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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu092696
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia Geral
Um paciente de 28 anos, vítima de acidente automobilístico de alta energia, é admitido no pronto-socorro em choque hipovolêmico (PA: 80/50 mmHg; FC: 130 bpm) após reposição inicial de 2 litros de cristaloides. FAST positivo para líquido livre na cavidade abdominal. Na laparotomia de emergência, identificam-se um trauma hepático grau V com lesão extensa do lobo direito, hemorragia ativa e instabilidade hemodinâmica refratária à reposição volêmica.Qual a melhor conduta para o manejo cirúrgico desse paciente diante dessa situação?
  1. ARessecção hepática formal com hepatectomia direita para controle da hemorragia.
  2. BLobectomia hepática em um único tempo cirúrgico, com ligadura da veia porta direita.
  3. CLigadura da artéria hepática direita seguida de hepatorrafia extensa, empregando-se fio de sutura monofilamentar inabsorvível.
  4. DTamponamento hepático com compressas, transfusão maciça e planejamento para reoperação precoce (Damage Control Surgery).
  5. EShunt portossistêmico intra-hepático transjugular (TIPS) imediato para controle da hipertensão portal secundária ao trauma.
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GabaritoC — Ligadura da artéria hepática direita seguida de hepatorrafia extensa, empregando-se fio de sutura monofilamentar inabsorvível.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trauma hepático grave: Damage Control Surgery

Gabarito: letra D. Em paciente com trauma hepático grau V, hemorragia ativa e instabilidade hemodinâmica refratária à reposição volêmica, a conduta de escolha é o tamponamento hepático com compressas, associado à transfusão maciça e ao planejamento de reoperação precoce — a estratégia de cirurgia de controle de danos (Damage Control Surgery). Essa abordagem prioriza o controle rápido do sangramento e a reversão do choque, em vez de procedimentos definitivos complexos, que seriam mal tolerados em um paciente exsanguinado.

O trauma hepático é uma das principais causas de morte em pacientes politraumatizados, e o manejo cirúrgico evoluiu significativamente nas últimas décadas. A classificação da American Association for the Surgery of Trauma (AAST) gradua as lesões hepáticas de I a V, sendo o grau V caracterizado por lesões extensas, como ruptura de parênquima envolvendo mais de 75% do lobo hepático ou lesão vascular (veia hepática, veia cava retro-hepática). Em pacientes hemodinamicamente instáveis, a prioridade não é a ressecção anatômica, mas sim o controle rápido da hemorragia e a ressuscitação.

A estratégia de controle de danos (Damage Control Resuscitation) baseia-se em cinco pilares: administração precoce de hemoderivados, uso restritivo de cristaloides, uso de antifibrinolíticos, hipotensão permissiva e cirurgia para controle de danos. No intraoperatório, o cirurgião deve realizar manobras rápidas e eficazes para estancar o sangramento, como o tamponamento hepático com compressas, a ligadura seletiva de vasos e, em casos extremos, o Pringle maneuver (oclusão do pedículo hepático). A decisão de realizar uma ressecção formal (hepatectomia) em um paciente instável é desaconselhada, pois o procedimento é longo, complexo e associado a alta morbimortalidade.

A cirurgia de controle de danos é indicada em pacientes com tríade letal (hipotermia, acidose e coagulopatia), instabilidade hemodinâmica refratária, ou lesões complexas que demandam tempo para reparo definitivo. O objetivo é interromper o ciclo de sangramento e choque, permitindo a correção fisiológica na UTI antes da reoperação planejada. O tamponamento hepático com compressas é uma técnica eficaz para controlar sangramentos difusos ou de difícil acesso, como os de veias hepáticas ou veia cava retro-hepática.

A alternativa D é a única que reflete essa abordagem moderna e baseada em evidências. As demais alternativas propõem condutas inadequadas para o cenário de instabilidade, como ressecções formais, ligaduras arteriais sem controle definitivo, ou procedimentos não indicados no trauma agudo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato com opções que parecem "definitivas" (ressecção, lobectomia) ou com procedimentos de outras áreas (TIPS). A chave é reconhecer que, em paciente instável com trauma hepático grave, a prioridade é o controle de danos, não a cirurgia definitiva. O tamponamento com compressas é a manobra clássica para ganhar tempo e permitir a ressuscitação.

  1. 1Tamponamento com compressas
  2. 2Transfusão maciça
  3. 3Reoperação precoce
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A ressecção hepática formal com hepatectomia direita é um procedimento extenso e demorado, que não deve ser realizado em paciente com instabilidade hemodinâmica refratária. A ressecção anatômica é indicada em situações eletivas ou em pacientes estáveis, quando a lesão é limitada e o parênquima remanescente é viável. Em trauma grave, a prioridade é o controle rápido do sangramento, e a hepatectomia formal aumenta o risco de morte por exsanguinação, hipotermia e coagulopatia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A lobectomia hepática em um único tempo cirúrgico, com ligadura da veia porta direita, é uma conduta agressiva e não recomendada no trauma. A ligadura da veia porta direita pode causar isquemia do lobo direito e não é uma manobra de controle de danos. Além disso, a lobectomia é um procedimento complexo que não deve ser realizado em paciente instável. A abordagem inicial deve ser o tamponamento e o controle temporário do sangramento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ligadura da artéria hepática direita seguida de hepatorrafia extensa com fio monofilamentar inabsorvível é uma conduta inadequada. A ligadura da artéria hepática pode ser uma manobra de exceção em casos de sangramento arterial ativo, mas não é a primeira escolha e não deve ser seguida de hepatorrafia extensa em paciente instável. A hepatorrafia extensa pode aumentar o sangramento e não é uma técnica de controle de danos. O fio monofilamentar inabsorvível não é o mais indicado para hepatorrafia, sendo preferíveis fios absorvíveis ou técnicas de tamponamento.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O tamponamento hepático com compressas, associado à transfusão maciça e ao planejamento de reoperação precoce, é a conduta de escolha no trauma hepático grau V com instabilidade hemodinâmica. Essa abordagem faz parte da estratégia de Damage Control Surgery, que prioriza o controle rápido do sangramento e a reversão do choque. O tamponamento com compressas é eficaz para controlar sangramentos difusos ou de difícil acesso, e a reoperação planejada permite a correção definitiva após a estabilização fisiológica do paciente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O shunt portossistêmico intra-hepático transjugular (TIPS) é um procedimento de radiologia intervencionista indicado para o tratamento de complicações da hipertensão portal, como varizes esofágicas refratárias ou ascite. Não é indicado no trauma hepático agudo, pois não controla o sangramento parenquimatoso e pode piorar a instabilidade hemodinâmica. O TIPS é um procedimento eletivo ou de urgência em pacientes com doença hepática crônica, não em trauma.

Gabarito: letra D

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