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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — VUNESP 2025

MedicinaMedicina Intensiva
Código
vu092701
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia Geral
Um homem de 71 anos, portador de DPOC e desnutrição moderada (IMC 17 kg/m², albumina sérica 2,4 g/dL), é admitido com quadro de abdome agudo obstrutivo secundário a adenocarcinoma de cólon esquerdo. Foi submetido à colectomia segmentar com anastomose primária e encontra-se no pós-operatório imediato na UTI, em ventilação mecânica. Nas primeiras 12 horas, recebeu 3.000 mL de solução cristaloide e mantém diurese de 0,4 mL/kg/h. Exames laboratoriais evidenciam sódio sérico de 132 mEq/L, potássio de 3,2 mEq/L, creatinina 1,8 mg/dL (pré-operatório 1,2 mg/dL) e lactato sérico de 3,5 mmol/L.Com base no quadro clínico e laboratorial do paciente, assinale a alternativa que apresenta a melhor estratégia terapêutica para essa situação.
  1. AReposição volêmica agressiva com cristaloides isotônicos (6–8 L nas próximas 24h) para otimizar a perfusão tecidual e normalizar o débito urinário.
  2. BAdministração de solução hipertônica de sódio a 3% para corrigir a hiponatremia rapidamente e reduzir o risco de edema cerebral.
  3. CIntrodução precoce de nutrição enteral, associada à reposição hídrica guiada por parâmetros hemodinâmicos, evitando sobrecarga volêmica.
  4. DRestrição de volume e início de furosemida para controle da oligúria, evitando sobrecarga hídrica e progressão da insuficiência renal.
  5. EAdministração de nutrição parenteral total precoce para evitar degradação proteica, visto que o paciente se encontra desnutrido.
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GabaritoC — Introdução precoce de nutrição enteral, associada à reposição hídrica guiada por parâmetros hemodinâmicos, evitando sobrecarga volêmica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ressuscitação volêmica e suporte nutricional no pós-operatório de cirurgia abdominal em paciente crítico

Gabarito: letra C. A melhor estratégia é a introdução precoce de nutrição enteral, associada à reposição hídrica guiada por parâmetros hemodinâmicos, evitando sobrecarga volêmica. O paciente apresenta oligúria (0,4 mL/kg/h), elevação da creatinina (1,8 mg/dL, prévio 1,2 mg/dL) e lactato de 3,5 mmol/L, sugerindo hipoperfusão tecidual, mas já recebeu 3.000 mL de cristaloide em 12 horas — o que contraindica reposição volêmica agressiva adicional. A conduta moderna prioriza a ressuscitação guiada por metas (dinâmica de fluidos, lactato, variação de pressão de pulso) e o início precoce de nutrição enteral, conforme diretrizes de nutrição em paciente crítico e de cirurgia segura.

O caso reúne dois pilares do cuidado intensivo pós-operatório: otimização hemodinâmica e suporte nutricional precoce. O paciente, idoso, desnutrido (IMC 17 kg/m², albumina 2,4 g/dL), com DPOC, foi submetido a colectomia com anastomose primária. Nas primeiras 12 horas, recebeu 3 L de cristaloide e mantém débito urinário de 0,4 mL/kg/h — abaixo do alvo clássico de 0,5 mL/kg/h —, com creatinina elevada e lactato de 3,5 mmol/L. Esse conjunto sugere lesão renal aguda (LRA) estágio 1 (KDIGO) e possível hipoperfusão, mas a resposta à reposição inicial não foi adequada, e a administração de volumes maciços adicionais (6–8 L) aumenta o risco de edema pulmonar, síndrome compartimental abdominal e deiscência de anastomose, especialmente em um paciente com DPOC e desnutrição.

A ressuscitação volêmica guiada por metas (goal-directed therapy) é o padrão: avalia-se a responsividade a fluidos (elevação passiva de pernas, variação de pressão de pulso, variação de volume sistólico) e utiliza-se o lactato como marcador de perfusão, com alvo de normalização progressiva. Não se deve administrar volume de forma fixa e agressiva; a resposta ao desafio volêmico (ex.: 250–500 mL) deve ser avaliada. No caso, o paciente já recebeu 3 L e mantém oligúria — pode ser não respondedor, e a sobrecarga volêmica seria prejudicial.

Quanto à nutrição, as diretrizes da Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo (ESPEN) e da Sociedade Americana de Nutrição Parenteral e Enteral (ASPEN) recomendam início precoce de nutrição enteral (dentro de 24–48 horas) em pacientes críticos que não conseguem alimentação oral, incluindo pós-operatório de cirurgia abdominal, mesmo com anastomose intestinal — desde que não haja contraindicação (ex.: instabilidade hemodinâmica grave não controlada, isquemia intestinal). A nutrição enteral precoce preserva a barreira intestinal, reduz translocação bacteriana e complicações infecciosas, e melhora a cicatrização anastomótica. A nutrição parenteral total (NPT) fica reservada para quando a via enteral é inviável ou insuficiente (após 7–10 dias), e não deve ser iniciada precocemente de rotina, especialmente em paciente com risco de síndrome de realimentação (desnutrição moderada/grave).

A hiponatremia leve (132 mEq/L) e a hipocalemia (3,2 mEq/L) devem ser corrigidas gradualmente, mas não justificam solução hipertônica (indicada apenas em hiponatremia grave sintomática, com risco de herniação cerebral) nem diuréticos (que piorariam a LRA). A furosemida não trata a oligúria pré-renal; ela é usada apenas após otimização volêmica, em casos de sobrecarga hídrica comprovada.

A pegadinha central é a tentação de "repor volume agressivamente" diante de oligúria e lactato elevado, ignorando que o paciente já recebeu 3 L e pode estar em risco de sobrecarga. A banca explora a confusão entre "hipovolemia" e "LRA pré-renal" — a conduta correta é avaliar responsividade a fluidos e, se necessário, usar vasopressores (noradrenalina) para manter pressão de perfusão, e não infundir volumes fixos.

Guarde o critério que separa as alternativas: reposição volêmica deve ser guiada por parâmetros dinâmicos, não por metas fixas de volume; e nutrição enteral precoce é superior à parenteral no paciente crítico cirúrgico.

Estratégia

Conduta

Adequação ao caso

A

Reposição volêmica agressiva com cristaloides (6–8 L/24h)

❌ Incorreta — volume fixo e excessivo; risco de sobrecarga (edema pulmonar, deiscência de anastomose)

B

Solução hipertônica de sódio a 3%

❌ Incorreta — hiponatremia leve (132 mEq/L) e assintomática; risco de mielinólise pontina

C

Nutrição enteral precoce + reposição hídrica guiada por parâmetros hemodinâmicos

✅ Correta — abordagem moderna (goal-directed) e via enteral preferencial

D

Restrição de volume + furosemida

❌ Incorreta — diurético na fase inicial da LRA pode agravar hipoperfusão renal

E

Nutrição parenteral total precoce

❌ Incorreta — via enteral é preferencial; NPT precoce aumenta risco de síndrome de realimentação

Alternativa A — ❌ Incorreta

A reposição volêmica agressiva com 6–8 L nas próximas 24h é excessiva e perigosa. O paciente já recebeu 3 L em 12h e mantém oligúria — isso sugere que pode não ser respondedor a volume, e a infusão maciça aumenta risco de edema pulmonar, síndrome compartimental abdominal e deiscência de anastomose. A ressuscitação deve ser guiada por parâmetros dinâmicos de responsividade a fluidos (elevação passiva de pernas, variação de pressão de pulso) e metas de lactato, não por volume fixo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A solução hipertônica de sódio a 3% é indicada apenas para hiponatremia grave sintomática (geralmente < 120 mEq/L ou com sintomas neurológicos). O paciente tem hiponatremia leve (132 mEq/L), assintomática, e a correção rápida pode causar mielinólise pontina. A hiponatremia aqui é provavelmente dilucional (excesso de cristaloide) e deve ser manejada com ajuste da reposição, não com soro hipertônico.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta ideal combina nutrição enteral precoce (dentro de 24–48h, mesmo após anastomose intestinal, desde que estável) com reposição hídrica guiada por parâmetros hemodinâmicos (responsividade a fluidos, lactato, variação de pressão de pulso), evitando sobrecarga volêmica. Isso atende às diretrizes de nutrição em paciente crítico e de ressuscitação guiada por metas, reduzindo complicações e melhorando desfechos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A restrição de volume e uso de furosemida para tratar oligúria é contraindicada na fase inicial de LRA, pois pode agravar a hipoperfusão renal e a lesão. Diuréticos só são considerados após otimização volêmica e em casos de sobrecarga hídrica (edema pulmonar, congestão). O paciente tem lactato elevado e possível hipoperfusão — a prioridade é avaliar responsividade a fluidos, não restringir volume.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A nutrição parenteral total (NPT) precoce não é recomendada de rotina em paciente crítico cirúrgico. A via enteral é preferencial por preservar a barreira intestinal, reduzir translocação bacteriana e complicações infecciosas. A NPT fica reservada para quando a via enteral é inviável ou insuficiente (após 7–10 dias). Além disso, em paciente desnutrido, o início de NPT precoce aumenta o risco de síndrome de realimentação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato escolher a alternativa A (reposição agressiva) por associar oligúria + lactato elevado a hipovolemia. Mas o paciente já recebeu 3 L e mantém oligúria — o que indica possível não responsividade a volume. A conduta correta é avaliar responsividade a fluidos e usar vasopressores se necessário, não infundir volumes fixos. Fique atento: volume não é a única resposta para hipoperfusão.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de ressuscitação volêmica, desconfie de alternativas que propõem volumes fixos (ex.: "6–8 L"). A abordagem moderna é guiada por metas dinâmicas (elevação passiva de pernas, variação de pressão de pulso, lactato). E lembre: nutrição enteral precoce > parenteral no paciente crítico cirúrgico, salvo contraindicação.

Gabarito: letra C

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