiva é uma opção terapêutica inicial, porém o quadro clínico da paciente — dor súbita intensa, acidose láctica e leucocitose extrema — não é compatível com volvo não complicado. A alternativa ignora os sinais de isquemia e choque, que indicam urgência cirúrgica, não descompressão endoscópica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A síndrome do intestino irritável é uma condição crônica e funcional, sem sinais de alarme como dor súbita intensa, acidose metabólica ou leucocitose. Prescrever sintomáticos e reavaliar em 24 horas seria uma conduta negligente diante de um abdome agudo potencialmente fatal. A alternativa confunde um quadro agudo e grave com uma condição benigna e crônica, o que é um erro grave de manejo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A apendicite aguda tipicamente apresenta dor que se inicia periumbilical e migra para a fossa ilíaca direita, com anorexia e febre. O exame físico mostra dor localizada em FID, frequentemente com sinal de Blumberg. A paciente tem dor difusa, sem localização em FID, e a associação com acidose láctica e coronariopatia aponta para outra etiologia. A ultrassonografia pode ser útil, mas não é o exame de escolha na suspeita de isquemia mesentérica, e a conduta não seria apenas antibioticoterapia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a dor abdominal difusa e intensa com exame físico inicialmente benigno — o candidato pode pensar em pancreatite ou apendicite, mas a combinação de fatores de risco cardiovascular, leucocitose extrema e acidose láctica é a chave para isquemia mesentérica. A dor desproporcional ao exame é o sinal de alarme mais importante. Fique atento: em idosos, a apresentação pode ser ainda mais sutil, e a demora no diagnóstico é fatal.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, ao ver dor abdominal súbita + fatores de risco cardiovascular + acidose láctica, pense imediatamente em isquemia mesentérica. A conduta é angio-TC e cirurgia precoce. Memorize a tríade: dor desproporcional, leucocitose importante, acidose metabólica — isso separa a isquemia das outras causas de abdome agudo.

Gabarito: letra B.

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