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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu092698
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia Geral
Homem, 68 anos, IMC de 34 kg/m², hipertenso e tabagista, foi submetido a uma laparotomia para colectomia direita devido a um adenocarcinoma de cólon. Dois anos após a cirurgia, ele procura atendimento devido à abaulamento progressivo na incisão cirúrgica, associado a episódios intermitentes de dor local e sensação de peso. O exame físico revela uma hérnia incisional na linha média infraumbilical, com aproximadamente 8 cm de diâmetro, redutível, sem sinais de encarceramento. Após avaliação clínica e tomográfica, é indicado tratamento cirúrgico.Considerando as melhores práticas atuais, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais apropriada para esse paciente.
  1. AHerniorrafia primária com sutura contínua da aponeurose, associada à abdominoplastia devido à obesidade do paciente.
  2. BUso de tela biológica em posição pré-peritoneal, para minimizar complicações infecciosas relacionadas ao tabagismo.
  3. CReparo laparoscópico com tela intraperitoneal e fixação com tackers absorvíveis para reduzir a dor crônica pós-operatória.
  4. DTécnica de separação de componentes anterior com tela sintética em posição retromuscular, devido ao defeito maior que 8 cm.
  5. EReparo com técnica de Rives-Stoppa e uso de tela sintética em posição retromuscular, garantindo maior resistência à pressão intra-abdominal.
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GabaritoE — Reparo com técnica de Rives-Stoppa e uso de tela sintética em posição retromuscular, garantindo maior resistência à pressão intra-abdominal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hérnia incisional: reparo com tela em posição retromuscular

Gabarito: letra E. Para hérnia incisional de 8 cm na linha média, a conduta mais apropriada é o reparo com tela sintética em posição retromuscular (técnica de Rives-Stoppa), que oferece maior resistência à pressão intra-abdominal e menor taxa de recorrência. A alternativa E descreve exatamente essa técnica, que é o padrão-ouro para defeitos dessa magnitude.

A hérnia incisional é uma complicação tardia comum após laparotomias, ocorrendo em até 20% dos casos, especialmente em pacientes com fatores de risco como obesidade (IMC 34 kg/m²), tabagismo e hipertensão. O defeito de 8 cm é classificado como hérnia média (entre 4 e 10 cm), e as diretrizes atuais recomendam o uso de tela para todos os reparos de hérnia incisional, pois a sutura primária (herniorrafia) apresenta taxas de recorrência inaceitavelmente altas, chegando a 50%.

A técnica de Rives-Stoppa consiste na colocação da tela no espaço retromuscular, entre o músculo reto abdominal e a bainha posterior. Essa posição é considerada ideal porque a tela fica em contato com tecido bem vascularizado, permitindo sua incorporação, e a pressão intra-abdominal atua contra a tela, reforçando o reparo. A alternativa E captura exatamente esse princípio: "garantindo maior resistência à pressão intra-abdominal".

O paciente em questão tem fatores de risco que aumentam a chance de recorrência (obesidade, tabagismo), o que reforça a necessidade de usar tela. Embora o tabagismo seja uma contraindicação relativa ao reparo eletivo, o enunciado já indica que o tratamento cirúrgico foi decidido após avaliação clínica, então a conduta intraoperatória deve seguir o padrão técnico.

A escolha entre as técnicas de Rives-Stoppa e separação de componentes depende do tamanho do defeito e da possibilidade de aproximação da linha média. Para defeitos de até 10 cm, a Rives-Stoppa é suficiente e menos invasiva que a separação de componentes, que é reservada para defeitos maiores ou quando a aproximação primária não é possível. A alternativa D, que sugere separação de componentes para defeito "maior que 8 cm", é imprecisa, pois o limiar para essa técnica mais complexa é geralmente acima de 10 cm.

A escolha da via de acesso (aberta vs. laparoscópica) é controversa, mas a técnica de Rives-Stoppa é classicamente descrita por via aberta. O reparo laparoscópico com tela intraperitoneal (IPOM) é uma alternativa válida, mas a fixação com tackers pode causar dor crônica, e a posição intraperitoneal da tela aumenta o risco de aderências e fístulas. A alternativa C, portanto, não é a mais apropriada.

A alternativa A (herniorrafia primária) é claramente inadequada, pois a sutura primária tem altíssima taxa de recorrência em hérnias incisionais, especialmente em defeitos > 4 cm. A abdominoplastia associada não é indicada no mesmo ato operatório para correção de hérnia, pois aumenta a morbidade.

A alternativa B (tela biológica) é uma opção para situações de contaminação ou infecção do sítio cirúrgico, o que não é o caso. O tabagismo não é indicação para tela biológica; a conduta correta seria a cessação do tabagismo antes do reparo eletivo. Além disso, telas biológicas têm maior custo e taxas de recorrência semelhantes ou superiores às telas sintéticas em campos limpos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A herniorrafia primária (sutura da aponeurose) é contraindicada para hérnias incisionais com defeito > 4 cm, pois a taxa de recorrência é altíssima (até 50%). A abdominoplastia associada não é indicada no mesmo procedimento, pois aumenta o risco de complicações sem benefício comprovado. O padrão-ouro é o uso de tela.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A tela biológica é reservada para campos contaminados ou infectados, o que não é o caso (hérnia redutível, sem sinais de infecção). O tabagismo é um fator de risco que deve ser otimizado (cessação) antes do reparo eletivo, mas não contraindica o uso de tela sintética. Em campo limpo, a tela sintética é a primeira escolha por menor custo e menor recorrência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O reparo laparoscópico com tela intraperitoneal (IPOM) é uma técnica válida, mas a fixação com tackers pode causar dor crônica pós-operatória. A posição intraperitoneal da tela aumenta o risco de aderências intestinais e fístulas. A técnica de Rives-Stoppa (retromuscular) é preferível por evitar contato da tela com as vísceras.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A separação de componentes anterior é uma técnica mais complexa, indicada para defeitos maiores (> 10 cm) ou quando a aproximação da linha média não é possível. Para um defeito de 8 cm, a técnica de Rives-Stoppa é suficiente e menos mórbida. A alternativa erra ao sugerir separação de componentes para defeito "maior que 8 cm", pois o limiar é maior.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A técnica de Rives-Stoppa com tela sintética em posição retromuscular é o padrão-ouro para hérnias incisionais médias (4-10 cm). A posição retromuscular permite que a tela seja incorporada por tecido bem vascularizado, e a pressão intra-abdominal atua contra a tela, reforçando o reparo. Essa é a conduta mais apropriada para o paciente descrito.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as técnicas de reparo. O candidato pode ser atraído pela alternativa D (separação de componentes) por achar que 8 cm é um defeito grande, mas o limiar para essa técnica é > 10 cm. A alternativa E descreve a técnica mais adequada para defeitos médios, com a justificativa correta sobre a resistência à pressão intra-abdominal.

PEGA ESSA DICA!

Para hérnias incisionais, memorize a classificação por tamanho: pequena (< 4 cm), média (4-10 cm) e grande (> 10 cm). Defeitos médios → Rives-Stoppa; grandes → separação de componentes. Sempre use tela, exceto em campos contaminados (aí, tela biológica).

Gabarito: letra E

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